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Entrevista: Petra Scheithe, CIO da Basf para América do Sul

Executiva fala sobre desafios, explica como atua em relação às redes socias e diz que uma política interna para essas mídias está em curso

Publicado: 15/05/2026 às 15:23
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11 minutos
Entrevista: Petra Scheithe, CIO da Basf para América do Sul
Construção civil — Foto: Reprodução

A CIO da Basf para América do Sul, Petra Scheithe, parece gostar de um desafio. Alemã de Mannhein e morando no Brasil há cerca de um ano e meio, ela concedeu à InformationWeek Brasil sua primeira entrevista em português. Sua chegada para gerenciar a tecnologia do grupo na região foi acompanhada de metas como harmonizar os ambientes e torná-los mais flexíveis; e marca também a estreia da executiva como CIO. Antes, suas experiências estavam do lado fornecedor: dez anos na EDS e em torno de seis na Basf IT Services, o braço de serviços de tecnologia da Basf na Europa. Entre suas ações mais importantes, até este momento, está o contrato de full outsourcing fechado com a Siemens IT, que objetiva deixar a equipe interna cada vez mais livre para tocar projetos estratégicos e focados nas diversas áreas de negócio da Basf, que atua em setores como construção civil, tintas, plásticos e petróleo e gás. Para dar conta das demandas internas, a divisão da equipe – que no Brasil possui 70 pessoas – por unidade de negócio é uma estratégia que tem dado certo. A seguir, os principais trechos da entrevista.

InformationWeek Brasil – Como é balancear a experiência dos dois lados do balcão?

Petra Scheithe – Quando comecei na Basf, na Alemanha, trabalhei na Basf IT Services, uma divisão, criada em 2001, que presta serviços de tecnologia para a própria Basf. Comecei um ano depois da fundação para implementar os processos no modelo Itil, o que foi uma mudança muito grande. Antes, cada divisão tinha seus próprios funcionários de TI. Com a mudança, todo mundo ficou concentrado em uma companhia. Na Alemanha, permaneci o tempo todo nesta divisão. A mudança para mim foi a chegada aqui. Há uma diferença grande, mas vejo as áreas de negócios como clientes. Minha área tem uma divisão de serviços e, por isso, um prestador interno ou externo não faz diferença. Nisto, minha experiência contribui. No processo de terceirização, com a Siemens IT, por exemplo, meus conhecimentos ajudaram, pois sei como funciona o prestador e quais são os pontos críticos. Isto ajuda no processo de seleção, porque você pode colocar perguntas bem específicas para assegurar o serviço oferecido.

IWB – Qual era a estrutura de TI da Basf no Brasil quando você assumiu?

Petra – Praticamente a mesma de hoje. São basicamente três áreas: infraestrutura, aplicação e soluções. E também temos três centros de negócios na América do Sul (Chile, Colômbia e Argentina), além do Brasil, que é o centro de expertise e o maior negócio. Quando mudamos a organização em meados de 2009, os três gerentes nesses escritórios também passaram a responder pela região. Temos coordenadores em cada business center e eles se reportam para os gerentes. Toda a TI na região segue o mesmo processo. Ao todo são 94 funcionários, sendo 70 no Brasil.

IWB – Você responde para quem?

Petra – Para o vice-presidente de finanças, logística e TI na América do Sul e também para o CIO global da Basf que fica na Alemanha.

IWB – O contrato de full outsourcing com a Siemens IT altera a estrutura? O que muda na prática?

Petra – Antes tínhamos dois fornecedores. A Siemens para infraestrutura e parte do data center, monitoramento de aplicações, que ficam no Brasil, além de field service apenas no Brasil. Nos outros países, nossos funcionários fazem field. Temos um DC de menor porte no Brasil e um recém-inaugurado em Guaratinguetá, onde está nossa maior fábrica na América do Sul. Para serviço de gerenciamento de aplicações tínhamos a Accenture. Nosso objetivo era consolidar em apenas um fornecedor por causa da sinergia e também custos, claro. Queríamos também revisitar os contratos que já estavam estabelecidos há seis anos, eram antigos e precisavam ser revistos para as necessidades atuais de SLA. Mas é bom frisar, também, que não é totalmente full, pois temos coisas centrais que ficam em nossas mãos.

IWB – Você citou custo. Qual economia será gerada com essa consolidação?

Petra – Vamos economizar mais de 20% em três anos, que é o tempo de contrato. No primeiro ano, a economia não é muito grande, porque tem investimentos embutidos por conta das mudanças. Há investimento interno.

IWB – Com a Siemens fazendo esse trabalho, qual será a estratégia de sua equipe?

Petra – O contrato com a Siemens contempla, principalmente, serviços para infraestrutura e aplicações, nosso ambiente de PCs, BlackBerrys e software da SAP para toda a região. No Brasil também para field service e atividades de DC, além do gerenciamento de aplicações. Minha equipe será focada em projetos. Preparamos também um upgrade para nosso ambiente de computadores. Pensamos ainda em como vai ser o ambiente no futuro, como mídias sociais. Estamos trabalhando nisto junto com a área de comunicação, em pontos como colaboração, compartilhamento, redes sociais, tudo dentro da companhia, e isso envolve infraestrutura e aplicações. Estes projetos também são trabalhados em conjunto com a governança global, que fica na Alemanha,  em Ludwisghafen, para alinhar a forma de trabalho e manter um padrão.

IWB – Mas vocês atuam em vários setores. A TI é centralizada?

Petra – Sim. Os projetos que comentei até agora são globais, corporativos. Mas temos diversos voltados para as áreas de negócio. Falei sobre a organização principal, as funções técnicas. Na área de aplicações, temos uma estrutura que chamamos de information manager, que significa que cada área de negócio tem um consultor que entende o negócio, mas fica alocado em TI. É a ponte entre a área de TI e o negócio, para entender as necessidades.

IWB – Como surgem os projetos? Como é a interação com as áreas?

Petra – Temos um processo que começa um ano antes com o plano de investimento. Cada information manager trabalha com a área que ele é responsável. Temos gerentes, controladores também. Eles mantêm reuniões para entender a estratégia da área, os principais pontos e como a TI pode ajudar. Todos os projetos são juntados e depois temos uma lista com todos – globais, regionais, locais e por área.

IWB – O que vocês têm feito em redes sociais e novas mídias?

Petra – Isto é um desafio. A Basf tem uma política de segurança muito grande e temos muitas demandas relacionadas às ferramentas como MSN, Facebook, YouTube e outras. Tudo é avaliado pela nossa governança, que aponta o que podemos ou não liberar. Mas acho que demos passos importantes. Facebook, webmail e YouTube são liberados.

IWB – Mas vocês tiram algum proveito dessas mídias?

Petra – Estamos trabalhando em conjunto. A demanda surgiu globalmente. Montamos um grupo multidicisplinar, no ano passado, liderado pela comunicação, com participação da TI e do jurídico, que criou uma diretriz que será distribuída em março. Não traz proibições, mas aborda estas mídias de acordo com o que a empresa acredita e com parâmetros de uso. Você quer falar sobre Basf no Facebook? Fale com critério e assine como colaborador da Basf, até pelas repercussões que podem trazer.

IWB – O conteúdo postado é monitorado?

Petra – Não. Apenas a questão de segurança, coisas que estão nas listas negras, pornografia e download de aplicativos.

IWB – Comercialmente vocês usam esses canais?

Petra – A Suvinil está no Flickr, no YouTube e no Twitter. Agora, com a diretriz, muitas áreas nos procuram para saber como fazer.

IWB – Você tinha mencionado a SAP, o uso do sistema é global?

Petra – Usamos todo o pacote da SAP. No ano passado, implantamos e padronizamos o módulo de RH aqui na América do Sul e temos também BI. A Basf tem agora um grande projeto para consolidar as instâncias em SAP. Cada região tem suas particularidades e seus próprios sistemas. Tem um SAP na Europa, outro na América, outro na Ásia e vamos padronizar. É um projeto que foi preparado no início de 2009 e vamos começar agora. Primeiro passo foi na América do Norte. Vamos migrar todas as regiões para o sistema global, que fica na Alemanha, e ter os mesmos processos centrais. Se não fizéssemos isto, precisaríamos implementar os processos em cada um dos sete sistemas espalhados pelo mundo. Vai facilitar o trabalho da TI, pois teremos um modelo de suporte global. Esse será nosso principal projeto em 2010. Na América do Sul, o objetivo é concluir a migração até o segundo trimestre de 2011.

IWB – A empresa tem viés de sustentabilidade muito forte. A TI está envolvida?

Petra – Sim. Trabalhamos com ideias de TI verde, como podemos contribuir com a sustentabilidade, temos um representante da TI dentro do comitê de responsabilidade social corporativa.

IWB – Você tem algum exemplo nessa área?

Petra – Temos vários. Um deles é a redução do consumo de energia com PCs. São medidas simples como desligar o computador em vez de deixá-lo em stand by e também, agora, estamos com projeto de virtualização para reduzir número de servidores (de 120 para 70), e renová-los para máquinas mais modernas e com eficiência energética. Já começamos no ano passado.

IWB – Quais os maiores desafios para a TI em uma empresa que atua em diversos setores?

Petra – Acho que a harmonização das demandas. Assegurar que tenhamos um ambiente preparado.

IWB – Ter gerentes focados para cada área de negócio visou a isso?

Petra – Sim. A vantagem é que essas pessoas ficam na área de TI e têm, de um lado, a visão dos padrões e, do outro, o conhecimento dos negócios e podem avaliar como a demanda do negócio se encaixa nos padrões que possuímos e harmoniza.

IWB – Qual foi o principal projeto em 2009?

Petra – A concorrência de outsourcing, com certeza, e a implementação do módulo de RH da SAP para padronização regional.

IWB – Como é atender a gerações diferentes?

Petra – É um desafio, mas acho que sempre aconteceu dentro das empresas. Eu me lembro que quando comecei também era totalmente diferente. Chegou o primeiro PC, os mais jovens trabalhavam com as máquinas novas e, em TI, os mais experientes visavam ao mainframe. Sempre haverá este choque com a chegada de uma nova geração. Acho que também é importante aproveitar a experiência dos mais seniores e a agilidade dos jovens. Corporativamente a Basf preza muito isso.

IWB – Você está há 1,5 ano no Brasil. Qual é sua meta para a TI da Basf?

Petra – Como temos duas demandas principais, de harmonização global e flexibilização regional, lancei um estado de não nos preocuparmos muito com serviço que é commodity. Ainda temos trabalho com isso, para definir modelo, certificar-se de que todos processos são implementados em Itil, que ainda não é, ter todos SLAs em dia. É a mesma coisa que energia elétrica ou telefone. O usuário pode esperar que isso funcione, sem se preocupar como será o processo. Esse é meu objetivo e também, do outro lado, ter liberdade para apoiar as áreas de negócio com flexibilidade para demandas específicas da região. Não quero me preocupar com as commodities. O foco da TI aqui é atender e apoiar os clientes como business partner, dar soluções para o sucesso da área de negócio.

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