Com mais de 20 anos na área de tecnologia do setor hospitalar, Margareth de Ortiz Carmargo comanda a TI do Hospital Sírio-Libanês
IWB ? O que é o Siga?
Maggie ? Ele veio do Ministério. Baseado em software livre,
informatizou 500 Unidades Básicas de Saúde. Está em código aberto,
totalmente livre.
IWB ? Quando você entrou, o projeto de melhoria da TI já estava em andamento, como foi?
Maggie ? Não foi fácil. Se bem que eu teria feito a mesma escolha
do software. A equipe ajudou muito, é muito boa, gente que gosta do que
faz, que está aqui há dez anos. Vim a convite do dr. [Antônio Carlos
Onofre de] Lira, que é o nosso diretor-técnico. Ele é médico, mas tem
uma carreira em informática. Entrou para assumir a diretoria de
tecnologia, só que deu tão certo que ele hoje é o número um do
hospital, abaixo do nosso presidente. Então, ele abraçou logo a outra
careira e me trouxe; tínhamos trabalhado juntos já.
IWB ? Em hospitais, a TI precisa olhar não somente para a parte de
back office, como também para a inovação tecnológica para a saúde. De
que forma a sua experiência ajuda?
Maggie ? É importante entender que na área pública há bastante
tecnologia, mas sem muita liberação de verba. Então, é um exercício que
você leva para a vida toda: conseguir fazer muito com pouco. Em uma
instituição como o Sírio, que tem uma vontade enorme de investir em
tecnologia, não acho tão difícil chegar aonde eles querem. É preciso
saber aonde se quer chegar; e temos isto claro. A TI participa do
comitê executivo e, hoje, é um ponto estratégico. A maioria do nosso
comitê é médico e discutimos todo e qualquer movimento na instituição.
Então, além de acompanhá-lo, temos de antecipá-lo.
IWB ? Aonde o Sírio quer chegar?
Maggie ? Nós queremos chegar a uma prescrição eletrônica com
assinatura digital. Mas não é uma realidade de 2008, eu acho que é para
2012, só que tenho de pensar nisto agora.
IWB ? Todos os hospitais vão caminhar para isso?
Maggie ? Sim, vamos começar com os médicos tendo assinatura digital, mas daqui a pouco o paciente terá.
IWB ? Os médicos mostram-se resistentes à tecnologia?
Maggie ? Há o perfil do médico que adora tecnologia, nós temos
muitos deles aqui, que não querem fazer nada sem a tecnologia, e eles
são os nossos grandes incentivadores. Mas eu diria que 70% deles ainda
não estão totalmente confortáveis com a tecnologia.
IWB ? Agora tem uma geração que vai entrar do corpo médico chamada
de geração Y (leia mais na página 18). Ela representará uma quebra
desta barreira de tecnologia?
Maggie ? Há 20 anos, tínhamos muitos problemas para informatizar.
Daí eu pensava que, quando as pessoas com a idade dos meus filhos, que
eram pequenininhos na época, estivessem formados, nós teríamos um outro
movimento. Vinte anos se passaram, eles já estão formados, e não mudou
tanto. Enquanto eles não se sentirem totalmente confortáveis e seguros,
achando que aquilo vai otimizar o tempo deles, não vão ?embarcar?.
Hoje, estamos em uma época de semear. O que eu quero dizer com isso? O
médico faz uma prescrição eletrônica, que é uma evolução. A partir do
momento em que eu implanto uma solução para isto, como a que estamos
implantando agora em 2008.
IWB ? Qual é o marco para este ano do projeto de modernização da TI?
Maggie ? Será o ano assistencial, todos os nossos projetos estão
indo neste sentido, com o robô, a prescrição. E as informações médicas
estão todas integradas.
IWB ? É um pouco do prontuário único?
Maggie ? Exatamente. Vamos chegar ao prontuário único do paciente
dentro do Sírio. E espero evoluírmos para termos o prontuário único do
País.
IWB ? Como garantir que o meu prontuário só será visto por quem eu autorizei?
Maggie ? É aí que entra a tecnologia, a segurança da informação,
o acesso restrito. Uma hora ou outra, teremos de ter um registro único
de pessoas neste País, com as bases de dados conversando e um número do
paciente.
IWB ? como tem nos Estados Unidos?
Maggie ? É, mas isto o Serra [José Serra, atual governador de São
Paulo] tinha feito com o Cartão Nacional de Saúde. Virou na cidade de
São Paulo, que tem 13 milhões de pessoas na base de dados.
IWB ? Você falou que este é o ano assistencial, o que isso significa?
Maggie ? Nós estamos registrando no sistema a prescrição, a
administração eletrônica de medicamentos e tudo o que é feito para o
paciente.
IWB ? O projeto de melhoria da TI acaba neste ano. E depois?
Maggie ? No ano que vem, partiremos para a qualidade da
informação e melhoria do desempenho, vamos partir para o que chamamos
de departamentais. É uma informação só, mas temos departamentos
diferentes trabalhando e temos de colocar cada vez mais informatizado
para começarmos a cruzar os dados. Aí o médico vai entender porque ele
deu tanta informação lá atrás.
Assista entrevista sobre a primeira cirurgia robótica em: www.itweb.com.br/webcasts