Essa semana está acontecendo a Computex em Taiwan, país que sofre com surtos de gripe aviária atualmente, e ao mesmo tempo estamos vivendo um momento de instabilidade econômica mundial, com as bolsas e as moedas oscilando fortemente com os sinais de que o mais longo período de crescimento econômico mundial, especialmente o dos EUA, esteja […]
Essa semana está acontecendo a Computex em Taiwan, país que sofre com surtos de gripe aviária atualmente, e ao mesmo tempo estamos vivendo um momento de instabilidade econômica mundial, com as bolsas e as moedas oscilando fortemente com os sinais de que o mais longo período de crescimento econômico mundial, especialmente o dos EUA, esteja chegando ao fim. O Irã preocupa e deve preocupar ainda mais nos próximos anos, o petróleo já está na casa dos 75 dólares o barril e mesmo os analistas mais otimistas acreditam que dificilmente ficará abaixo da marca de 50 dólares, mesmo depois das turbulências.
Só para acentuar a gravidade da situação do petróleo, nas crises anteriores, especialmente a dos anos 70 o petróleo chegou “às alturas” ao preço de 34 dólares o barril, vindo de um preço médio de 13 dólares entre o período de 73 a 79 e menos de 3 dólares antes disso. Hoje o patamar é muito mais alto e especialistas acreditam que deva chegar a 105 dólares o barril nos próximos anos, até porque 50% das reservas mundiais de petróleo descobertas já foram consumidas (43% delas até 1990) e que não há dados nos cenários previsíveis que justifiquem um petróleo barato.
Energias renováveis dependem do clima, seja a energia oriunda da água (hidroelétrica), dos ventos (eólica), do sol (solar), etc. E vocês têm visto o que tem acontecido com o clima nos últimos anos e efeitos causados essencialmente por causa do aumento da poluição mundial e dos gases da queima de combustíveis fósseis. Justamente esses, que agora estão muito caros e raros. Será uma ironia do destino se ao fim da era do petróleo nosso clima estiver tão destruído ao ponto de impedir seu uso em energia renovável…
A economia de energia é a nova moda entre os processadores e chipsets, uma preocupação recente e que permeia por todos os fabricantes. Imagine em um DataCenter com centenas (ou milhares) de computadores qual o tamanho da economia energética se cada um desses computadores consumirem a metade do que é consumido por um modelo atual. Some a esse cálculo a redução do gasto de energia com ar condicionado e sistemas de refrigeração, já que alto consumo elétrico se traduz em maior calor dissipado, e vocês já tem um quadro razoável da importância de um menor consumo.
Notebooks e handhelds então, nem se fala. Quanto menos consomem, mais suas baterias duram e menor o seu peso (em relação ao tamanho da bateria). Então está claro que todo mundo quer consumir menos, gastar menos energia, e com isso salvar o planeta(…).
Mas a Microsoft com seu AeroGlass, a nova interface visual do Windows Vista, afirmou que os novos recursos gráficos vão consumir mais energia, e que não há muito mais a fazer para melhorar esse ponto. Para piorar a situação a indústria de computadores está vivendo sua maior crise, com significativas quedas nas vendas (em valores monetários e em unidades) em relação aos anos anteriores. Mais um sinal de que a exuberância da economia mundial está perto do fim. A estimativa é de crescimento ZERO na venda de componentes, com provável decréscimo nos próximos anos.
Para resolver essa equação é necessário computadores mais simples, baratos e econômicos, se possível rodando sistemas operacionais de baixo consumo e alta integração com serviços de dados diversos (WiFi, GPRS, etc).
Na contramão do bom senso, as empresas de chips gráficos (ATI e nVidia) continuam lançando produtos cada vez mais exóticos, como a nova Geforce 7950 GX2, nada mais do que duas placas 7900 acopladas em um único slot com 1 GB de memória. Alguns engenheiros já disseram que em breve as placas gráficas de alto desempenho estarão consumindo perto de 300 watts de potência, e vão requerer fontes ATX de 1000w a 1200w.
A Intel anunciou semana passada que irá vender parte de suas empresas e/ou unidades de negócios, e dentre as que já foram divulgadas está a unidade de Networking (componentes de rede com fio, a principio as unidades WiMax e WiFi permanecem) e a dos processadores Xscale lideres no segmento de Handhelds (mais conhecidos como Palms). Surpreendentemente, embora muito reconhecidos no mercado, essas duas unidades não davam lucro, e apresentavam um faturamento muito baixo para os padrões da Intel. A idéia é focar no setor de processadores, chipsets e redes sem fio, sem esquecer do segmento de chips gráficos onboard onde, por sinal, a Intel é líder.
Nesse ambiente confuso e dinâmico, surgem boatos de que a AMD estaria comprando ou se fundindo com a ATI. O que era visto com certa descrença por alguns hoje já parece ser algo dado como certo, segundo as opiniões de alguns especialistas. E a razão é simples: todo computador precisa de um chip gráfico e de um chipset, e as vantagens de se incorporar essas tecnologias em um único chip são evidentes. A Intel já tem os três componentes em sua linha de produção e já mostrou protótipos de pastilhas com todas as peças incorporadas, minimizando o tamanho do computador. A AMD não tinha nada nessa linha, e para continuar no mercado nos próximos anos terá que integrar em seus produtos alguns desses componentes. É a busca pelo PC barato que dita esse movimento estratégico.
Entre contratar uma equipe de desenvolvimento totalmente nova e desenvolver novas patentes para seus produtos, ou simplesmente comprar uma empresa que já funciona, tem suas próprias patentes e é a número dois no segmento de notebooks (um mercado hoje muito mais importante do que o de PCs desktops), como é o caso da ATI, parece que a segunda opção faz mais sentido. Há quem questione se a AMD tem dinheiro para isso, mas não vou entrar nesse mérito agora.
O fato é que com essa fusão, a AMD teria processadores, chipsets (ótimos por sinal) e GPUs (Graphics Processors Units, ou processadores gráficos)de primeira linha para concorrer em um mercado de baixo consumo, alta integração, e preços cada vez mais baixos.
O fato da Intel vender a unidade do XScale me parece em um primeiro momento algo positivo. Em função da nova tecnologia adotada no Meron/Conroe/Woodcrest a Intel já havia divulgado planos de ter processadores com dissipação menor do que 5 watts, e em alguns casos de apenas 0.5 watts (meio watt). Quando esses produtos chegarem, o XScale perderá sua razão de ser, já que um Palm nunca teve a pretensão se ser um PC completo, com toda a sua funcionalidade. Um processador derivado do Meron tem todos os recursos para um PC de mão.
Alias, um Palm custa hoje o mesmo do que um desktop completo, com monitor, teclado e mouse, e apenas 30% menos do que o preço de um notebook básico. Apesar de sua utilidade, não é difícil perceber que seu preço é alto demais para o que se propõe.
Quanto aos jogos, os últimos lançamentos de placas de vídeo já me convenceram que a indústria de games vai mesmo migrar para os consoles, sejam eles Playstation, XBox ou o novo Wii da Nintendo. As placas de vídeo mais novas, como a Geforce 7950 GX2 custam bem mais do que esses consoles, e se apresentam uma performance muito superior, ela é super dimensionada para os jogos atuais (geralmente é assim, os jogos só atingem o limite as placas topo de linha de um determinado lançamento depois de 1 ou 2 anos). Em um ambiente de baixo consumo, os PCs deixam de ser a melhor plataforma para jogos, e os consoles multifuncionais combinados com as TVs digitais de alta resolução conectada aos home theaters mais comuns vão trazer uma experiência nova aos jogadores.
É obvio que ainda vai ter gente jogando em PCs, da mesma forma que ainda tem gente fazendo Hot Rods na Califórnia, e quem faz tunning em carros esporte mais modernos os tornando no mínimo “ilegais” para a legislação vigente. É para esses que essas placas de vídeo monstruosas e suas fontes de 1000 watts são feitas. Um pequeno nicho de entusiastas.
Mas nada disso importa, o que importa mesmo é que essa semana começa a copa do mundo!
Pra frente Brasil!!!
