Em busca de precisão, companhia investe em mobilidade e ganha em agilidade
Imagine movimentar manualmente a matéria-prima necessária para produzir, anualmente, 132 mil toneladas de masterbatches (aditivos que dão cor aos plásticos)? O cenário era este até cerca de um ano atrás nas fábricas da Cromex, companhia que detém 50% do mercado nacional neste segmento e fatura perto de R$ 300 milhões. Os controles feitos à mão já não supriam as necessidades da indústria, pois eram lentos, imprecisos e custosos.
A companhia começou a pensar em uma forma de otimizar tal processo, definindo especificações tecnológicas fundamentais para suportar um projeto. O desafio consistia em encontrar uma maneira de integrar a solução ao software de gestão empresarial (ERP) dentro de uma implantação que envolvesse sete subdivisões de estoque e aguentasse as condições adversas do chão de fábrica (umidade, calor, poeira e fortes impactos). “Fizemos uma pesquisa dos equipamentos e começamos um trabalho interno de validação”, comenta Marcos Souza, gerente de TI da empresa.
As reflexões do time da Cromex resultaram na escolha de coletores de dados Motorola MC9000, redes sem fio e pontos de acesso espalhados pela fábrica. Os hardwares foram fornecidos pela Seal Tecnologia. A equipe identificou rotinas e estabeleceu políticas para colar etiquetas com código de barras nos materiais movimentados. Em dois meses, o piloto, que começou em outubro de 2008, já apresentava resultados satisfatórios com ganhos de agilidade na casa de 40% na movimentação de materiais.
Em janeiro, a infraestrutura de conectividade na planta foi ampliada. Quatro novos dispositivos de coleta foram colocados na produção. Graças a um pocket browser do handset, a Cromex conseguiu comunicação via internet entre o coletor e o ERP da SAP, que passou a espelhar as movimentações de materiais.
A implantação do projeto dividiu-se em duas fases: movimentação de matéria-prima e de produtos acabados. “Constatamos que houve agilidade em torno de 70% a 80%. Onde antes eu fazia uma operação de entrega, agora, chego a fazer duas. Os furos de estoque também diminuíram significativamente”, avalia. O sucesso na planta de São Paulo permitiu que a indústria levasse a tecnologia para sua unidade fabril localizada em Simões Filho (BA), que responde por 73% da produção. Como a planta no Nordeste é maior que a paulista, foram destinados sete acess points e seis coletores.
“Hoje, os operadores da Cromex concentram 100% da movimentação de matérias-primas nos coletores, reunindo dados como estoque e localização de produtos”, afirma Gilberto Pereira, coordenador de projetos de TI da indústria. A leitura mais precisa dos produtos eliminou o risco de destinação incorreta de componentes químicos que exigem cuidado no manuseio. A solução também deve reduzir margens de erros durante a realização do inventário.
Futuramente, os coletores devem substituir computadores utilizados no chão de fábrica e ganhar aplicações em outras áreas da indústria como manutenção e almoxarifado, por exemplo. O equipamento, para a unidade de São Paulo, consumiu R$ 40 mil em investimento. Outros R$ 70 mil destinaram-se ao projeto na planta da Bahia. Souza estima que o retorno sobre o investimento virá já no início de 2010.