Sistema apresenta menor custo e complexidade que BI tradicional
Em meados de 2003, Ruy Casale, CIO da Dixie Toga, fabricante de embalagens, com atuação no Brasil, na Argentina e no Chile, recebeu uma demanda vinda do presidente da companhia: conseguir informações consistentes sobre todas as áreas da empresa. ?Precisávamos trabalhar melhor a questão da informação?, reconhece. A saída encontrada foi a implementação de uma solução de business intelligence (BI). No caso da Dixie Toga, ex-multinacional brasileira, comprada, em janeiro de 2005, pela norte-americana Bemis, também fabricante de embalagens, o objetivo era gerar informações para a tomada de decisão pela alta cúpula da companhia. ?Antes mesmo da compra pela Bimes, nós já pensávamos sobre BI. Mas a Dixie tem um perfil low profile em relação a investimentos em TI e uma solução desta varia na casa dos milhares de dólares?, explica Casale.
Na busca por uma ferramenta de BI adequada ao perfil da companhia, Casale acabou optando pela solução de slice management Power Decision, da DoSoft. O CIO explica que começou com um pacote pequeno para mostrar à empresa que era possível tratar informação a um baixo custo. O investimento inicial não chegou a R$ 40 mil.
Se comparado com o BI tradicional, ambas possuem a mesma funcionalidade. A diferença, de acordo com o fabricante, encontra-se em questões como custo, demora e complexidade na implementação, além da exclusão de áreas que não são o núcleo de negócios da empresa e são supridas pela ferramenta. ?Não é preciso ter um banco de dados multidimensional ou proprietário. Com o conceito de slice você trabalha com aquele que a empresa usa como padrão, além disso, funciona mesmo se a empresa tiver outro BI?, explica Marcos Taccola, diretor de tecnologia da DoSoft.
Apesar de a Bemis utilizar o BI da Cognos, a Dixie não teve de seguir a regra. Casale comenta que muitas multinacionais têm por obrigação da matriz trabalhar com um grande BI de mercado. ?Quando o representante da Bemis veio ao País e conheceu o nosso sistema, ele ficou muito impressionado com a quantidade de informações que constavam e a rapidez com que o programa encontrava o que era preciso?, lembra o executivo. A Dixie tem um faturamento anual de US$ 500 milhões e conta com 3,5 mil funcionários, sendo que 1,3 mil possuem computadores. Já a Bemis fatura cerca de US$ 5 bilhões e possui em torno de 15 mil empregados.
Por estar baseada em um conceito de unidades de negócio, o que traz independência para cada área gerir seus sistemas, a Dixie encontrava alguns problemas de confiabilidade e consolidação de dados. Em algumas reuniões, por exemplos, as informações apresentadas eram, por vezes, distintas. ?O presidente mostrava um dado e o diretor da unidade um outro totalmente oposto. Por serem extraídos de fontes diferentes, demorava-se muito para equalizar todas as informações?. Casale conta que com as fusões e aquisições realizadas pela companhia, ao longo do tempo, havia muitos sistemas legados, o que também dificultava na consolidação dos dados.
A implementação foi bem rápida. Da apresentação do produto até a geração da primeira visão (um grupo de informações que pode ser visualizado por diversas dimensões, também chamado de ?cubo? ou ?data mart?) levou três semanas. Em um período de três meses, segundo o CIO, já havia seis visões. Depois de seis meses, foi possível verificar que a grande maioria delas tinha sérios problemas de confiabilidade de informações. ?No conceito de BI, se você joga lixo no banco de dados, vai tirar lixo de lá?, profetiza. ?Mas colocamos muita porcaria logo no começo?, lamenta. Este foi o ponto de partida para a revisão de processos da empresa. ?Padronizamos as mesmas operações em todas as unidades, de forma a ter as informações equalizadas para poder jogar no banco de dados, conseguindo a confiabilidade desejada?, explica o executivo.
Casale comemora os resultados obtidos nos últimos três anos. Ele destaca a agilidade na apresentação e no fechamento de resultados e as inúmeras visões desenvolvidas em todas as áreas da empresa. ?É uma grande vantagem poder desenvolvê-las assim que surge a necessidade por toda a companhia?. O problema do BI tradicional, segundo o CIO, é que ele é muito caro, tendo de ser um projeto corporativo pra se justificar, o que dificulta a criação de visões em áreas que não são o core business da corporação. ?Às vezes, não é o momento de algumas áreas investirem nisto. Esse modelo não gera sinergia. Nós temos recursos próprios pra desenvolver visões pra empresa toda, são dois profissionais deslocados para tal. Já tem até uma fila?, finaliza.