Eis que o varejo, mais uma vez, foi parar no epicentro de comentários apocalípticos acerca do que estaria por vir para o segmento. Uma montanha-russa de análises, antes, cravando o “fim” das compras em lojas físicas durante a pandemia, agora, colocando-as novamente no topo da lista de experiências que os clientes querem e têm […]
Eis que o varejo, mais uma vez, foi parar no epicentro de comentários apocalípticos acerca do que estaria por vir para o segmento. Uma montanha-russa de análises, antes, cravando o “fim” das compras em lojas físicas durante a pandemia, agora, colocando-as novamente no topo da lista de experiências que os clientes querem e têm buscado. Bem, não é preciso ser nenhum guru para entender que as duas narrativas estavam exageradas, mas um ponto é claro: o varejo está passando por sua maior transformação na década.
O momento é de repensar a definição das lojas e o papel – ou papéis – que desempenham na vida dos consumidores. Neste cenário, é indiscutível que a tecnologia seja necessariamente o maior pilar da transformação do setor.
O boom tecnológico que vivemos no último triênio para a sobrevivência dos negócios elevou o movimento dos brasileiros, agora tecnicamente mais experientes, que sabem bem que tipo de jornada de compra querem ter. Dados do relatório anual global de compras e viagens de fim de ano, divulgados recentemente pelo Institute for Business Value (IBV), da IBM, apontam que 46% dos consumidores pesquisados no País priorizaram as compras em lojas físicas e 23%, as compras híbridas, nesta temporada.
Percentuais transparentes que apontam para um caminho do varejo em que é necessário tecnologia sensorial, social e digital para criar experiências dinâmicas para os consumidores e processos simplificados e inteligentes para quem está à frente dos negócios. Portanto, quero realizar aqui um exercício com 4 reflexões tecnológicas que estão guiando o cenário do varejo, independentemente de qual modelo de compra o cliente optará.
Experiência impactante – Comprar em uma loja física não pode ser mais como há dez anos. Hoje, a combinação de IoT, reconhecimento de localização e tecnologias móveis atuam de forma integrada. Assim, é possível criar experiências intuitivas, relevantes e envolventes, incluindo desde um provador interativo até informações de alta precisão de produtos nas gôndolas. A Inteligência Artificial combina mercadorias da loja com as marcas e estilos que o cliente consome e publica em suas redes sociais. Isso permite que o comprador deslize, selecione e solicite os itens que deseja experimentar e comprar de forma precisa, inclusive, sem nem ir ao caixa após a decisão final.
Tudo passa pelos dados – Não há dúvida que um dos principais desafios para que varejistas criem experiências hiperpersonalizadas e em tempo real é uma sólida base de dados. Os empreendedores precisam de uma plataforma convergente capaz de integrar todos os tipos de dados de várias fontes – IoT, dados de vendas, fluxo de clientes, dados móveis, tráfego do site, mídia social – tudo de forma veloz, eficiente e escalável.
Como está sua cadeia de suprimentos? – Dados do estudo do IBV apontam que 64% dos consumidores entrevistados no Brasil fizeram pré-encomendas nesta temporada de final de ano para obter produtos no prazo e com preços garantidos, por receio de interrupções na cadeia de suprimentos. Isso mostra o peso de se trabalhar com uma cadeia que combina base sólida de dados e IA deixando-a mais otimizada e capaz de alimentar diretamente experiências dos clientes.
Sustentabilidade agora e sem rodeios – Quase 60% dos consumidores pesquisados no País dizem estar mais preocupados com a Sustentabilidade nesta temporada de festas do que no ano passado. Temas como pegada de carbono, origem de produtos animais, consumo de energia e boa reputação das marcas agora são, invariavelmente, buscadas pelos clientes no momento da tomada de decisão. Neste cenário, tecnologias como IA, IoT e blockchain proporcionam um maior grau de confiança e transparência para o consumidor final.
Dito isso, fica claro que os varejistas precisarão aproveitar e interpretar a vasta quantidade de dados gerados pelos consumidores. A identificação de padrões e tendências de compra precisa passar pelas tecnologias disruptivas que fundamentarão o varejo daqui em diante. E essa projeção, sim, está mais do que comprovada.
* Carlos Capps é líder das indústrias de Varejo, Consumo, Saúde e Agricultura da IBM Consulting para América Latina