Você já parou para pensar quanto da sua operação hoje depende de linguagem? Relatórios, contratos, campanhas de marketing, descrições de produtos, atendimentos, documentos clínicos, treinamentos, scripts, e-mails, código… tudo isso é, essencialmente, linguagem estruturada em contexto. Agora imagine que uma parte significativa, talvez 60%, talvez mais, possa ser automatizada parcial ou totalmente. É exatamente isso […]
Você já parou para pensar quanto da sua operação hoje depende de linguagem? Relatórios, contratos, campanhas de marketing, descrições de produtos, atendimentos, documentos clínicos, treinamentos, scripts, e-mails, código… tudo isso é, essencialmente, linguagem estruturada em contexto. Agora imagine que uma parte significativa, talvez 60%, talvez mais, possa ser automatizada parcial ou totalmente. É exatamente isso que a inteligência artificial generativa (GenAI) promete entregar.
De acordo com a McKinsey, a GenAI já pode automatizar entre 60% e 70% das atividades de trabalho existentes e tem o potencial de adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano ao PIB global. Quando combinada com outras formas de IA tradicional, esse valor total pode ultrapassar US$ 7 trilhões. Não estamos falando de ganhos incrementais, mas de uma transformação estrutural na forma como o trabalho é realizado, como negócios operam e como decisões são tomadas.
O relatório da consultoria aponta que 75% desse valor está concentrado em quatro áreas centrais: atendimento ao cliente, marketing e vendas, engenharia de software, e pesquisa e desenvolvimento. Essas áreas não são periféricas, elas estão no coração das operações de qualquer organização moderna.
No atendimento ao cliente, assistentes virtuais equipados com GenAI entendem linguagem natural, entregam respostas contextualizadas e oferecem experiências hiperpersonalizadas. Em marketing e vendas, a tecnologia permite geração de conteúdo, segmentação de públicos e testes A/B em escala, com precisão e agilidade inéditas. Na engenharia de software, copilots aceleram geração, revisão e documentação de código, reduzindo prazos de entrega em até 50%. Aqui no Grupo Elfa, temos um caso, no qual o copilot para geração de código acelerou em mais de 70% o tempo para desenvolvimento de fronts. Já em pesquisa e desenvolvimento, a GenAI possibilita simulações, análises preditivas, geração de hipóteses e automação de documentação técnica, otimizando processos de inovação.
No setor de saúde, por exemplo, copilots auxiliam médicos na interpretação de prescrições e prontuários, enquanto assistentes de regulação agilizam processos com operadoras e hospitais. A GenAI não está apenas na borda das operações, ela está se movendo para o centro. À frente da TI de uma empresa de distribuição de medicamentos e materiais para saúde, vejo todos os dias os benefícios da GenAI nos nossos resultados.
Leia mais: IA autônoma: transformando cultura e estrutura organizacional para um futuro colaborativo
Porém, apesar desse enorme potencial, poucas empresas estão realmente monetizando a GenAI em escala. Isso ocorre porque muitas organizações enfrentam desafios significativos como arquiteturas e dados despreparados, dados não estruturados, sistemas isolados e ausência de pipelines robustos de MLOps e uma cultura corporativa que mantém projetos presos em provas de conceito, sem modelo de negócio claro ou KPIs alinhados à estratégia.
Outro obstáculo importante é a falta de governança. Sem políticas bem definidas, responsáveis técnicos e parâmetros éticos estabelecidos, a IA pode se tornar um risco e riscos bloqueiam escalabilidade.
Para transformar a promessa da GenAI em resultados concretos, é necessário adotar uma abordagem estratégica. Sempre que avalio um novo projeto de IA generativa, costumo me perguntar:
Se essas respostas não forem claras, talvez ainda não seja o momento de escalar. A disciplina para priorizar casos com alto retorno sobre investimento (ROI) e alinhamento estratégico é essencial para evitar desperdícios e maximizar resultados.
A GenAI não é sobre substituir pessoas, mas sobre reconfigurar o trabalho, redistribuir inteligência e alavancar criatividade. O valor de trilhões de dólares está em jogo, mas só será capturado por organizações corajosas o bastante para sair da inércia e disciplinadas o suficiente para escalar com responsabilidade.
Não precisamos esperar pelo futuro. Ele já está em produção. E cabe a cada um de nós garantir que essa transformação seja guiada por estratégia, ética e visão de longo prazo.
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