Foco de empresas como CTBC, GVT, Intelig, Transit Telecom e Sercomtel tem sido mercado corporativo
Quando falou sobre a divisão da América Latina em um novo tratado de Tordesilhas entre Espanha e México, o presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher, referia-se à Telefônica e Telmex que têm comprado operadoras de telefonia e TV a cabo em toda a região, consolidando o mercado e restringindo o crescimento de competidoras. O movimento, por mais nefasto que pareça, é natural no sistema capitalista. “Todas as empresas esão à venda”, comenta Luiz Cuza, presidente-executivo da TelComp.
Para as operadoras que queiram se manter no mercado – ou até mesmo serem compradas – a alternativa é investir na inovação. “Se não desenvolver algo que o diferencie do resto do mercado, não vai conseguir sobreviver”, pontua André Sciarotta, analista da Frost & Sullivan. Neste sentido, empresas como CTBC, GVT, Intelig, Transit Telecom e Sercomtel têm caminhado. Com menores estruturas, conseguem implementar rapidamente novas tecnologias e competir – em pé de igualdade muitas vezes – com as grandes concessionárias.
O “dever de casa” vem sendo cumprido com foco basicamente no mercado corporativo. Isto garantiu que, em 2003, duas operações acontecessem: na primeira, a Telefônica comprou a Atrium Telecomunicações, especializada na oferta de serviços corporativos. A transação de R$ 113,4 milhões adicionou mais de dois mil clientes ao portfólio do Telefônica Empresas – serviço de telecomunicações corporativas da operadora espanhola.
Depois, a Oi (ex-Telemar) selou a aquisição da Pegasus por R$ 335,8 milhões, permitindo acelerar a conquista de mercado nas regiões Sul, Centro-Oeste e em São Paulo, fora de sua área original de atuação. À época, a Pegasus contava com mais de 30 clientes carrier e cerca de 250 clientes corporativos.
Novas oportunidades não faltam. O Portal Teleco estima que o Brasil conta com 80 operadoras autorizadas para prestar os serviços de telefonia local e fixa e 666 detentoras de licenças do Sistema de Comunicações Multimídia (SCM), que oferecem soluções de VoIP e telefonia IP em sua maioria). Já a Intelig está à venda há cerca de quatro anos.
Apesar disto, a operadoras tem investido na modernização da rede de dados apostando no crescimento do mercado corporativo e do consumo de banda cada vez maior. Hoje, são cerca de 2 mil clientes corporativos. “Temos alcançado resultados significativos no atendimento a outras operadoras” comenta o diretor de marketing e produtos, Alexandre Oliveira. A Intelig também oferece às operadoras locais terminação de tráfego fora de suas áreas de cobertura e circuitos para a ampliação de seus backbones de dados. “Estamos estudando a adoção de VoIP e WiMAX”, completa Oliveira. A Intelig não divulga dados financeiros.
Sobre as dificuldades em atuar no mercado brasileiro, o executivo afirma que ela está diretamente relacionada às questões de custo de interconexão e à possibilidade de utilização de última milha das operadoras locais. “A agência reguladora vem trabalhando no primeiro item e em relação ao segundo, a discussão de preços razoáveis não evoluiu no Brasil. Isso pode ser uma das grandes causas da falta de competição no mercado de massa”, diz.
Já cotada para a compra da Intelig, a GVT, no momento, afirma não ter interesse em aquisições. E o contrário? “O movimento de algum interessado em comprar controle acionário da GVT é descartado pelos acionistas majoritários, que têm com a empresa um compromisso a longo prazo e acreditam na valorização do negócio”, comenta o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores, Karlis Kruklis.
No IPO realizado em fevereiro deste ano, a GVT captou mais de R$1 bilhão (mesmo valor do faturamento bruto de 2006).As taxas de crescimento financeiro no primeiro e segundo trimestres deste ano foram de 25% e 28%, respectivamente. De acordo com Kruklis, o foco tem sido consumidores residenciais e empresariais, em sua maioria, já atendidos por concorrentes, mas insatisfeitos com o nível de serviço, a qualidade de atendimento e a falta de diversidade de produtos inovadores.
Entre as apostas tecnológicas da empresa está a Fiber to the Node (FTTN) em que a faixa de cobre que sai da fibra óptica antes de atingir o cliente final é muito curta: em média 800 metros. “Nossa rede está preparada para oferta de até 20 Mbps de velocidade, sem necessidade de novos investimentos”, informa o executivo.
Esta é última matéria de uma série de nove que o IT Web publica desde 15 de outubro. O especial integra a reportagem de capa da edição 191 de InformationWeek Brasil.