Sei que muitos vão estranhar essa coluna, mas reflete um pensamento que vem me acompanhando há algum tempo e que nessa semana ficou mais latente. Aos que ainda não conhecem minha história com informática, será preciso voltar uns 4 anos atrás e analisar as motivações que me levaram a escrever em uma revista de informática […]
Sei que muitos vão estranhar essa coluna, mas reflete um pensamento que vem me acompanhando há algum tempo e que nessa semana ficou mais latente. Aos que ainda não conhecem minha história com informática, será preciso voltar uns 4 anos atrás e analisar as motivações que me levaram a escrever em uma revista de informática pela primeira vez.

Naquela época pouco se falava de overclock, aliás, quem fazia isso era tratado como maluco que gostava de destruir equipamentos (era o que se dizia na época). Fui o primeiro no Brasil a tratar desse assunto com seriedade, mostrando o que estava acontecendo lá fora e trazendo para o nosso dia a dia as técnicas e opções de placas mãe, processadores e memórias que permitiam algo mais do que aquilo que se vendia no Brasil. Cheguei a escrever um livro sobre o tema, o conhecido “Overclock Seguro”.
Lembro-me de uma edição da PC Extreme onde testei 17 placas mãe diferentes para Athlon e realmente havia gritantes diferenças entre elas, desde uma Iwill XP333-R que radicalizava em recursos e capacidade de overclock até placas bem modestas, passando por algumas com problemas de projeto como uma FIC que avaliei naquela edição. Fazia sentido esse tipo de teste porque de fato era muito difícil escolher uma boa placa mãe e existiam placas com características muito diferentes uma das outras, embora os preços fossem até próximos. E o mais importante, haviam placas realmente ruins….
Hoje a coisa mudou completamente, se você pegar umas 10 placas mãe diferentes para Athlon64 soquete 939, verá que o desempenho é muito parecido, e que as características técnicas de cada uma delas, especialmente entre aquelas que usam o mesmo chipset, é basicamente a mesma. Hoje é muito difícil encontrar uma placa ruim entre os grandes fabricantes que sobraram nesse mercado feroz, e qualquer placa faz um ao menos um overclock moderado, até mesmo as originais da Intel (a função na bios chama-se Burn In) que sempre foram “caretas”, voltadas exclusivamente para a confiabilidade. Qualquer processador faz ao menos uns 10% de overclock com boa segurança, isso significa variar o FSB de 200 MHz para 220 MHz, o que a maioria das memórias também suporta. Definitivamente acabou a “arte” por trás dessa técnica, pelo menos para a grande maioria dos usuários que “fazem overclock”.Hoje isso é tão banal que algumas placas (MSI, por exemplo) já trazem uma função pronta pra isso.
Sempre haverá aqueles que buscam recordes, e que investem em equipamentos caros com o objetivo de se divertir e pesquisar sobre overclock, mas esses são apenas uma barulhenta minoria, mas de fato uma minoria.
No passado, e eu cheguei a fazer matérias imensas sobre o tema em revistas, falávamos de coolers de alta performance e watercoolers. Produtos exóticos necessários para se obter um bom overclock, por causa do crescente aumento de consumo e dissipação térmica dos processadores. Falávamos de fontes de alta potência pelo mesmo motivo, me lembro quando a primeira Thermaltake de 420W com PFC chegou ao Brasil ao custo de 600 reais cada, e logo em seguida estava nas páginas da PC EXTREME, pois eram as únicas alternativas frente às genéricas ordinárias.

Hoje as fontes de boa qualidade custam pouco, menos de 180 reais para os modelos abaixo de 420W. Coolers deixaram de ser importantes quando os próprios coolers BOX melhoraram significativamente-os processadores AMD na época chegavam ao Brasil só em OEM, era necessário comprar um cooler avulso. Atualmente quase todos os processadores são vendidos em BOX, com coolers bastante adequados para os 10% de overclock que a maioria gosta de fazer. Sim, colocar um Athlon64 “Venice” operando entre 2400 e 2600 MHz não é nenhum ato de heroísmo, o investimento necessário é muito pequeno comparado ao que se gastava para fazer um Athlon 750 MHz ultrapassar 1000 MHz, ou mesmo um Athlon da série “AXIAR” 1400MHz passar de 1500 MHz com seus absurdos (para a época) 72 watts de dissipação. Queimei várias fontes fazendo isso.
Como tudo que se populariza, overclock, placas mãe especiais, coolers exóticos, tudo isso deixou de ser interessante. Lendo alguns artigos sobre as placas com chipset nForce4 para AMD, comparando vários modelos, a conclusão é sempre a mesma: essas placas são praticamente iguais em performance e overclock, pouco importando o fabricante. É obvio que algumas ainda se destacam, mas o fazem em um limite muito alto que poucos usuários ousam atingir. Para a grande massa, os 10 ou 20% de overclock estão garantidos pelas placas.

Sobre o uso de placas de vídeo duplas, a minha opinião está expressa na coluna SLI vs Crossfire, ou abobrinha?
Caminhamos para um mundo de baixo consumo, de simplificação de produtos, de processamento múltiplo e de baixo preço. Vamos viver nos próximos anos uma mudança no formato do PC, na gradual transformação dele em um eletrodoméstico como um DVD Player ou em um PC mais integrado. A grande novidade agora está no software, na facilidade de uso, na especialização desses equipamentos para uma atividade especifica. Sua casa tende a ter vários desses, um ligado à TV, outro ao som, um só pra jogar (consoles) e um “server” que nada mais é do que uma versão mais especializada do seu PC atual, e todos vão se falar por rede sem fio, com uma interface bem amigável.
Uma prova disso é o recente artigo publicado no x-bitlabs, com o título de Performance Monsters from AMD: Dual-Core CPUs in a Dual-Processor Workstation que em outras épocas fariam qualquer um suspirar de desejo, mas hoje, na conclusão do texto, o autor fala em frustração e tristeza, pois a tal máquina com dois processadores duplos não consegue tirar proveito da sua brutal capacidade computacional por absoluta falta de softwares otimizados para tal.

E tem gente que comprou o Athlon64 há dois anos atrás apostando nos sistemas de 64 bits e na nova geração de aplicativos para desktops. Sugiro puxar uma cadeira, pegar uma cervejinha de um punhado de amendoins e esperar…