As estratégias de empresas de diferentes portes para reduzir custos com tecnologia da informação
As ações antigastos da Suzano Papel e Celulose são permanentes e aparecem desde o ato da contratação de grandes processos de terceirização. ?Em 2008, a redução deve ocorrer com o uso correto da TI nos processos de negócios, o que não deve se refletir apenas na área de tecnologia, mas no resultado geral da companhia.?
Recentemente, a empresa, que garantiu uma receita de R$ 815,9 milhões somente no terceiro trimestre de 2007, finalizou um processo de roll-out nas suas unidades. O trabalho, iniciado em fevereiro de 2006, envolveu a migração do sistema de gerenciamento do chão de fábrica para uma plataforma .Net, além da implantação de uma solução customizada de business intelligence. A meta do projeto é aperfeiçoar o processo de produção a partir da obtenção de relatórios gerenciais, destinados à diretoria da empresa.
?Com a unificação dos sistemas, é possível ter uma visão do todo e criar um planejamento integrado para as plantas. Ganhamos na otimização do acabamento do papel, com o melhor aproveitamento na hora do corte?, afirma Rogério Baldan, gerente de projetos da Suzano que, em 2006, produziu 638 mil toneladas de celulose e um milhão de tonelada de papel.
Disciplina militar
Na SulAmérica, que somava um lucro líquido de R$ 259 milhões até setembro de 2007 ? um crescimento de 218,1% em relação aos primeiros nove meses de 2006 ? as políticas de intervenção nas faturas de TI começaram com afinco em 2004 e já obtiveram uma redução de até 40% ao ano. Para isto, combinam a virtualização dos servidores com o sourcing on demand de discos, rede e equipamentos de impressão. E toda a rede de voz, dados e vídeo sobre IP passou para uma malha MPLS e ATM. ?Também selecionamos um conjunto de fornecedores para a prestação de serviços de desenvolvimento e manutenção de aplicativos, e investimos na governança de TI?, explica Furtado, que ainda pilota um exército de 400 servidores, incluindo mainframes.
Para não comprometer os empreendimentos da área em busca da eliminação de custos, a receita do vice-presidente de TI é ?aprovar os projetos certos e fazer certo os projetos aprovados?. Mas será que essa fórmula daria certo em empresas menores? ?A escala e o poder de pressão sobre os fornecedores certamente ajudam as grandes empresas. Por outro lado, pequenas e médias companhias podem usar um maior leque de soluções.?
Na medida certa
Na Alog, empresa de médio porte, que fatura R$ 50 milhões por ano e se especializou em serviços de data center, a guerra aos gastos é baseada em três frentes: o uso racional do espaço, o menor consumo de energia e um sistema de gestão de qualidade. Um dos segredos foi usar servidores compactos e adotar a virtualização. Iniciada no segundo semestre de 2007, a prática permitiu diminuir o espaço de trabalho em até 15 vezes e simplificou a gestão dos ativos. ?Ainda cortamos o consumo de energia em 30%?, explica Marcus Moraes de Oliveira, vice-presidente e CIO da Alog, que tem 4,5 mil servidores em unidades no Rio de Janeiro e em São Paulo. A preocupação da empresa com a economia não é gratuita: o volume de máquinas da Alog cresce a uma taxa mensal de 3% ? ou 150 novos servidores a cada mês.
Já o sistema de gestão da qualidade começou em 2006 e a certificação ISO 9001 foi obtida em 2007. ?O número de clientes perdidos por insatisfação despencou?, comemora. Para 2008, o plano é radicalizar nos projetos de consolidação e virtualização de máquinas. ?Estamos avaliando a utilização de computadores de grande porte com centenas de processadores em um único bastidor para concentrar sistemas baseados em Linux e Unix?. Se a iniciativa vingar, a expectativa é obter uma redução extra de 15% no consumo de energia.
A carioca Guanabara Diesel, que até novembro de 2007 acumulava um faturamento de R$ 221 milhões em 2007, considerada uma das maiores concessionárias de caminhões Mercedes-Benz do País, preferiu enxugar o orçamento com um contrato de terceirização de impressão. O projeto começou em fevereiro de 2006 e foi concluído em maio de 2007.
?Implantamos uma única solução baseada em laser, para imprimir notas fiscais, com recursos de scanner, fax e cópias. Cortamos despesas de estocagem e impressão?, diz o gerente administrativo Darcy Moret. A redução alcançou 30% ao mês e a inovação permitiu a cada máquina da empresa, que antes imprimia uma ou duas páginas por minuto, produzir mais de 30 páginas por minuto. ?Ganhamos em qualidade e reduzimos os custos.?