Alberto Albertin, da FGV, forneceu um framework de gestão aos participantes do IT Conference
“Quem não tem problemas para justificar financeiramente um projeto de TI?” A questão levantada por Alberto Albertin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), deu a tônica do workshop Gastos e investimentos em TI vinculados ao desempenho empresarial, coordenado por ele no primeiro dia do IT Conference 2008, realizado entre 05 e 06 de junho, em São Paulo.
E para aqueles que admitem as dificuldades de ter seus projetos aprovados junto à alta administração de suas companhias, Albertin propõe um longo percurso que passa por entender as dimensões do uso de TI e cruzá-las com o desempenho da corporação no mercado. “Há um processo de ‘conversão’ da TI, um processo de adequação e uso em função da estratégia corporativa”, declara.
Tal percurso passa pela identificação de direcionadores de projetos, que estão no mercado, na empresa, nas pessoas e na própria TI, seguido por um levantamento dos benefícios ofertados e entregues pela TI, em relação a custo, produtividade, qualidade, flexibilidade e inovação. O mapeamento de todos os elementos devem ser vinculados ao desempenho empresarial em função de critérios financeiros, de processos internos, de aprendizado e crescimento, e da perspectiva do cliente.
A tarefa não é fácil, e exige o trabalho conjunto dos profissionais de TI totalmente integrados aos executivos das áreas negócios. E os congressistas que participaram do workshop coordenado por Albertin realizaram uma série de exercícios, o tornou a apresentação dinâmica e interativa. E ao representar uma escola de negócios, Albertin ressaltou que o objetivo de sua metodologia é contribuir para o sucesso e crescimento da empresa, e não apenas da TI. Neste sentido, os atendentes levaram um verdadeiro framework que pode ser aplicado – com muita dedicação – em suas respectivas corporações.
Na prática
O workshop foi complementado com a apresentação de Claudio Chetta Jr., gerente-corporativo de planejamento e controle de TI da Votoratim Industrial. Dentro das agressivas metas de crescimento da companhia, ele detalhou como foi seguida a metodologia de vinculação do uso e investimentos de TI ao desempenho empresarial, apoiados pela FGV.
“Até 2003, as empresas do grupo operavam separadas”, explicou. O fortalecimento da holding resultou no Sistema de Gestão Votorantim, que visava a unificação administrativa. O grande destaque foi o Projeto Integra, de implementação do SAP em todas as companhias, exceto uma, por motivos estratégicos. Para se ter uma idéia, a empreitada durou de 2004 a 2007.
A TI da Votorantim está toda centralizada, sob o comando do CIO Fabio Faria, e apóia, alinhada estratégicamente, todas as empresas do grupo. Em sua apresentação, Chetta explicou como são medidos, qualificados e quantificados todos os aspectos da TI, dentro do conceito de “dimensões” apresentado por Albertin. Para dar a medida do desafio, ele destacou o uso de uma ferramenta de gestão de demandas de TI, a SSTI – Solicitação de Serviços de TI, cujo funcionamento levantou grande interesse dos participantes do workshop.
A geração e gestão da criação de valor de TI, conceitos relacionados à estruturação de governança de TI na Votorantim também passam pela metodologia de vinculação do uso e investimentos da área ao desempenho e à estratégia corporativa.