Por Rodrigo Gonçalves O ano de 2025 segue marcado por um novo capítulo no mercado de tecnologia: a onda persistente de demissões em massa. De acordo com levantamento da Business Insider, gigantes como Meta, Microsoft, Intel, Disney e Bumble anunciaram a redução de milhares de vagas. A justificativa tem sido recorrente: reestruturações internas, aumento do […]
Por Rodrigo Gonçalves
O ano de 2025 segue marcado por um novo capítulo no mercado de tecnologia: a onda persistente de demissões em massa. De acordo com levantamento da Business Insider, gigantes como Meta, Microsoft, Intel, Disney e Bumble anunciaram a redução de milhares de vagas. A justificativa tem sido recorrente: reestruturações internas, aumento do uso de inteligência artificial e foco em eficiência operacional.
Essas dispensas, no entanto, estão longe de representar uma redução na relevância do setor. Pelo contrário: indicam uma transição de modelo. O que está mudando é o perfil dos profissionais que as empresas desejam reter.
Durante décadas, o papel dos desenvolvedores foi quase exclusivamente técnico. Era comum que esses profissionais recebessem demandas já definidas por negócios e produto, atuando apenas como executores. Hoje, essa lógica está em xeque.
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Times de tecnologia que não entendem o usuário, o mercado e o produto deixam de gerar vantagem competitiva. A transformação é clara: os profissionais mais valorizados são aqueles que integram competências técnicas com visão estratégica e empatia com o cliente.
As habilidades mais exigidas para profissionais de tecnologia até 2025 incluem resolução de problemas complexos, pensamento crítico e colaboração interdisciplinar — todas fora do espectro puramente técnico. Essa é uma conclusão do estudo do World Economic Forum, mas que já é perceptível em espaços marcantes do mercado de trabalho. A McKinsey, em outro levantamento global, mostra que empresas com alta integração entre times de produto, tecnologia e negócio crescem até 2,3 vezes mais rápido que a média do mercado.
Essa nova dinâmica também influencia como as equipes são estruturadas. Em vez de divisões tradicionais e estanques, cresce o modelo de times multifuncionais, nos quais desenvolvedores atuam desde a concepção da solução até sua evolução contínua. Essa participação mais ativa demanda soft skills como escuta ativa, visão de negócio e protagonismo.
O que os cortes nas big techs revelam é que ser um bom programador não basta mais. O profissional que sobrevive — e cresce — nesse novo cenário é aquele que entende o impacto do que constrói e se posiciona como parceiro estratégico na geração de valor.
Para as empresas, a lição é clara: investir apenas em formação técnica é insuficiente. É preciso fomentar uma cultura de aprendizado contínuo, de troca com áreas de negócio e de imersão real nas dores dos usuários.
E para os desenvolvedores, uma verdade se impõe: quem não se aproxima do negócio, pode ser ultrapassado por quem entende código e contexto.
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