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Entrevista: ex-CIO do Google diz que companhia fará corte de custos energéticos

Douglas Merrill fala sobre a organização de TI da Google, como os CIOs devem se envolver nos negócios e as perguntas mais irritantes feitas pelas pessoas em ocasiões sociais.

Publicado: 21/04/2026 às 05:55
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Entrevista: ex-CIO do Google diz que companhia fará corte de custos energéticos
Construção civil — Foto: Reprodução

Em uma entrevista dada ao Computerworld no mês passado, Douglas Merrill, CIO do Google até o último dia 02/04, quando assumiu a presidência da divisão de negócios digitais da EMI, falou sobre como a organização de TI da companhia estava configurada (não estruturada), como os CIOs devem se envolver nos negócios e as perguntas mais irritantes feitas pelas pessoas em ocasiões sociais.
 
Você se uniu ao Google no final de 2003, como diretor sênior de sistemas de informação. Como você conseguiu um emprego tão bom?

Eu passei quatro anos, ou mais, na Charles Schwab & Co., fazendo uma série de coisas diferentes, incluindo a coordenação da área de infra-estrutura e da área de segurança, por um tempo. Depois deixei a tecnologia e passei um ou dois anos à frente da estratégia de recursos humanos. Meu histórico é um misto de processos, pessoas e tecnologias. [o executivo é formado em política organizacional pela Universidade de Tulsa e tem mestrado e doutorado em psicologia pela Universidade de Princeton].

No Google, eles estavam começando a pensar em abrir o capital e Larry [Page, co-fundador e presidente da companhia] teve algumas idéias interessantes. Eu tinha esse histórico, e era operador licenciado, então entendia como funcionava o processo de oferta pública. O resto é história.

Ouvimos que o Google não tem uma área de TI estruturada como a maioria das companhias. Como ela é configurada?

Nós temos uma confiança muito forte na descentralização, então as pessoas têm muito controle para fazer o que querem. Nosso lema é ‘escolha, não controle’. Eu tentei tornar isso possível para toda a equipe tivesse todo o equipamento e controle que quisessem.

Mais que isso, o que eu tentei fazer foi tornar possível aos nosso engenheiros e gerentes de produto usar as ferramentas que eles queriam, fosse um PC com o Microsoft Exchange ou outra qualquer que eles escolhessem. O que importa é produtividade e criatividade.

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Como você gerenciava isso como CIO?

A maioria dos downloads de software é feitos pelos usuários finais. Há muito auto-serviço. Se eles precisam de ajuda, nós temos alguns centros chamados “Tech Stops”, onde temos profissionais especializados – mais do que normalmente se encontra nos centros de help desk. Nós esperamos que estes profissionais sejam profundamente especializados em infra-estrutura. E temos também desenvolvedores de aplicativos e outros programadores que podem ajudar com o Google Apps e suporte a outros aplicativos.

Quantas pessoas suportam as operações de TI do Google?

Nós realmente não pensamos nas coisas desta forma. Em alguns aspectos, todas as pessoas aqui suportam as operações de TI de algum modo. Nós temos métricas como pessoas de suporte por escritório, mas são métricas difíceis de comparar  com outros negócios porque temos muito mais escritórios do que a maioria das organizações. Temos cerca de 100 escritórios em todo o mundo. Nossas taxas de funcionários por profissionais de suporte são estranhas porque muito deste trabalho é feito pelos próprios funcionários.

O Google está construindo vários data centers em locais pouco usuais nos Estados Unidos e outros países. Qual a estratégia por trás disso?

O Google tenta manter seu foco em responder fortemente às demandas dos usuários. Nós podemos produzir cerca de 10 resultados em 250 milissegundos. Nós tentamos muito prover respostas rápidas e temos milhares de máquinas em todo o mundo para suportar estas taxas de resposta. Com o crescimento de nossas nuvens globais, trazemos mais benefícios aos nossos usuários.

Você pode explicar por que alguns especialistas dizem que o Google tem um design único de servidores?

Nós construímos nosso próprio hardware. Nós o fazemos porque é muito mais barato e porque temos demandas incomuns. Nós utilizamos discos rígidos comuns onde a maioria dos negócios usa hardwares mais caros, de alta disponibilidade. Nós esperamos que eles falhem e, quando isso acontece, temos sistemas de arquivo e backups que tornam isso imperceptível para os usuários. Também temos baterias em switches. Nós sabemos que voltagem é utilizada em cada máquina. Temos vários outros desenvolvimentos que tornam nossos hardwares mais econômicos e ambientalmente amigáveis.

Você mencionou recentemente que o Google hoje gasta mais com energia do que com suas máquinas. Que passos devem ser tomados para que os data centers sejam mais eficientes energeticamente?

Um deles é usar baterias em switches. Nós também desenvolvemos circuitos para fazer estas máquinas mais eficientes. Estamos tentando tornar nossos data centers o mais eficientes possível em termos de dissipação de calor e com o menor uso possível de refrigeração.

Que outros recursos de energia verde o Google está utilizando?

Veja nossos anúncios públicos. Nós não dizemos diretamente quais destes recursos estão sendo utilizados em nossos data centers. Também estamos reduzindo nossas emissões de carbono. [Nota: na última primavera, o Google anunciou sua intenção de tornar-se neutro em carbono a partir de 2007 e a companhia diz que está a caminho de atingir este objetivo]

O que há de melhor em seu trabalho?

É uma boa pergunta. Acho que é a interação com pessoas superinteressantes. Você não consegue andar por aqui sem encontrar alguém com um histórico tremendo que esteja fazendo algo completamente diferente do que estava acostumado. Isso é muito interessante e eu posso trabalhar com essas pessoas. Não sou apenas o responsável por encontrar um meio de reduzir os custos em 10%.

Quais os maiores mitos que as pessoas de fora da empresa criaram em relação ao seu papel no Google?

Geralmente, quando estou em um evento social, as pessoas não falam muito sobre meu trabalho, mas sobre como gostam do Google. Elas demonstram o quão satisfeitas estão por usar nossos produtos e contam como os utilizam.

E qual a pergunta mais irritante que já lhe fizeram sobre o Google?

“Quando você vai lançar o produto X?” Porque as pessoas se entusiasmam com os produtos que temos, e há muita criatividade saindo da área de engenharia da companhia, todos querem saber quando vamos lançar esta ferramenta ou aquela. E eu não posso responder. Nós apenas temos muito trabalho sendo feito em nossos laboratórios.

E mesmo que eu soubesse, eu não poderia responder. Há muita inovação acontecendo o tempo todo, não há como saber qual será o próximo grande lançamento. É um problema muito bom de ter.

O quanto os CIOs precisam mudar suas abordagens?

A linguagem que estamos usando no trabalho deve mudar. Eu não acho que exista uma grande diferença entre tecnologia e negócios, mas isso não tem que ser sempre verdade. Se você vê uma companhia como o Google, não há distinção, mas somos uma empresa de tecnologia, e isso faz sentido para nós. Eu acho que os CIOs precisam pensar em se alinhar aos negócios e realmente pensar em si mesmos sendo CIOs dos negócios. Eles precisam ser menos focados em orçamentos.

Como estes profissionais podem fazer esta transição?

Temos que admitir que isso é um problema. Temos que reter talentos nas organizações, para que corram riscos e apliquem toda a inovação disponível, tornando-se profissionais de negócios.

Como você seu papel neste sentido?

Eu sinto com se tivesse um emprego diferente a cada três ou seis meses. As mudanças são rápidas aqui. Eu não posso prever o que vai acontecer à frente, mas gasto meu tempo fazendo coisas hoje que não estarei fazendo no verão ou no outono.

O que o preocupa atualmente?

Nada muito diferente de outros executivos – manter meus funcionários produtivos; para quem precisa de ajuda, fazê-lo o mais rápido possível; tornar possível aos usuários do Google Checkout sentirem-se seguros para comprar de diferentes fornecedores; e suportar o crescimento do Google Apps. Quando eu converso com algum CEO de umas das companhias listadas na Fortune 1000, eu digo “este é o modo como usamos o Google Apps aqui. Por que você não tenta também?”

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