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Cuidado com o descarte dos discos SSD

Até a publicação de um estudo realizado pela Universidade de San Diego, na Califórnia, poucos especialistas suspeitavam que livrar-se de dados em discos SSD seria uma tarefa mais complicada que em discos rígidos tradicionais. “Não acredito que alguma vez isso tenha sido estudado”, diz o tecnólogo em segurança de dados, Bruce Schneider. O estudo revelou […]

Publicado: 25/05/2026 às 23:05
Leitura
6 minutos
Cuidado com o descarte dos discos SSD
Construção civil — Foto: Reprodução

Até a publicação de um estudo realizado pela Universidade de
San Diego, na Califórnia, poucos especialistas suspeitavam que livrar-se de
dados em discos SSD seria uma tarefa mais complicada que em discos rígidos tradicionais.

“Não acredito que alguma vez isso tenha sido estudado”, diz
o tecnólogo em segurança de dados, Bruce Schneider.

O estudo revelou que livrar os discos SSD de todos os dados
gravados é uma tarefa praticamente impossível. Se, por um lado, sobrescrever
informações é uma maneira de apagar o contingente de dados antigo, um grupo de pesquisadores
encontrou alguns dados recuperáveis em determinados discos SSD, mesmo depois de
apagados.

De acordo com Ken Smith, gerente de marketing de produtos da
empresa fabricante de controladores de discos rígidos SandForce, uma maneira de
apagar por completo as informações de discos rígidos SSD é aplicar o que se
conhece por deleção criptográfica.

Esse procedimento implica em criptografar as informações em
um disco SSD de forma a possibilitar o acesso apenas pelo usuário que possui a
senha para decodificar os dados. Assim que o discos chega ao final de sua vida
útil, basta o usuário apagar a chave para decodificação armazenada no drive, o
que impossibilita o acesso aos dados gravados na mídia do tipo flash.

“A não ser que alguém consiga quebrar uma criptografia AES de
128 bits, não há como chegar às informações gravadas no disco, o que transforma
o disco em um dispositivo livre para ser usado novamente”, comemora Smith.

Em discos rígidos SSD da SandForce existe outra alternativa
para dar conta da deleção de informações. Batizada de Nand, essa forma de
apagar as informações procura em todas as LBAs (blocos de alocação de arquivos)
por informações gravadas e as apaga uma a uma. O processo pode levar mais que a
alternativa anterior. “Chega a levar alguns minutos”, diz Smith.

Apagar a chave para decodificação é um processo realizado
com base no comando SEU (Security rease Unit). Para um futuro próximo está
planejado o lançamento de um software seguindo as especificações ATA.

Ao executar o comando SEU, todos os LBAs do disco são
apagados da identificação de configuração do dispositivo. Além disso, a chave de
criptografia é destruída. o que deixa qualquer dado remanescente ilegível. O controlador
gera outra chave de criptografia de maneira automática, essa chave, porém, só
dará acesso aos dados gravados depois de sua geração.

“A eficiência desse procedimento depende da segurança do
tipo de criptografia utilizada e da capacidade do designer em desenvolver maneiras
de proteger contra ataques do tipo “side channel”, que possibilitam ao invasor
de sistemas, recuperar a chave para decodificar os dados.

O padrão de criptografia avançada AES é sucesso do método
antigo de codificação DES. O AES é usado por órgão governamentais dos EUA nas
modalidades 128 e 256 bits para proteção de arquivos secretos e ultrasecretos.

Ainda assim, apenas utilizar a criptografia de 128 bits AES
não é garantia de nada, sua maneira de implementação é bastante decisiva.

Essa importância é grande, em parte pelo fato de as pessoas
não gostarem de usar senhas longas suficiente para uma geração de chaves
eficiente. Se o usuário não determinar uma senha de 16 ou de 32 caracteres,
necessárias para as criptografias de 128 ou de 256 bits, respectivamente, todos
os caracteres faltantes viram zeros.

“Tal descuido transforma o processo de quebrar senhas em algo
muito mais fácil”, diz o diretor de gestão de conteúdo e de ameaças digitais do
IDC, Charles Kolodgy.

O executivo aconselha que os usuários criem fraseS em vez de
senhas. “A primeira tarefa é cuidar dos 90% de usuários que não se preocupam
com esses detalhes”, diz.

Par Schneier, mesmo que o disco venha com recurso de criptografia
nativo, não há como determinar a robustez do esquema de criptografia adotado
por um fornecedor. Normalmente, tal tecnologia implica em investimentos
significativos.

Para ele, a solução ideal é comprar drives de baixo custo e
lançar mão de softwares gratuitos para a criptografia. Entre esses programas,
Schneier menciona o TrueCrypt ou o PGPDisk.

O departamento de tecnologia da universidade de San Diego
concorda com a proposta de adotar a deleção da chave de criptografia como forma
de impossibilitar o acesso aos dados em discos SSD.

Em um documento denominado “Reliably
Erasing Data from Flash-Based Solid State Drives
” os
pesquisadores esclarecem que “todos os protocolos de deleção de informações por
sobrescrita falharam nos testes: entre 4% e 75% dos dados permaneciam nos
dispositivos SSD”.

O desempenho dos flash drives (pendrives)
também deixou a desejar. Entre 0,57% e 84,9% das informações nesses
dispositivos permaneciam nos drives, mesmo após terem sido sobrescritas.

Em outro ensaio, os cientistas tentaram sobrescrever os
espaços vazios dos discos e submeter os dispositivos a uma desfragmentação para
realocar os dados. Ainda assim, essa técnica se mostrou ineficiente. Em uma
dúzia de discos rígidos foram testados os recursos nativos de deleção. Como resultado,
apenas quatro desses drives se mostraram eficientemente apagados. Houve ocasiões
de discos rígidos SSD que, após o processo de formatação, ainda tinham todos os
dados recuperáveis.

A conclusão dos cientista é que a limpeza de discos rígidos
é uma tarefa mais simples que o suspeitado. Para usuários comuns, os discos apresentam
capacidade satisfatória de serem apagados. Já na perspectiva corporativa, usar
um degausser que emita um campo magnético forte, pode ser a solução para se
livrar dos dados em discos rígidos tradicionais.

Infelizmente, em se tratando de discos SSD, essas técnicas
não se aplicam.

A memória flash é formada PR páginas e por blocos. As informações
são gravadas em blocos de oito KB e as operações de deleção acontecem em blocos
de 2MB, também conhecidos por chunks.
Assim, qualquer processo de apagar dados compreende sempre conjuntos de 2MB de
dados.

“E alguns discos não apagam todas as informações”, alerta
Gregory Wong, analista da empresa Forward Insights.

Em alguns discos, algoritmos especiais dão conta de uma
distribuição uniforma de dados na memória, para poupar seções de memória mais usadas.
O problema nesse procedimento é que ele pode impedir a deleção de informações
por realocar blocos entre os períodos em que são gravados e sobrescritos.

Atualmente, o Instituto Nacional de Padrões em Tecnologia
dos EUA (o NIST), é pressionado pelos fabricantes de discos rígidos SSD no
sentido de redefinir alguns dos protocolos atualmente usados pelas forças
armadas norte-americanas para identificar os dispositivos passíveis de
criptografia e de deleção criptográfica, o que eliminaria a necessidade de apagar
o conteúdo das memórias flash.

“Mas isso não vai acontecer da noite para o dia. É normal
que a adoção de padrões seja um processo lento”, avisa Smith.

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