Operadora de telecomunicações estava à venda há quatro anos por desinteresse dos sócios estrangeiros pelo mercado brasileiro.
A Intelig foi vendida, depois de colocada oficialmente à venda há
mais de quatro anos pelos sócios National Grid, France Telecom e
Sprint. A aquisição, de valor ainda não revelado, coloca a Docas
Investimentos, do empresário Nelson Tanure, no setor de
telecomunicações brasileiro.
A operadora foi a vencedora da dimensão ‘Orgulho’ na publicação
Melhores Empresas para Trabalhar do setor de TI e Telecom do ano de
2007, elaborada pelo IDG em parceria com o Great Place to Works.
A companhia de investimentos já participa hoje de empresas de mídia
como a Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil, mas não tinha participação
em empresas de telefonia. Segundo comunicado distribuído ao mercado de
capitais, no dia 14 de janeiro a Docas Investimentos S.A. “celebrou
acordo pelo qual adquiriu uma participação no capital da Intelig
Telecomunicações Ltda., operadora de telecomunicações com destacada
atuação no Brasil”.
A operação envolve um intrincado processo societário. De acordo com
o comunicado, na data da transferência da titularidade das ações das
vendedoras para a compradora, a SN Holdings LLC (empresa do Grupo
Sprint Nextel) e a FTP Holdco 2 LLC (empresa do Grupo France Telecom)
deterão, em conjunto 100% das quotas do capital da Telecom Entity
Participações Ltda., que pertencem à France Telecom (50%) e à Sprint
(50%).
A Telecom Entity Participações Ltda., por sua vez, em conjunto com a
Botofoga Limited, deterá a totalidade das quotas do capital da JVCo
Participações Ltda. Do seu lado, a JVCo Participações Ltda. detém a
totalidade, menos uma, das quotas do capital da Holdco Participações
Ltda., que é titular da totalidade, menos uma, das quotas do capital da
Intelig Telecomunicações Ltda. (Intelig Telecom).
A Docas Investimentos detém a totalidade das ações da Phidias S.A.,
e com esta empresa controla a totalidade do capital da Docas
Internacional Limited., empresa dona da holding que fará a compra da
Intelig, que é a Premium Securities Management Limited, que será
transformada em fundo de investimento privado.
Segundo a nota, com a aquisição, “a Docas Investimentos S.A. inicia
uma nova fase – a da incorporação de uma moderna empresa de
telecomunicações. Abrem-se, assim, oportunidades para convergência de
mídias que, no mundo globalizado, agregam valor a empresas do setor e
enriquecem as opções de consumo e cidadania digital”, disse a empresa.
A operação, no entanto, ainda está sujeita à aprovação da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade).
Operação independente
Desde que foi colocada à
venda, a companhia adotou um modelo de gestão compartilhada, sem a
figura de um presidente, comandada por um grupo de três gerentes
delegados. Ela também deixou, naquele momento, de receber qualquer tipo
de ajuda ou aporte dos sócios. Procurada, a Intelig ainda não colocou
nenhum porta-voz para dar entrevistas sobre a notícia.
Segundo reportagem do jornal Gazeta Mercantil, que é também
controlado pelo empresário Nelson Tanure, a rede da Intelig envolve 500
mil quilômetros de fibras próprias e de terceiros em todo o Brasil, com
uma infra-estrutura que envolve oito estações de satélite. A Intelig tem capital fechado,
mas, segundo o jornal, tem 600 funcionários e um faturamento anual de
700 milhões de reais.