TIM deixar de ser uma operadora exclusivamente celular para se tornar uma empresa convergente, com oferta de serviços de telefonia fixa
A TIM se prepara para um passo importante em poucos meses: vai deixar de ser uma operadora exclusivamente celular para se tornar uma empresa convergente, enriquecendo sua oferta de serviços com telefonia fixa. A informação foi dada ontem pelo presidente da companhia, Mario Cesar Pereira Araujo, em teleconferência para divulgar o resultado do segundo trimestre, e decorre da obtenção de licença de Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no início do mês passado.
Araujo afirmou que a empresa vai seguir o exemplo da Vodafone, a maior operadora celular do mundo, que não possui rede fixa. mas presta todos os serviços aos clientes, ou seja, fixo, móvel e dados. “Já começamos a fechar contratos de interconexão com as outras operadoras para formatar o nosso pacote”, comentou. “E não estão ocorrendo problemas por enquanto”, afirmou o executivo, prometendo “gritar” se suas concorrentes dificultarem o fechamento dos acordos necessários.
Segundo fontes do mercado, a oferta convergente será usada para atrair novos clientes e para fidelizar os atuais, que serão estimulados a ter um único provedor, para telefonia fixa, móvel e de acesso à internet, com preços atrativos no conjunto da oferta. “Mas, quem quiser um só serviço vai poder adquirir também em separado”, disse o presidente.
Também nos próximos meses, ao mesmo tempo que se torna “triple play”, a TIM vai concorrer à licitação de terceira geração (3G), prevista para outubro. Com relação à intenção expressa pelo governo de incluir no edital de 3G a exigência de cobertura de telefonia móvel em todos os pequenos municípios, inclusive onde não há equilíbrio na relação custo-benefício, Araujo sugeriu que se crie uma forma de parceria que garanta a sustentabilidade do projeto. Ou seja, o governo reduziria, por exemplo, a elevada carga tributária incidente nos serviços telefônicos em contrapartida ao investimento a ser feito pelas empresas.
O presidente da TIM vai fazer sugestões como essa à Anatel durante o processo de consulta pública de 3G em andamento. A empresa não fechou contrato de aquisição de infra-estrutura de 3G com ninguém, segundo Araujo, o que não a impede de acolher testes experimentais sem compromisso.
Volta ao lucro
O segundo trimestre da TIM contabilizou a conquista de 1,2 milhão de clientes, dos quais 31,2% de pós-pagos, totalizando carteira de 27,5 milhões em todo o País. A receita líquida de serviços, de R$ 2,8 bilhões, foi 40,5% maior que a do segundo trimestre de 2006, e a receita média por cliente (ARPU), de R$ 34,60, permaneceu acima da média brasileira e se deveu basicamente ao aumento dos serviços de dados.
O Ebitda (resultado antes de juros, amortização, impostos, depreciação e despesas financeiras) alcançou R$ 743,7 milhões no período, subindo 44,2% em relação ao segundo trimestre de 2006 e levando a margem Ebitda para 24,3%, diante dos 22,7% no mesmo período do ano passado.
O lucro líquido do trimestre atingiu R$ 34 milhões, o que significa reversão de prejuízos seguidos, sendo que no período correspondente do ano passado a perda atingiu R$ 238 milhões.