ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250
adoção de IA
IA

Confiança é o “aplicativo-chave” para destravar a adoção da IA, aponta Forrester

A história da inteligência artificial (IA) remonta a décadas, mas a questão central que acompanha seu avanço permanece a mesma: não se trata apenas de perguntar “podemos?”, mas sim “devemos?”. Essa provocação é levantada por Martin Gill, vice-presidente e diretor de pesquisas da Forrester, em relatório publicado em setembro de 2025, no qual destaca a […]

Publicado: 24/03/2026 às 03:44
Leitura
4 minutos
Confiança é o “aplicativo-chave” para destravar a adoção da IA, aponta Forrester
Construção civil — Foto: Reprodução

A história da inteligência artificial (IA) remonta a décadas, mas a questão central que acompanha seu avanço permanece a mesma: não se trata apenas de perguntar “podemos?”, mas sim “devemos?”.

Essa provocação é levantada por Martin Gill, vice-presidente e diretor de pesquisas da Forrester, em relatório publicado em setembro de 2025, no qual destaca a confiança como o fator determinante para acelerar a adoção da tecnologia em larga escala.

Gill relembra como, nos anos 1960, experimentos pioneiros como o chatbot ELIZA, de Joseph Weizenbaum, e o modelo PARRY, de Kenneth Colby, já apontavam para dilemas éticos da interação homem-máquina. A ficção científica também ajudou a esquentar esse debate, de Mary Shelley a Isaac Asimov, com suas célebres “três leis da robótica”.

Hoje, a discussão deixa de ser teórica. Influenciadores digitais como Lil Miquela, com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, ou a banda Velvet Sundown, que acumula milhões de streams, mostram como entidades artificiais já competem diretamente pela atenção de consumidores, muitas vezes sem transparência sobre sua natureza.

Esse fenômeno intensifica a chamada “uncanny valley”, a estranheza causada por entidades quase humanas, e levanta uma questão crucial: quem (ou o quê) realmente merece confiança?

Leia também: Angélica Vitali, da T-Systems, equilibra introversão e comunicação na liderança

Confusão entre consumidores

Dados do Forrester Consumer Benchmark Survey 2025 revelam o tamanho do desafio. Na Austrália, 68% dos consumidores acreditam que chatbots usam IA, mas apenas 58% associam a tecnologia a carros autônomos. No Reino Unido, a percepção é ainda mais distorcida, embora 80% dos entrevistados defendam que empresas devem ser transparentes e informar claramente onde a IA é aplicada.

Esse desencontro entre realidade e percepção demonstra que a resistência à IA não está na tecnologia em si, mas na forma como é comunicada e regulada.

Segundo a Forrester, entre 30% e 40% das empresas no mundo já aplicam IA em produção para melhorar a experiência do cliente, seja otimizando equipes de atendimento, analisando interações em call centers ou interpretando feedbacks.

No entanto, para a maioria das organizações que ainda não avançaram, os entraves não são técnicos. Questões ligadas à ética, privacidade, transparência e preparo dos colaboradores aparecem como principais barreiras à expansão.

Gill reforça que a confiança é “difícil de conquistar, fácil de perder e totalmente mensurável”. Sem ela, empresas correm o risco de afastar clientes, funcionários e parceiros, mesmo com tecnologias de ponta à disposição.

Papel da regulação

A análise também conecta os debates regulatórios ao tema da confiança. O AI Act da União Europeia, por exemplo, estabelece parâmetros de risco e princípios como transparência, justiça e responsabilidade. Iniciativas semelhantes vêm sendo discutidas em países como Austrália, em um esforço para reduzir incertezas e criar uma base comum de governança.

Segundo a Forrester, consumidores tendem a confiar mais em setores altamente regulados, como bancos, para implementar IA de forma responsável, do que em empresas de tecnologia, que tradicionalmente operam com menos restrições.

O estudo propõe um modelo atualizado de confiança que leva em conta diferentes níveis de risco percebidos pelos usuários. A mensagem central é clara: empresas que comunicam com clareza onde e como usam IA, oferecem mecanismos de supervisão e demonstram responsabilidade conquistam vantagem competitiva.

Para Gill, a adoção em larga escala da IA não será definida apenas por avanços técnicos, mas pela capacidade de empresas e governos em construir relações transparentes e confiáveis com a sociedade. “Consumidores podem estar confusos, mas certamente não querem ser enganados”, resume.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Autor
Notícias relacionadas