O governo federal anunciou durante a COP30, em Belém, o Programa Prioritário de Interesse Nacional em Bioinformática (PPI BioinfoBR), nova iniciativa que busca conectar os campos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e ciências biológicas por meio de incentivos à pesquisa, desenvolvimento e inovação previstos na Lei de Informática. O projeto, lançado pelo Ministério […]
O governo federal anunciou durante a COP30, em Belém, o Programa Prioritário de Interesse Nacional em Bioinformática (PPI BioinfoBR), nova iniciativa que busca conectar os campos de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e ciências biológicas por meio de incentivos à pesquisa, desenvolvimento e inovação previstos na Lei de Informática.
O projeto, lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), tem como foco desenvolver infraestrutura tecnológica, softwares, algoritmos e serviços digitais aplicados à biotecnologia. A proposta integra a política industrial de TICs à agenda nacional de bioeconomia e soberania tecnológica, em um momento em que o país tenta consolidar uma estratégia de desenvolvimento sustentável com base em ciência e dados.
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A ministra Luciana Santos afirmou que o programa reforça a necessidade de o Brasil utilizar sua capacidade científica e tecnológica para valorizar os recursos naturais. “Nós precisamos cada vez mais associar tecnologias disruptivas, como softwares, computadores de alto desempenho e soluções de inteligência artificial, ao maior patrimônio do nosso país, que é a nossa biodiversidade”, disse durante o lançamento.
O PPI BioinfoBR permitirá que empresas habilitadas na Lei de TICs invistam parte dos recursos de pesquisa e desenvolvimento no programa, em troca de benefícios fiscais e acesso a tecnologias e centros de pesquisa credenciados. A iniciativa prevê ainda a criação de uma plataforma nacional de bioinformática interoperável e segura, além de programas de formação e retenção de talentos e fomento à cooperação entre empresas e instituições científicas.
Segundo Gustavo Leal, diretor-geral do SENAI, a instituição aplicará no novo programa a experiência adquirida em outras frentes de inovação. “Responsável pela maior mobilização de projetos no programa Mover, o SENAI utilizará esta experiência para atuar no PPI de Bioinformática com sua rede de Institutos de Inovação e universidades nacionais”, afirmou. Dos 28 institutos do SENAI, 12 têm atuação direta em bioeconomia e sete em TICs.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa), Alex Carvalho, destacou o simbolismo do lançamento ocorrer durante a Conferência do Clima. “Ao trazer ciência associada a pesquisas que possam criar nossos bioativos e bioinsumos, promovemos novos mercados e criamos um ambiente de integração entre Amazônia, indústria e sociedade”, disse.
A bioinformática, base conceitual do programa, permite analisar grandes volumes de dados biológicos, como genomas, e transformá-los em soluções aplicáveis à saúde, agricultura e indústria. Projeções da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI) indicam que investimentos de cerca de US$ 257 bilhões em bioeconomia podem gerar retornos anuais de até US$ 593 bilhões até 2050, com redução de emissões e expansão de cadeias produtivas sustentáveis.
O MCTI aponta que o PPI BioinfoBR está alinhado a outras iniciativas governamentais, como o Mais Inovação Brasil – Bioeconomia, o Plano Clima e o Nova Indústria Brasil, consolidando a bioinformática como eixo estratégico para o desenvolvimento industrial e ambiental do país.
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