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Especial cidades digitais: conheça os projetos mais bem-sucedidos no País e no exterior

Vários exemplos mostram que a inovação requer criatividade, boa vontade do governo, investimento e adesão da população

Publicado: 10/05/2026 às 17:28
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4 minutos
Especial cidades digitais: conheça os projetos mais bem-sucedidos no País e no exterior
Construção civil — Foto: Reprodução

Na pequena

Issy-les-Moulineaux, as creches públicas da cidade, os filhos conversam com os

pais por webcams. Nos cartórios, certidões de casamento e nascimento são

emitidas digitalmente. Existe conexão Wi-Fi gratuita em todos os espaços

públicos. Mais de 70% das pessoas se conectam à internet, a maioria por meio de

banda larga. Ela foi eleita pela revista Wired

a cidade europeia mais moderna, batendo inclusive a capital, Paris.  Os próprios habitantes chamam a região de cyber-cité (cibercidade, em francês).

Issy-les-Moulineaux certamente

merece o apelido. Localizada a sudoeste de Paris, a cidade orgulha-se dos

índices tecnológicos. Tudo começou com o lançamento do site oficial da cidade (www.issy.com

) em 1996, quando a rede mundial era ainda uma incógnita para os franceses.

As pesquisas apontam o

orgulho dos moradores com as mudanças acontecidas de lá para cá. Cerca de 98 %

dos habitantes reconhecem que as aplicações de tecnologia da informação e

comunicação (TIC) mudaram radicalmente o cotidiano deles. São viciados em

internet e estão acima da média francesa quando o assunto é acesso: 89 % surfam

todos os dias (contra 56 % dos internautas franceses) e 67 % baixam música e

filmes (a média francesa é de 39 %).

O site da prefeitura

foi pioneiro, oferecendo serviços para os cidadãos. Além da conexão à web

oferecida em creches e asilos, o município foi também o primeiro a celebrar um

casamento ao vivo pela web em 1999.

As consequências podem

ser vistas no dia a dia: as filas estão sumindo nos serviços públicos, pois boa

parte das informações é obtida online e por meio de agendamento eletrônico. Até

a economia da região mudou, por causa do seu perfil “internetado”. A Microsoft,

ao decidir abrir um escritório europeu, decidiu-se por Issy-les-Moulineaux, bem

como as duas das principais operadoras de telefonia do país (France Telecom e

Bouyguess).

Manter o espírito

tecnológico renovado não é tarefa fácil. “Há alguns casos clássicos que

recuaram em função da falta de um  modelo de sustentabilidade claro, como

Filadélfia e São Francisco”, adverte Fabio Botelho Josgrilberg, professor da

Metodista e pesquisador de cidades digitais pela Fundação de Amparo a Pesquisa

do Estado de São Paulo (Fapesp).

Iniciativas

interessantes surgem em várias partes do mundo, como o projeto de Andaluzia, na

Espanha, por meio do qual todos os municípios com menos de 20 mil habitantes

têm acesso à rede sem fio de alta velocidade. Na Inglaterra, há Bristol e

Norwich. Podem ser citados ainda exemplos como Dundee (Escócia), Eindhoven

(Holanda), Ottawa (Canadá).

Projetos verde-amarelos

No Brasil, destacam-se

modelos de cidades digitais como Piraí (RJ) (leia a primeira matéria da série),

Tiradentes (MG) e Sud Mennucci (SP). Esta última, com cerca de  7,7 mil habitantes pelo censo de 2007,

situada na região noroeste do Estado de São Paulo, oferece aos seus moradores

acesso gratuito à internet por banda larga por rede sem fio.

Por conta de ações

pioneiras, desde 1996, o município vem diminuindo o índice de analfabetismo, estimulando

programas de geração de renda e fazendo investimentos na formação escolar e

profissionalizante da população. Atualmente, a cidade implantou um projeto de

administração pública que tem como objetivo o controle e transparência das

contas públicas e o compartilhamento de decisões.

Já na mineira Tiradentes,

município próximo a São João Del Rei e Santa Cruz de Minas, foram instaladas em

2006 quatro antenas para o acesso a internet numa região que engloba o Centro

Histórico e bairros próximos. Nesse município, a informática passou a ser

ensinada nas escolas públicas. O progama-piloto “Um computador para cada

aluno”, oferecido pelo Ministério da Educação, permitiu professores e alunos

levarem os computadores para casa, com o objetivo de incentivar aulas e

pesquisas planejadas.

Apesar do sucesso do

empreendimento, a solução de acesso mostrou que precisa ser ampliada, para

atender à demanda crescente.  As antenas

não cobrem alguns dos bairros mais populosos e carentes, onde se encontram, por

exemplo, duas escolas municipais.

Leia mais:

Esta matéria faz parte

de uma série de reportagens que o IT Web divulga ao longo de fevereiro sobre

cidades digitais. Confira.

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