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Eficiência como estratégia: a nova base da competitividade nos negócios

Por Bruno Leal Magalhães e Alberto Ribeiro Nos últimos anos, empresas brasileiras investiram fortemente em agendas de inovação, ESG, diversidade e transformação cultural. O ambiente econômico mais favorável, somado à pressão de investidores e consumidores, criou o cenário ideal para iniciativas ousadas — e os resultados vieram. Organizações mais diversas, digitais e sustentáveis demonstraram maior […]

Publicado: 27/03/2026 às 15:18
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5 minutos
Eficiência como estratégia: a nova base da competitividade nos negócios
Construção civil — Foto: Reprodução

Por Bruno Leal Magalhães e Alberto Ribeiro

Nos últimos anos, empresas brasileiras investiram fortemente em agendas de inovação, ESG, diversidade e transformação cultural. O ambiente econômico mais favorável, somado à pressão de investidores e consumidores, criou o cenário ideal para iniciativas ousadas — e os resultados vieram. Organizações mais diversas, digitais e sustentáveis demonstraram maior resiliência e atraíram capital, talentos e confiança.

Mas os ventos mudaram. Com a taxa Selic a 15% ao ano, crescimento projetado abaixo de 2% (Boletim Focus) e o endividamento das famílias chegando a 78% em abril de 2025 (Banco Central), a pressão por eficiência voltou ao centro da mesa — não por nostalgia, mas por sobrevivência. Empresas precisam fazer mais com menos: entregar valor real, reduzir desperdícios e operar com inteligência. A eficiência de custos, que por um tempo pareceu obsoleta, retorna como critério de permanência no jogo.

Essa reorientação já é visível: 70% das empresas no Brasil iniciaram programas formais de revisão de custos e produtividade em 2024 (CNI). Mais de três quartos das organizações na América Latina já adotaram projetos com IA generativa, sendo que 43% delas destinaram orçamento específico para iniciativas de transformação operacional, segundo dados da NTT DATA.

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No entanto, diferentemente de ciclos anteriores, o momento exige mais do que cortes pontuais ou contenção de despesas. Trata-se de uma transformação profunda e estrutural: redesenhar processos, reorganizar estruturas, automatizar com inteligência, reaproveitar talentos e colocar a tecnologia no centro da entrega de valor. A eficiência precisa evoluir de uma prática emergencial para uma competência organizacional contínua.

A seguir, seguem sete pilares estratégicos que estão guiando as empresas mais bem-sucedidas na construção de operações mais enxutas, inteligentes e sustentáveis:

  1. Reorganização de portfólio com foco no core
    Rever produtos, serviços e canais com base no valor real gerado, e não apenas na receita bruta. A simplificação reduz complexidade, sobrecarga e custos indiretos — e libera capital e foco para o que realmente importa.
  2. Redesenho organizacional orientado à entrega de valor
    Eliminar camadas intermediárias e funções redundantes. Organizações eficientes operam com menos coordenação e mais execução, estruturadas em torno de jornadas do cliente e fluxos de trabalho completos.
  3. Automação inteligente com foco em valor real
    Automatizar o que deve ser automatizado, mas só depois de eliminar o que não precisa mais existir. A combinação de RPA, IA generativa e machine learning gera ganhos significativos — com reduções de até 30% em custos operacionais em áreas como finanças, atendimento e jurídico. O objetivo não é substituir pessoas, mas liberar talentos para atividades mais estratégicas.
  4. Gestão orientada a dados e analytics operacional
    Decisões precisam ser baseadas em dados atualizados, confiáveis e compartilhados entre áreas. Com governança robusta e uso de analytics preditivo, é possível antecipar problemas e agir preventivamente. Empresas maduras em analytics reduziram em até 20% os incidentes inesperados e aumentaram sua eficiência geral em 15%, segundo estudo da NTT DATA.
  5. Smart CAPEX e disciplina sobre retorno de capital
    O investimento produtivo voltou à pauta — mas com um novo critério: impacto real e sustentável. ROI, payback e potencial de escala são analisados com mais rigor. Iniciativas que melhoram a experiência do cliente ou fortalecem a diferenciação estratégica ganham prioridade, mesmo com retornos marginais.
  6. Cultura de produtividade e melhoria contínua
    A eficiência precisa estar no DNA da organização. Isso se traduz em metas operacionais claras, ciclos curtos de revisão e responsabilização por entregas. A disciplina na execução deve caminhar ao lado da inovação e do bem-estar — não como opostos, mas como forças complementares.
  7. Redes colaborativas para eficiência escalável
    Parcerias com especialistas que operam com tecnologia, escala e metas compartilhadas. Não se trata apenas de terceirizar, mas de redesenhar a operação com foco em valor gerado, transformando custos fixos em variáveis e acelerando a digitalização com controle.

Mais do que uma reação a um cenário adverso, o que está em curso é uma inflexão estratégica. A eficiência deixa de ser um freio e passa a ser vetor de ambição com responsabilidade. Crescer, sim — mas com lucidez, precisão na alocação de capital e inteligência operacional.

Essa reprogramação das empresas não é opcional. O mercado já não perdoa estruturas lentas, processos redundantes ou desperdício mascarado de inovação. Quem entender isso cedo terá mais chances de prosperar no ciclo seguinte. Porque o que está em jogo não é apenas cortar custos — é construir uma nova lógica de operação: mais adaptável, mais inteligente, e capaz de sustentar o crescimento mesmo em tempos desafiadores.

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