Operadora móvel atuava sobre linhas alugadas no Brasil, o que gerou gastos de R$ 515 milhões, em 2009
Não foram apenas as oportunidades latentes do mercado de telefonia fixa que atraíram a TIM para fechar a compra da Intelig. O negócio mirou também uma rede com 500 mil quilômetros de fibra que agora passam a integrar a infraestrutura de operadora móvel.
Até a concretização do negócio, a companhia de origem italiana atuava sobre um bom número de linhas alugadas no mercado nacional, o que consumia uma quantia de R$ 515 milhões dos cofres da operadora todos os anos.
Com a incorporação da Intelig a meta é cortar em 50% esse tipo de despesa. Pelas contas de Luca Luciani, presidente da TIM Brasil, o porcentual representa uma economia anual de aproximadamente R$ 250 milhões. Sob essa perspectiva, a compradora acredita que o negócio se pagará em um prazo de 30 meses.
A intenção é investir toda economia trazida com a integração da rede em expansão do negócio da operadora adquirida. As metas são arrojadas. “A Intelig vai triplicar sua receita atual em um prazo de três anos”, vislumbra o presidente, calculando que a empresa fechará 2009 faturando algo em torno de R$ 700 milhões, um valor considerado baixo pelo executivo.
Existe a intenção de promover um “renascimento” da operadora fixa, que surgiu com força no mercado e aos poucos foi caindo no esquecimento. Ainda não foi definido se a operadora manterá o código “23” ou mudará para o “41” da compradora.
O presidente da TIM prometeu que não haverá reestruturação na operação da Intelig. Tirando a integração visando obter sinergia das redes e algumas modalidades de produtos, a companhia se manterá como uma marca independente.
A Intelig, sozinha foi avaliada em R$ 1,2 bilhão. Mas a negócio envolveu troca de ações e a transferência de uma divida na casa dos US$ 70 milhões. Ao todo, a aquisição contemplou a troca de ações de até 5,14% e aumento de capital estimado em R$ 517 milhões.
Concorrência
“Até hoje jogamos sobre o mercado de telecomunicações móveis. Agora temos a possibilidade de dobrar nosso mercado potencial”, diz Luciani, mirando oportunidades de R$ 100 milhões no mercado brasileiro, entre oferta fixa e móvel.
Segundo o presidente, o mercado de telefonia fixa tem competitividade mais baixa que o setor móvel. Como entrante, a empresa espera desafiar os competidores atuais, prometendo agressividade ao endereçar ofertas de voz e dados.