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Com crise, indústria automotiva tenta fazer mais por menos

Crise atingiu setor fortemente e CIOs se viram com desafio de rever prioridades e com a necessidade de continuar processo de inovação

Publicado: 09/05/2026 às 21:46
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Com crise, indústria automotiva tenta fazer mais por menos
Construção civil — Foto: Reprodução

A paixão do brasileiro por carro é conhecida praticamente em todo o mundo. Mesmo na cidade de São Paulo, com os seu longos congestionamentos, o número de licenciamento de veículos não para de crescer. Isto mostra a dimensão da indústria automobilística, que, mesmo durante a crise, se beneficiou do mercado interno. Por outro lado, a brusca queda nas exportações, que até agosto deste ano acumulava 42%, trouxe desafios extras para manter rendimento e lucratividade. Nos bastidores da produção e das vendas que chegaram a níveis recordes nas concessionárias, principalmente com a isenção do Imposto de Produtos Industrializados (IPI), está o departamento de TI.

Equipes aceleram ávidas por fazer mais por menos e trabalhar em tempo recorde para atender a regulamentações, mudanças e todo o tipo de desafio. Tudo isto, sem perder posições no grid para a concorrência. “Fazer o melhor de graça”, brinca o diretor de TI da Ford América do Sul, Edson Badan, sobre o principal desafio da tecnologia da informação na indústria. “O componente financeiro é pesado, espera-se que a TI entregue com menor custo e queremos algo que agregue valor à empresa dentro de um custo aceitável. Temos objetivos audaciosos na redução dos custos operacionais”, completa. A visão do executivo é comum para diversos setores da economia e aponta para uma nova consciência neste mercado que emerge de um período pós-crise, mas que ainda caminha com muito cuidado e atenção.

O setor automotivo sofreu duros golpes durante a recessão econômica, principalmente nos Estados Unidos onde houve, inclusive, o pedido de concordata da General Motors – algo que ainda está na memória das pessoas, apesar da recente recuperação da montadora. Mas, no Brasil, a ajuda do governo com isenção fiscal e o aumento da disponibilidade de crédito sustentaram a movimentação no mercado interno. Até agosto deste ano, o número de licenciamentos estava 2,7% acima do registrado no mesmo período de 2008, que já havia sido um ano relativamente bom para o setor.

Passado o pior, na GM do Brasil o clima é de otimismo. Se no mundo a companhia não ia bem, no País o sentimento é outro. De acordo com o CIO da montadora para o Mercosul, Claudio Martins, a fabricante está investindo forte na operação nacional e um dos grandes desafios que ele terá pela frente será o suporte à fábrica com a renovação do portfólio de carros que a companhia prevê para os próximos anos. “A TI acompanha todo o lançamento de uma linha de produtos. Há mudança na infraestrutura da fabricação e para isto monta-se uma nova infra de TI. Nos próximos anos, vamos acompanhar o desenvolvimento de novos produtos e será um projeto muito grande”, confirma, sem poder adiantar mais detalhes. O executivo avisou que a companhia prevê investimentos de R$ 5 bilhões para esta renovação nos próximos dois ou três anos.

Nos bastidores

Além das investidas para atuar na linha de frente, o back offce da operação nunca pode ficar desassistido. Carlos Katayama, gerente-geral de TI da Honda na América do Sul, está à frente de uma renovação do parque de tecnologia da montadora no País. Isso inclui a modernização dos PCs, servidores e sistemas. De acordo com o executivo, a iniciativa faz parte de uma estratégia adotada pela companhia há cerca de quatro anos, quando se criou a TI corporativa. “Antes era separada: automotiva, banco, peças, motos. Agora é corporativo. São 220 pessoas distribuídas em fábricas e consórcio. Na central, ficam 65”, detalha.

Neste momento, Katayma lidera a implementação de um sistema de gestão da SAP. Antes, a montadora, assim como outras grandes companhias do setor, trabalhava com sistemas legados, mas, por definição regional, partiu para um software de mercado. A unidade da Argentina, explica, é a primeira fábrica a operar com SAP. Já, no Brasil, o início será pela área de peças, em janeiro próximo. “Somos responsáveis pela América do Sul. No mundo, somente a Honda na Europa usa SAP e, no Japão, um sistema interno. Foi uma decisão de negócio”, argumenta, demonstrando autonomia no cargo. 

Na Ford, diversas tecnologias são assistidas. Por exemplo, analisa-se a computação em nuvem, apesar de ainda não estar no planejamento A ferramenta de business intelligence (BI) está restrita ao marketing e vendas, mas existem planos para ampliar. Sobre os sistemas de chão de fábrica, Badan afirma que não vê nada que revolucione a fabricação de veículos nos próximos dois ou três anos. “Temos 80 aplicações corporativas regionais ou locais que atendem bem à fábrica. A criatividade não acaba e sempre precisa da TI para ajudar.”

Embora a tecnologia não seja o core destas companhias, pode-se dizer que os profissionais da área estão envolvidos em praticamente todos os processos e, sobretudo, naqueles que envolvem a fabricação de um veículo. Na GM, Martins diz que o suporte à tecnologia é imenso. Por lá, a terceirização é palavra de ordem, 100% da operação (como telefonia, suporte e help desk) está terceirizada.

Badan explica que na Ford são quatro divisões fundamentais para a tecnologia da informação: desenvolvimento de produtos, produção, venda e garantia. “TI é fundamental em todos os processos de fabricação do veículo, desde engenharia, certificação, pedido, distribuição, até controle de qualidade”, compila.

Já na Volkswagen do Brasil, como informou o gerente de tecnologia da informação, José Roberto Giro, a TI está preocupada em dar suporte à produção diária de 3 mil veículos e 3 mil motores, além da gestão de 22 mil funcionários, divididos entre as quatro fábricas da empresa (São Bernardo do Campo, Taubaté, São Carlos e São José dos Pinhais), além dos escritórios regionais de vendas e o Centro de Peças e Acessórios, em Vinhedo, interior de São Paulo. O departamento está envolvido ainda na modernização da infraestrutura tecnológica, incluindo a substituição de 7,5 mil PCs. Outro grande projeto na Volkswagen é o que eles chamam de MAIIS (material integrated inventory solution). “Consiste na implementação do SAP nas áreas de compras, logística, manutenção, finanças e controle de produção de motores, câmbio e estamparia. Estamos substituindo aproximadamente 70 sistemas mainframe e client-server, em uma operação que envolve mais de quatro mil usuários”, explica Giro.

Interação com criadores

Além de todo o suporte ao dia a dia das montadoras, a TI muitas vezes tem papel diferenciado no desenvolvimento de produtos. Todos os componentes dos carros mais modernos estão interligados a uma central de processamento, mas, de forma geral, quem cuida disso é a engenharia de produto. Em determinados momentos, no entanto, existe a possibilidade de interação entre TI e criadores. Na GM, por exemplo, Martins cita o caso de levar o celular para o modelo Vectra. “Colocamos o celular junto com a Motorola. Ele usa Bluetooth para se conectar e participamos da elaboração do projeto.”

Há também o projeto do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que prevê a instalação de um chip localizador nos carros – que armazenaria informações sobre ano de fabricação, documentação, pagamento de impostos. “É mais um projeto que fizemos junto com a engenharia. Outro exemplo é o Tistoweb. Eles (os carros) têm um software armazenado que possui atualizações. O programa regula calibração do motor, sobretudo dos modelos flex. Cada vez que o cliente vai na GM este programa é atualizado. Nós montamos um sistema que distribui para a concessionária, tudo online e tempo real”, explica.

Esse processo criado foi fundamental por questões de segurança. O governo temia que o software ficasse disponível para os clientes que, por sua vez, poderiam alterar potência do motor fazendo com que o veículo poluísse mais. 

A interação, entretanto, nem sempre acontece. No caso da Honda, Katayama informa que existe independência e que a equipe de desenvolvimento e criação de produtos tem competência necessária para informatização do veículo. “No caso dos rastreadores só acompanhamos o controle do equipamento, o restante é com a engenharia. Algumas montadoras trabalham de forma diferente, mas minha área não trata. A área de pesquisa e desenvolvimento é muito separada das outras.” Por outro lado, há um trabalho intenso para dar suporte à essa área, principalmente quando envolve compra de estações de desenho.

O modelo da Ford é um pouco diferenciado. Os softwares da engenharia de produção vêm dos Estados Unidos, de forma que um profissional que atua na equipe de criação no Brasil pode trabalhar em qualquer unidade da empresa no mundo. A montadora, como exemplificou Badan, possui um programa que testa batidas de veículos mesmo sem que o carro existe. “Você evita fabricar algo que dará problema”, constata. No caso do chip de localização, o executivo diz que acompanha o processo junto com a engenharia, mas a maior parte do processo é da equipe de desenvolvimento.

Na Volkswagen, um dos maiores exemplos de cooperação entre TI e engenharia de produto é um centro de realidade virtual criado em maio do ano passado. O projeto consumiu investimentos de R$ 4,2 milhões e está localizado na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). “Ele permite a simulação virtual de novos projetos em cooperação com a matriz da Volkswagen na Alemanha. O sistema reduz tempo e custos no desenvolvimento de produto”, justifica Giro.

De forma geral, é um setor que está envolvido com muita tecnologia, seja no dia a dia da empresa ou no processo de criação de produtos. Os carros, cada vez mais, contam com tecnologias embarcadas. É muito comum um veículo vir com conexão bluetooth para uso do celular ou mesmo sistemas de GPS e a tendência é que isso seja ampliado e TI, em alguns casos, é acionada para participar dos processos. Alguns pontos como BI, ERP, da forma como são conhecidos em outras indústrias, parecem estar no começo dentro do segmento automotivo e algumas tecnologias como RFID podem despontar num futuro próximo. Com o fim da recessão e a recuperação do setor no restante do mundo, já que falamos apenas de multinacionais, pode ser que grandes projetos venham por aí e a aceleração chegue ao limite permitido pelas rodovias.

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