Maior parte dos acionistas votou a favor, mas uso da golden share permitiu ao governo barrar a compra da participação na telco brasileira
O Estado português vetou a participação da Portugal Telecom na Vivo para a Telefónica. Apesar de os acionistas da PT terem sido favoráveis, com 73,91% votos a favor e 26,09% contra, a utilização da “ação de ouro” (em inglês, golden share) do Estado vetou a operação. De acordo com informação de comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a mesa da Assembleia geral aceitou o veto do governo. Assim, a oferta da Telefónica, que na última terça-feira foi aumentada para 7,15 bilhões de euros, foi rejeitada.
De acordo com o portugês Diário de Notícias, a justificativa para o uso das ações é de que a telco brasileira é interesse estratégico da PT para economia do País. A Telefónica vai recorrer à justiça por considerar uso da golden share ilegal. Em 8 de julho, o Tribunal Europeu vai decidir sobre uma queixa da Comissão Europeia contra o Estado português por causa da golden share.
De acordo com o DN, o presidente da mesa da assembleia geral da PT, Menezes Cordeiro, teria dito aos jornalistas ter “a certeza absoluta de que o uso da golden share do Estado neste caso é legal, e que antes da assembleia consultou seis juristas sobre o assunto”.
O tecido acionista da PT é o seguinte: dos investidores portugueses o BES tem 7,99%, a CGD 7,30%, a Ongoing 6,74%, a Controlinveste 2,28% e a Visabeira 2,01%. Do lado internacional, 7,89% pertencem à Brandes Investment Partners, 6,77% à RS Holding, 5,84% à UBS, 4,24% à TPG, 2,48% ao Barclays, 2,36% ao Deutch Bank, 2,35% ao Black Rock, 2,13% ao Norge Bank e 2,02% à Telefónica.