Ofertas de distribuidores no País tornam projetos viáveis, mas o impacto maior está no investimento da infraestrutura externa
Para acessar dados digitais pela rede elétrica, o consumidor final precisa de um modem PLC (power line communications). Com instalação simples, a conexão é feita pela porta Ethernet, ligando a placa de rede do computador ao sinal digital que chega.
Levar a internet pela rede elétrica é uma possibilidade de democratizar seu acesso para a população mais carente. Um estudo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) propõe o desenvolvimento de “redes elétricas inteligentes” (smart grids). Segundo Moisés Vidal Ribeiro, coordenador do projeto, isto representa “possibilidade de promover a inclusão social por meio de soluções baratas de acesso”.
Para transformar a utopia em realidade, serão necessários investimentos privados e estratégias governamentais fomentadoras. Esse modelo deu bons resultados nos Estados Unidos e em países da Europa (e será o tema da próxima e última reportagem desta série do IT Web).
No Brasil, atualmente, o preço do equipamento importado geralmente ainda é alto (em média, cerca de R$ 400, com velocidade de transmissão de 200 Mbps). Os similares nacionais estão na faixa de R$ 120 a R$ 140. “Mas o preço do modem não é a barreira principal para PLC”, avalia Antonio Carlos Wulf Pereira de Melo, gerente de engenharia de telecomunicação da Companhia Paranaense de Energia (Copel). “O maior custo está na preparação da rede externa”.
No caso da Copel, foi gasto cerca de R$ 1 milhão para montar a estrutura para domicílios e estabelecimentos comerciais de Curitiba. Para que o modem PLC funcione no ambiente doméstico é preciso que haja instalado do lado de fora um Master PLC, que traz os dados digitais de uma operadora de telecomunicações. É esse dispositivo que injeta o sinal, tornando os fios elétricos em transmissores de dados. Em média, cerca de 50 usuários podem se conectar a esse circuito.
O posicionamento de alguns distribuidores desse tipo de dispositivos é fazer parceria diretamente com as companhias elétricas ou com a operadora de Telecom, uma vez que o consumidor final contrata o pacote completo, já com o modem incluído. É o caso da suíça Ascom Power Line (APL), que participou do projeto da Companhia Elétrica de Minas Gerais (Cemig). Mas o mercado tem ofertas de distribuidores internacionais como Amperion, Ebaplc, Eichhoff, Intellon, Mitsubishi, Sumitomo e Vitran, dentre outros.
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