Na primeira edição do 1.2.1 Network, o painel de abertura alertou para as novas preocupações que a TI deve ter
Em 8 de junho, a BM&F Bovespa realiza o primeiro leilão
voluntário de crédito de carbono da América Latina, ofertando 180 mil créditos
divididos em três lotes iguais. As empresas poderão vender e comprar conforme
sua demanda. Atualmente, a cotação de um crédito (equivalente a uma tonelada de
dióxido de carbono) está em aproximadamente dez euros, mas especula-se que,
dentro de um par de anos, saltará para 4 mil euros. Com isto, os créditos de
carbono se transformarão em moeda e poderão ditar a forma como as companhias se
relacionam.
Dentro dessa nova perspectiva financeira, a TI exerce papel
estratégico à medida que está sob sua alçada a capacidade de, por exemplo,
reduzir o consumo de energia por meio de iniciativas mais verdes. Contudo,
perceber este novo patamar da corporação e trabalhar seguindo os novos
princípios significa algo que o diretor de TI terá de lidar se quiser continuar
sendo importante.
É o que a PricewaterhouseCoopers Brasil denomina de CIO
Situacional, ou seja, aquele executivo que prima por readequar seus skills conforme a realidade da empresa, aquele
sujeito que entende o momento pelo qual a corporação está passando e direciona
seus esforços a fim de atendê-la.
Em sua palestra de abertura da primeira edição do 1.2.1
Network, que reuniu CIOs e patrocinadores na sede da IT Mídia, em São Paulo, nesta
quinta-feira (27/5), o sócio da PwC, Sérgio Alexandre Simões, chamou a atenção
dos executivos presentes para como a tecnologia da informação pode contribuir
para o crescimento das empresas balanceando o econômico, social e ambiental. “O
CIO tem de gerenciar a TI como negócio, entendendo o direcionamento da empresa
para em cima disto traçar sua estratégia de tecnologia”, pontuou Simões,
apontando como habilidades fundamentais a gestão de serviços (sourcing), o desenho da estratégia e as
operações de TI.
Outra reflexão proposta recaí na questão do entendimento do
modelo de negócios da companhia para que a TI esteja, de fato, alinhada. Simões
orienta os CIOs a trabalharem para cada vez mais ter o que ele chama de “TI
empacotada”, ou seja, descomplicá-la de tal maneira que aumente a agilidade e
responda prontamente às necessidades da corporação, sejam elas quais forem.
Para isto, torna-se fundamental a visão do CIO como homem de
negócios. “As decisões não são mais técnicas como eram na década de 1990. Agora,
o executivo deve entender o que está acontecendo mais do que como fazer”,
aponta o sócio, que menciona um estudo da Price para comprovar tal fato.
De acordo com os números apresentados, se, na década de
1990, 76% executivos de TI tinham de ter habilidades técnicas, no século 21,
este índice caiu para 20% – mesmo patamar que estão skills de negócios, financeiros, liderança e organização/cultura. A
título de comparação, nos anos 90, eram 6% financeiros, 6% liderança e 6%
organização/cultura.
Este panorama ajuda a entender o caminho que diretores de TI
estão – ou deveriam estar – seguindo. Quando as negociações dos créditos de
carbono se tornarem praxe e esta “moeda” se consolidar como uma forma de comércio
entre as empresas, caberá também ao CIO trabalhar para que sua empresa tenha créditos
para vender. Além das práticas já conhecidas de TI verde (como data centers mais
sustentáveis, monitores de LCD, virtualização etc), os executivos terão de negociar
a questão com seus fornecedores.