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A escalada das fraudes no Brasil e o contra-ataque da IA

A era digital, com suas conveniências e inovações, trouxe consigo um desafio: a sofisticação das fraudes. Diariamente, milhões de brasileiros são alvos de golpes que se reinventam, explorando vulnerabilidades humanas e tecnológicas. A impressão que temos é que a criatividade dos fraudadores parece não ter limites e é nesse cenário que a Inteligência Artificial (IA) […]

Publicado: 10/03/2026 às 01:36
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5 minutos
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Construção civil — Foto: Reprodução

A era digital, com suas conveniências e inovações, trouxe consigo um desafio: a sofisticação das fraudes. Diariamente, milhões de brasileiros são alvos de golpes que se reinventam, explorando vulnerabilidades humanas e tecnológicas. A impressão que temos é que a criatividade dos fraudadores parece não ter limites e é nesse cenário que a Inteligência Artificial (IA) surge como uma ferramenta de combate e como um pilar fundamental na construção de um ambiente digital mais seguro para todos.

A dimensão da insegurança digital é alarmante. Dados da Serasa Experian revelam que o Brasil registrou uma tentativa de fraude a cada 2,2 segundos em fevereiro deste ano. Quando olhamos para o primeiro trimestre de 2025, foram quase dois milhões de tentativas – 21,5% a mais do que no mesmo período de 2024.

Esses números, por si só, já acendem um alerta, mas a realidade é ainda mais complexa. Os golpes, antes restritos a e-mails ou ligações, agora se manifestam em diversas plataformas, do WhatsApp às redes sociais, e atingem todas as faixas etárias, principalmente os idosos. O “golpe do filho” no WhatsApp, o phishing que simula alertas bancários e até mesmo as fraudes internas em grandes instituições financeiras são exemplos da diversidade e da audácia dos criminosos.

Nesse contexto, a IA se posiciona como um aliado indispensável. Sua capacidade de processar e analisar grandes volumes de dados em tempo real permite identificar padrões de comportamento incomuns, anomalias e redes de relacionamento que seriam imperceptíveis para a análise humana. Imagine um sistema que, ao detectar uma transação bancária atípica, como a tentativa de transferência de um valor elevado para uma conta recém-criada, bloqueia a operação instantaneamente e alerta o cliente. Isso não é ficção; é a realidade de sistemas antifraude baseados em IA, como os desenvolvidos pelo SAS, que atuam preventivamente, protegendo o consumidor antes mesmo que ele perceba o risco.

Leia também: A “nova Intel” propõe arquitetura aberta para destronar sistemas fechados de IA

A IA atua em múltiplas frentes. No combate ao phishing, ela pode analisar o conteúdo de mensagens, identificar links maliciosos e alertar os usuários. Na proteção contra roubo de contas, a IA monitora acessos, detecta comportamentos estranhos e pode até mesmo prever tentativas de invasão. Para as fraudes internas, a tecnologia é capaz de monitorar o acesso a sistemas e dados sensíveis, identificando desvios de conduta e alertando sobre atividades suspeitas de colaboradores. A chave está na capacidade da IA de aprender com o histórico de fraudes e aprimorar continuamente seus modelos preditivos, adaptando-se às novas táticas dos criminosos.

É importante ressaltar que o investimento em IA para segurança não é um custo adicional repassado ao consumidor, mas sim uma estratégia que gera economia para as empresas. As fraudes representam perdas bilionárias para as instituições financeiras e impactam diretamente seus custos operacionais. Ao mitigar essas perdas com o uso da IA, os bancos podem, inclusive, reduzir taxas e oferecer serviços mais competitivos, o que beneficiaria toda a cadeia.

Contudo, é fundamental reconhecer que a IA é uma faca de dois gumes, pois ao mesmo tempo em que ajuda as instituições, é usada pelos criminosos para criar novos modelos de fraude. Um exemplo é o “Worm GPT”, uma IA sem as limitações éticas dos modelos convencionais, capaz de auxiliar na criação de golpes cada vez mais sofisticados. Essa corrida armamentista tecnológica exige que a evolução das defesas seja constante e ágil.

Quando olhamos para o futuro, a tendência é de que a IA se torne ainda mais integrada aos sistemas de segurança, com o uso de tecnologias emergentes como a computação quântica, que promete revolucionar a capacidade de processamento e análise de dados, e tornar as defesas ainda mais potentes. No entanto, a tecnologia, por si só, não é a única solução. A conscientização da população, a colaboração entre instituições e, principalmente, a modernização do arcabouço jurídico são elementos importantes para fechar o cerco contra os criminosos.

Em um país em que a fraude ainda é vista como um crime de baixo risco e pouca punição, a batalha contra os estelionatários é complexa. A IA oferece um escudo tecnológico poderoso, mas a proteção completa virá da combinação entre inovação, educação e um sistema legal que reflita a gravidade e o impacto social desses crimes. Proteger o cidadão, especialmente os mais vulneráveis, é um imperativo que transcende a tecnologia e exige um esforço conjunto de toda a sociedade.

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