Companhia aposta que vai recuperar vendas com a demandas por equipamentos de infra-estrutura para 3G
Com a queda da demanda por equipamentos de infra-estrutura de rede para o 2G, a Ericsson estava cogitando o fechamento da sua fábrica no Brasil, que produz switchings para comutação de celulares, equipamentos de transmissão e estações radiobase. Presente no País há 52 anos em São José dos Campos (SP) e com cerca de 200 pessoas empregadas, a fábrica passou por diversos períodos de altos e baixos da economia brasileira. “O problema é que não víamos uma luz no fim do túnel”, comenta Lourenço Pinto Coelho, vice-presidente comercial e de marketing da companhia.
A fábrica foi construída para atender ao mercado brasileiro e algumas demandas do Mercosul e da África – o restante do mundo é atendido pelas demais três plantas, localizadas na Suécia, na China e na Índia. Mas com a queda da procura pelos equipamentos da companhia no mercado interno, não havia justificativa de manter as instalações. “Há algum tempo vinhamos avisando o mercado que o atraso no leilão de 3G estava atrapalhando nossos negócios”, afirma o executivo.
As negociações com a matriz para a manutenção da planta começaram há cerca de dez dias, quando a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou o edital de 3G em consulta pública. Isso porque a companhia vislumbra que a demanda por estações radiobases pode chegar a 40 mil nos próximos cinco anos. Esse é o cálculo feito por Coelho considerando que a Anatel vai leiloar quatro faixas de freqüência e que cada operadora, se quiser cobertura em todo o Brasil, necessitará de 10 mil unidades nesse período.
O executivo não comenta sobre a capacidade da fábrica, nem quanto representou a queda de produção que motivou a companhia a considerar o desativamento da planta. Diz apenas que a Ericsson poderia suprir todo o mercado brasileiro de estações radiobase para o 3G.