Processo de crescimento gera a necessidade de contratar cem profissionais até o fim do ano, diz diretora financeira
Com foco no fortalecimento de sua rede de expansão, a Algar Telecom – braço do Grupo Algar voltado especificamente para o setor de telecomunicações – pretende investir cerca de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. As informações foram dadas pela diretora-financeira da empresa, Tatiana Panato.
A companhia tem 11 mil funcionários – ou associados, como preferem denominar – sendo que a maior parte dos profissionais trabalha em setores de apoio: para se ter uma ideia, apenas 1,4 mil estão ligados diretamente às atividades de telecomunicações. Até o fim deste ano, para atender aos projetos, serão contratados mais cem.
“Esse valor será voltado para nosso crescimento na área de expansão e comunicação de dados, também na concessão e na expansão dos serviços de banda larga e vídeo. Vamos utilizar também para a transformação das redes para MGM [max generation network]. Começamos este trabalho de transformação há três anos e temos objetivo de finalizá-lo dentro de três ou quatro anos, deixando a rede totalmente IP para voz e dados”, contou Tatiana.
Faturamento
Cerca de 80% do faturamento do grupo – que está em torno de R$ 470 milhões por trimestre – vem da área de concessão da empresa, cujo foco principal são clientes residenciais. Os 20% restantes são oriundos do mercado de expansão, muito galgado em pequenas e médias empresas. As operações se concentram em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba, Distrito Federal e Goiânia. O plano é aumentar a penetração nesses mercados.
Exatamente por conta disso, na semana passada, a Algar Telecom anunciou uma parceria com um braço da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) voltado a telecomunicações e, por meio do uso de seu cabeamento, passou a oferecer seus serviços a clientes residenciais de um condomínio de alto padrão. Os detalhes financeiros do acordo ainda não foram divulgados.
“Estão inclusos voz, banda larga e TV. É nossa primeira iniciativa fora da área de concessão – na área de expansão – não focada em pequenas e medias empresas. Temos uma expectativa muito alta com essa parceria”, explicou Tatiana, detalhando que o tíquete médio desses clientes é de R$ 1,5 mil. “São clientes das classes A e B”, continuou.
Para atender ao plano de crescimento, Tatiana garante que serão feitas captações apenas quando for necessário. Quase todo o dinheiro virá, portanto, da geração de caixa. Um levante de recursos via emissão de debêntures foi feito em 2007, gerando R$ 250 milhões. No fim de 2009, foram mais R$ 250 milhões, via empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
“Estamos entrando, no ano que vem, na fase de amortização das dividas com debêntures”, disse Tatiana. A dívida liquida da empresa está em 1,3 vez o Ebitda (ganhos antes das taxas de juros, depreciações e amortizações). Em dezembro, ela estava em R$ 507 líquidos. Atualmente, R$ 477 milhões.
Plano Nacional de Banda Larga
Sobre o Plano Nacional de Banda Larga, Tatiana afirmou que não acredita que haverá um reflexo muito grande nas operações da Algar. “Não sabemos ainda o que será exigido, mas já estamos bem adiantados: nossa penetração de banda larga está em 30%, devendo atingir 70% nos próximos cinco anos. Então não acredito que o plano vai acelerar muito mais esse objetivo que já seguimos”, finalizou.