Benchmarks volta e meia são assunto aqui no ForumPCs. Eu mesmo escrevi há alguns meses sobre um novo tipo de benchmark “qualitativo” que a Intel introduziu no IDF de agosto do ano passado- IDF 2005 – Intel revoluciona Benchmarks . O assunto sempre é polêmico, pois os critérios de avaliação pessoal sempre divergem principalmente nas […]
Benchmarks volta e meia são assunto aqui no ForumPCs. Eu mesmo escrevi há alguns meses sobre um novo tipo de benchmark “qualitativo” que a Intel introduziu no IDF de agosto do ano passado-
IDF 2005 – Intel revoluciona Benchmarks . O assunto sempre é polêmico, pois os critérios de avaliação pessoal sempre divergem principalmente nas forma de medir desempenhos em tarefas individuais e na composição e peso dos componentes na hora de determinar um “índice” como, por exemplo, o Sysmark. Por isso que muitas pessoas gostam de programas específicos para medir desempenhos em áreas específicas. Nessa categoria se enquadra um dos grandes referenciais dos usuários aqui do ForumPCs e também de várias partes do mundo, o famoso SuperPI!!
[singlepic id=4453 w=320 h=240 float=]
Resumidamente, para quem não conhece o SuperPI, ele é um programa que permite calcular o número irracional PI com quantidade incrivelmente grande de casas decimais, de 16 mil a 32 milhões. São usados fundamentos matemáticos complexos como as “Séries de Fourrier” para obter o resultado e também muuuuuuuuuuuuuuuuuuito esforço computacional. Por isso para medir somente a capacidade de efetuar com brilhantismo cálculos matemáticos é uma ferramenta muito usada e prestigiada. Sites de hardware no mundo todo realizam disputas entre configurações e usam este singelo teste como uma das formas de comparação, bem como os animados “overclockers’. Recentemente aqui mesmo no ForumPCs havia uma notícia sobre alguém que conseguira calcular PI com 1 milhões de casas decimais em menos de 16 segundos – Yonah overclocado bate recorde mundial no SuperPI .
Mas isso tudo não chega a ser novidade para os leitores do Fórum. O que me motivou a escrever esta coluna foi a incrível história que vivenciei em uma empresa por conta desta simples ferramenta. Tudo começou com o crescimento do número de usuários de um sistema de gestão de pedidos da empresa, bem como o crescimento do número de transações que fez o tamanho da base de dados quase dobrar a cada ano. O “velho” servidor DELL bi-processado (Pentium III com 2 Gbytes de RAM) de anos atrás já não conseguia mastigar o número suficiente de transações por segundo. Eu no papel de consultor sugeri que já era hora mesmo de trocar o servidor (que já fora ampliado em RAM e acrescentado um processador a há tempos atrás). O gerente de informática da referida empresa tomou para si a tarefa de especificar a nova máquina. E que máquina! Mesmo não sendo o”super top” de linha, a máquina nova era super respeitável, um Xeon HT biprocessado (4 threads por conta do HT) de 3.00 Ghz e 8 Gbytes de RAM. Qualquer SQL Server iria adorar essa máquina! E assim foi feito, a referida máquina foi comprada.
Depois de instalada um belo dia o dono da empresa, que é um grande curioso por assuntos de informática resolveu aparecer para ver a “belezura”. Ele trazia consigo seu novo notebook Centrino 1.73 Ghz. Por azar, neste dia eu tinha mostrado para o gerente de informática o SuperPI como um simples exemplo de benchmark. Ele se aproveitou da nova ferramenta e quis fazer bonito:
“Vou lhe mostrar como este novo servidor é poderoso com os seus 2 processadores, memória, HT e tal (dizendo para seu chefe, o dono da empresa)”.
Eu percebi o que ele estava querendo fazer e já comecei a sentir um “cheiro ruim” no ar!!! Ele aplicou o teste do SuperPI e calculou PI no notebook do chefe (aquele Centrino Pentium M de 1.73 Ghz) e obteve o resultado de 54 segundos.
“Agora vamos ver o nosso servidor novo, a surra que vai dar no seu notebook”-seguia animado o gerente de informática.
Eu pressenti que a catástrofe que estava por acontecer. Eu tentei evitar, mas o gerente de informática estava tão confiante e falante que não consegui interrompê-lo. Não fiquei nada surpreso quando o resultado do SuperPI aplicado ao Super Xeon biprocessado HT 3.0 ghz e 8 Gbytes de RAM acusou 1minuto e 10 segundos, cerca de 15 segundos mais lento que o Pentium-M, sendo quase 35% “mais devagar” que o mesmo!!
O dono da empresa quase teve um ataque!!
“Como posso ter gasto milhares e milhares de reais em uma máquina que deveria ser rápida de verdade e é muito pior que o meu próprio notebook!! Você é um incompetente (referindo-se ao gerente de informática)!!. VOCÊ ESTÁ DEMITIDO!!!!”
Finalmente nessa hora eu consegui intervir explicar algumas coisas. O clima já tinha esquentado demais àquela altura! Foi usado o “termômetro errado” para medir as coisas. São arquiteturas diferentes, máquinas com finalidades diferentes!! A começar pelo Pentium M (Centrino) que com seus 2 Mbytes de cache L2 provavelmente roda o SuperPI integralmente no cache enquanto o Xeon com 512 Kbytes ou 1 Mbyte de cache (ainda não era o Xeon com 2 Mbytes de cache) não usufrui deste benefício. Alem disso de nada servem os 8 Gbytes de RAM e as 4 “threads” do servidor Xeon (2 processadores com HT) uma vez que o SuperPI não se utiliza de processamento paralelo (coisa que o banco de dados SQL Server faz e faz muito bem). Estas são só algumas das justificativas. Convido os leitores do ForumPCs a enumerarem algumas outras diferenças. Mas o fato concreto e real é que não fosse a minha oportuna intervenção o gerente de informática teria sido demitido sumariamente naquela mesma hora pelo dono da empresa por causa do SuperPI!!!