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EUA – ainda é o mesmo país??

Regularmente uso este espaço aqui no FORUMPCs para escrever apenas sobre tecnologia. Mas graças à liberdade editorial que desfrutamos eu e outros colunistas, vez por outra nos permitimos desviar um pouco do tema. E desta vez é este o caso. Acabo de retornar de uma viagem de 15 dias para os EUA e observei fatos […]

Publicado: 22/05/2026 às 03:59
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10 minutos
EUA – ainda é o mesmo país??
Construção civil — Foto: Reprodução

Regularmente uso este espaço aqui no FORUMPCs para escrever apenas sobre tecnologia. Mas graças à liberdade editorial que desfrutamos eu e outros colunistas, vez por outra nos permitimos desviar um pouco do tema. E desta vez é este o caso. Acabo de retornar de uma viagem de 15 dias para os EUA e observei fatos muito interessantes que quero compartilhar e discutir.

Viajei para os EUA pela primeira vez há 20 anos aproximadamente. Neste tempo fiz diversas outras incursões para este país. Fazendo uma análise crítica pude constatar que mudanças vêm ocorrendo.

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Casualmente poucas semanas antes de viajar conversei com meu grande amigo Mauro Santanna (que já assinou duas colunas junto comigo aqui no ForumPCs). Ele que já morou algum tempo nos EUA chamou minha atenção para o que ele chama de “decadência da América”. Em sua visão, principalmente após dois episódios, o “11 de setembro” (em 2001) e a “implosão do sistema financeiro” (em 2008) o país mudou muito. Não compartilhava de sua opinião, não enxergava desta forma. Não enxergava… Estou mudando de opinião.

Na estrutura de poder estabelecida nos EUA há “lobbies” muito fortes, principalmente ligados ao mercado financeiro e ao ligado a guerras (armamento, indústria pesada, etc.). Há quem diga que muitas das guerras que o país participou foram fortemente (e põe fortemente nisso) “estimuladas” por este lobby da guerra. Da mesma forma o lobby financeiro exerce extrema influência nos destinos do país. Falando de forma totalmente especulativa, o presidente Kennedy teria sido assassinado em 1963 por encomenda de uma dessas grandes forças existentes no país e eventuais outras “forças ocultas”.

A derrocada da economia em 2008, a falência do Lehman Brothers levou consigo boa quantidade de outros bancos. Fez virar pó uma quantidade imensa de linhas de créditos, baseadas nas “hipotecas podres” (sub-prime).  Os poderosos fizeram o governo injetar trilhões de dólares para salvar o sistema financeiro. Dizem que parte destes trilhões acabaram indo parar também nas mãos de executivos de bancos que receberam polpudos bônus anuais a despeito dos pífios resultados obtidos… Especulação?

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Relaxem. Linhas mais interessantes estão por vir. A proposta desta coluna não é discutir a economia americana e sim traçar um paralelo de fatos que observei com este cenário que procurei resumir nos parágrafos anteriores.

Foi chocante quando desembarquei nos EUA pela primeira vez na vida em 1991. A organização, a limpeza, o respeito pelos outros… Eram fatos que infelizmente não se repetiam da mesma forma em nosso país. Exemplos clássicos: uma pessoa põe o pé na faixa de pedestre e os carros param imediatamente; não se via um papel sequer no chão muito menos bitucas de cigarro; o trânsito organizado e funcional; não se ouviam buzinas… São inúmeros exemplos destas diferenças culturais.

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Mas hoje em dia o que mudou? Vou citar o exemplo do trânsito. Pessoas eram muito calmas e disciplinadas nas ruas e estradas. Como quase todos os carros americanos dispõem de “cruise control” (conhecido como piloto automático ? mantém a velocidade do carro constante sem precisar pisar no acelerador), andar em uma estrada era experiência curiosa e interessante. Com o limite de velocidade de 65 milhas por hora (104 Km/h), os carros fixavam suas velocidades e era comum estar acompanhado por cinco, seis ou mais carros por um longo tempo da viagem (as vezes horas), sem nos aproximar ou nos afastar deles . Nesta última viagem fiquei chocado com um comportamento “radical” nas estradas. Alguns carros costurando entre as pistas, pessoas em velocidades claramente superiores às máximas estabelecidas (pelo menos 85 mph ? cerca de 140 Km/h) e eventuais “buzinaços” nas ruas. Adianto que todas as vezes que vi isso tudo não eram estrangeiros e sim nativos norte americanos.

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Alguns hábitos se mantêm. A preferência para pedestres nos cruzamentos é a mesma. Mas um amigo que mora há 23 anos nos EUA (o qual tive a felicidade de reencontrar após 30 anos!!) comentou que infringir esta regra (dos pedestres) custa ao infrator, uma multa, uma bagatela de US$ 800 a quem desrespeitá-la. Parquímetros (locais onde se paga o estacionamento na própria rua ? que atualmente até cartão de crédito aceitam) que antes eram absolutamente respeitados, cansei-me de vê-los com o tempo expirado.

Mendigos nas ruas. Vi diversos nesta última viagem. O pedinte americano é diferente dos que conhecemos. Não tão mal vestido, mas ainda assim de aparência necessitada, empunha um cartaz com sua solicitação “I need food ? my mother lost her job ? please help me” (Eu preciso de comida ? minha mãe perdeu o emprego ? por favor me ajude). Eles não te abordam diretamente. Apenas passam nos faróis exibindo seu cartaz e aguardando que alguém os ajude. Vi muitos assim desta vez. Já vira no passado, mas nesta ocasião em quantidade muito maior.

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As ruas continuam limpas, impecáveis e isso faz um bem danado aos nossos olhos acostumados que são com logradouros enxovalhados por detritos e dejetos. Mas já observei pichações em diversos locais. Isso é chocante. Em várias placas nas “free ways” (imensas avenidas de trânsito rápido) vi aquelas marcas feitas com tinta spray de diversas formas. Ainda bem que não são tantas, mas choquei-me com estas visões.

A cortesia das pessoas ainda é destaque e nos faz muito bem. Mas já se percebem fatos antes inobservados. Estava um dia com aquele meu amigo argentino que não via há 30 anos. Ele precisava fazer uma conversão à esquerda, o farol estava fechado. Ele abriu o vidro e perguntou ao motorista à sua esquerda “posso virar na sua frente, estou na pista errada?”. Seu vizinho respondeu apenas “Porque?”. Oras, se eu peço educadamente licença para passar na sua frente (da direita para a esquerda) preciso explicar o motivo? E quando o farol abriu este vizinho acelerou propositalmente o carro para não dar passagem ao meu amigo. Estranho, muito estranho, comportamento que beira o chocante.

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A crise econômica de 2008 ficou para trás, pelo menos a pior fase. Mas ainda se vêm consequências. Lojas fechadas. Restaurantes fechados mesmo em centros de forte presença turística. Meu amigo, que é publicitário e designer gráfico disse que novos projetos são escassos hoje em dia e assim é para todo o segmento de serviços, o mais forte nos países desenvolvidos.

Alguém pode contestar minhas observações, afinal sempre haveremos de encontrar pessoas com “a lua virada” em todo lugar do planeta todos os dias. Ficaria em dúvida não fosse o fato de eu visitar os EUA há 20 anos e só agora ter visto isso tudo. Há de fato uma mudança em progresso. Não sei precisar ou explicar.

Outro exemplo emblemático. Frequentemente em voos no Brasil quando o avião aterrissa mesmo que não tenha parado no portão de desembarque, quase todas as pessoas se levantam, sem a autorização do comandante, como que disputando o espaço no corredor. Inútil, pois todas as pessoas uma hora saem da aeronave. Acreditem vi esta cena em um voo interno nos EUA, diversos americanos com o mesmo comportamento anteriormente descrito.

Este assunto pode e deve ser estudado por sociólogos, que têm total competência para inferir conclusões baseadas nestas observações. Não serei eu que concluirei alguma coisa. Mas não me abstenho de arriscar alguns bons palpites, dar o meu “pitaco” e que espero seja o tema das discussões desta coluna.

O país de fato não saiu totalmente da recessão e dificilmente sairá tão rapidamente. Isso afeta o moral da população. E a crise real cria os novos mendigos e faz fechar estabelecimentos comerciais como observei. Além disso, todos sabem que os pujantes chineses, que crescem a taxas formidáveis (por vezes maiores que 10% ao ano) estão “no cangote” dos americanos. A indústria chinesa cresce absurdamente bem como sua economia. Se a qualidade ainda não é o maior atributo dos produtos chineses, estes vêm melhorando muito. Lembrem-se o que ocorreu com o Japão nas décadas de 50, 60 e 70. Produtos japoneses eram sinônimo de piada em termos de qualidade. Queria falar que algo era vagabundo, dir-se-ia que eram japoneses. Mas e nos anos 80, 90 e atualmente? Produtos japoneses são o máximo da qualidade e tecnologia. Acredito que os chineses estão indo pelo mesmo caminho. Isso incomoda os americanos que ainda têm a primazia tecnológica, de qualidade e inovação. Mas por quanto tempo??

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Outro fator bem particular, que afeta o julgamento, é que o Brasil também mudou. Evoluímos. Melhoramos. Estamos looooooooooonge, muito longe de sermos um país que tenha alto grau de educação (tanto formal ? estudo, escolas , universidades) como educação social, respeito e consideração pelas pessoas como EUA e países da Europa. Mas de fato evoluímos, desconsiderando fatores políticos, PSDB, FHC, PT, Lula, tirem tudo isso de lado, a melhoria que tivemos também pode ter feito minha percepção dos EUA ser afetada.

Fica a pergunta, até que ponto estas considerações sobre a situação econômica dos EUA têm relação com os fenômenos sociológicos e comportamentais descritos??  Pode ter tudo a ver, ou nada a ver. Ampliar a discussão seria muito oportuno.

Há quem diga que frente a todos estes argumentos o país EUA nunca mais será como já foi um dia. Ainda têm o papel de “locomotiva do mundo” e liderança tecnológica, mas sabem que isso pode ser efêmero, o que antes parecia ser eterno. Nada é eterno. Egípcios, Gregos, Romanos, Espanhóis, Franceses, Ingleses, cada um deles, entre outros, já tiveram seus períodos de dominação econômica e cultural. Eu só não imaginava que um longo período de dificuldades econômicas pudesse de uma forma ou de outra afetar hábitos e a própria cultura do país.

Se voltarmos no tempo, ocorreu 1929 uma crise econômica de proporções ainda maiores que levou os EUA a um período de imensa recessão, penúria e dificuldades. Não por acaso que as gangues, como a Máfia, exerceram dominação em pontos do país e também nesta época a as dificuldades deixaram o povo bem mais rude e amargo. E depois deste período tudo se normalizou.

Acredito que agora o fenômeno seja parecido. Há sinais de recuperação a vista. Mas muitos dizem que a pujança de outrora não será mais a mesma. Empresas de tecnologia, aquelas que conhecemos um pouco mais de perto como INTEL, AMD, NVIDIA, CISCO, HP, etc., todas de origem americana seguirão ditando os passos do cenário tecnológico mundial. A cordialidade e o respeito extremo de outrora devem ser recuperados. Mas acho que pelo sim, pelo não, estudar inglês e também Mandarim é uma ótima idéia!!

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