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Vânia Neves

“Eu podia chegar em qualquer lugar, desde que me preparasse”, diz Vânia Neves

Vânia Neves transformou uma conversa casual aos quinze anos na semente de uma carreira extraordinária. Hoje, depois de mais de três décadas moldando a tecnologia corporativa brasileira, ela carrega consigo a certeza de que as grandes mudanças começam nos detalhes mais simples – uma palavra no momento certo, um exemplo que inspira, uma porta que […]

Publicado: 04/03/2026 às 17:27
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7 minutos
Vânia Neves, CIO global da Vale. Imagem: divulgaão
Construção civil — Foto: Reprodução

Vânia Neves transformou uma conversa casual aos quinze anos na semente de uma carreira extraordinária. Hoje, depois de mais de três décadas moldando a tecnologia corporativa brasileira, ela carrega consigo a certeza de que as grandes mudanças começam nos detalhes mais simples – uma palavra no momento certo, um exemplo que inspira, uma porta que se abre. 

A história começou em 1979, no subúrbio do Rio de Janeiro, quando a namorada de um primo chegou de São Paulo. Era uma moça simples, que trabalhava em um Centro de Processamento de Dados. Nas tardes depois da escola, hospedada temporariamente na casa da família, ela contava sobre seu trabalho para a adolescente curiosa que a escutava fascinada. “Ela me explicava o que acontecia no trabalho”, lembra Vânia. “Aquilo me fez pensar na área com outro olhar, vendo o que movimentava tudo aquilo.” 

Naquela cozinha do subúrbio, Vânia teve sua primeira epifania: a tecnologia não era apenas sobre máquinas, mas impacto sistêmico. Cada processo otimizado, cada sistema implementado reverberava em centenas, milhares de vidas. Era uma matemática de escala que a encantou para sempre. 

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A mulher que sabia de tudo

Até então, Vânia imaginava seguir um caminho completamente diferente. Crescera observando a mãe, secretária que exercia uma espécie de psicologia informal entre parentes e amigas. Era ela quem recebia as confidências das primas, das tias, das vizinhas – uma figura magnética que dispensava conselhos e acolhia aflições. 

“Minha mãe era muito abordada, ela era a pessoa que aconselhava todas as primas, todas as tias, todas as amigas, e eu achava aquilo o máximo”, conta Vânia. A filha imaginou que, se fizesse faculdade de psicologia, poderia ser “a mãe expandida”, profissionalizando aquela sabedoria natural que via em casa. 

Mas a mãe de Vânia possuía algo ainda mais transformador: uma fé inabalável no poder da educação. Mesmo sem formação superior, ela e o marido, um mecânico, criaram os filhos com uma certeza de que se tornaria profética. 

“Minha família era muito humilde, mas muito focada na ideia de que o estudo é que iria fazer diferença para mim e para meu irmão”, explica Vânia. “Meus pais sempre incentivaram muito que a gente estudasse, que a educação era uma prioridade para nós.” 

Era uma estratégia familiar deliberada, sustentada por uma compreensão quase intuitiva de que o conhecimento seria a única herança verdadeiramente duradoura. A mãe cobrava qualidade nas entregas escolares, o pai apoiava nos trabalhos. Juntos, construíram uma base sólida que permitiria à filha sonhar além das limitações de seu contexto. 

Quando dois mundos se encontram

A conversa com a namorada do primo aconteceu no momento perfeito. Vânia estava com dezessete anos, às vésperas do vestibular, quando aquelas histórias sobre o Centro de Processamento de Dados ganharam novo significado. Ela descobriu sua vocação não apenas ouvindo, mas fazendo conexões. 

“Pensava em ajudar pessoas como psicóloga, mas via algo que impactava muito mais”, reflete. “O que se fazia dentro de uma área de tecnologia movia as empresas inteiras.” 

A decisão pela matemática foi estratégica e corajosa. Vânia percebeu que gostava de humanas e exatas, mas via na matemática um canal direto para o mundo tecnológico que a fascinava. Foi uma escolha audaciosa para uma jovem no final dos anos 1970, sem exemplos próximos de pessoas formadas em ensino superior. 

Mas havia algo mais forte orientando-a: a educação sistemática que os pais lhe haviam dado sobre o valor do conhecimento. “Minha mãe dizia que eu podia chegar em qualquer lugar, desde que me preparasse”, lembra. 

A executiva que nunca parou de estudar

Vânia transformou o aprendizado em uma arte. Sua trajetória acadêmica se desdobrou como uma sinfonia cuidadosamente orquestrada: Matemática na Federal Fluminense, mestrado em Administração na PUC-RJ, pós-graduações na FGV, certificações no MIT, na NASA, na Singularity University. 

Cada título conquistado não era apenas uma vitória pessoal, mas uma ampliação deliberada de seu repertório. E isso se reflete em sua carreira executiva, que se construiu sobre pilares sólidos, como competência técnica, visão estratégica e uma capacidade rara de traduzir complexidade em soluções práticas. Na GSK, onde permaneceu por quinze anos, ocupou posições crescentes – de gerente de aplicações a diretora de TI e head de inovação. 

Na Vale, onde chegou em 2021, assumiu primeiro como CTO e depois como diretora global de Tecnologia para Soluções de Negócios. Foram quatro anos liderando transformações em uma das maiores mineradoras do mundo, aplicando princípios de inovação em escala industrial. 

Mas Vânia nunca se contentou em ser apenas uma executiva brilhante. Sua visão sempre foi mais ampla, a de usar a tecnologia como ferramenta de transformação, não apenas corporativa, mas social. 

“Sempre busquei conquistar meus espaços porque era uma profissional de tecnologia que se preparava e entregava o que precisava entregar”, explica. “Sempre muito cercada de pessoas das quais procurava desenvolver, mas que também aprendia com elas.” 

A mentora que viu uma lacuna

Em 2018, Vânia percebeu que havia chegado a um ponto em sua carreira onde podia – e devia – fazer algo diferente. A inquietação que sempre a acompanhou ganhou direção. Ela queria ver mais mulheres negras em posições de liderança. 

O Programa LÍDERNEGRA nasceu dessa vontade em 2021. Vânia chamou três “parceiras de propósito” – amigas que compartilhavam a mesma inquietação, mas não sabiam como transformá-la em ação. Juntas, cocriaram um programa que já impactou 137 mulheres em quatro turmas, com mais 41 iniciando a quinta turma. 

“Não tive mulheres negras me apoiando profissionalmente, mas tenho as mulheres negras da minha família que me inspiraram, principalmente minha mãe”, reflete. O programa é, em essência, uma forma de sistematizar e democratizar o tipo de educação transformadora que ela própria recebeu em casa. 

“A ideia é fazer o caminho de outras pessoas mais fácil”, diz, ecoando inconscientemente a filosofia que aprendeu em casa. “Não é porque eu tive que ter esse desafio solitário que vocês jovens têm que fazer isso sozinhas.” 

A nova vida

No início de 2025, Vânia tomou uma decisão que surpreendeu muitos. Deixou a vida executiva tradicional para se dedicar a conselhos de administração e ter mais tempo para a família. Não foi uma aposentadoria, mas uma reconfiguração estratégica. 

“Parei com a vida executiva que me tomava aquele horário fixo, mas continuo trabalhando”, explica. Como conselheira de administração em empresas como o Grupo Carrefour Brasil, ela mantém sua influência no mundo corporativo, mas com uma agenda que lhe permite dedicar-se também ao que considera seu legado mais importante: a formação de novas lideranças. 

A mudança lhe deu algo precioso. Agora tem tempo para pensar no futuro sem a pressão dos deadlines corporativos, tempo para a família que sempre a apoiou, e tempo para expandir o impacto do trabalho de mentoria. 

*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum

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