Ernani Toso, CIO da Grendene, foi o segundo colocado na categoria
A governança de TI vem ajudando o departamento a aproximar-se das unidades de
negócios e a controlar melhor seus projetos
Em 2001, o escândalo financeiro
que levou à concordata uma das empresas mais reconhecidas dos Estados Unidos, a
gigante de energia Enron, culminou na lei norte-americana Sarbanes-Oxley, que
visa a garantir a criação de mecanismos de auditoria e segurança confiáveis. O
objetivo é mitigar riscos aos negócios e evitar a ocorrência de fraudes ou
assegurar que haja meios de identificá-las. Desde então, transparência na gestão
passou a ser fundamental e o termo governança ingressou de vez no vocabulário
dos executivos. Para a TI, a consequência foi quase que imediata. Ainda que a
lei não afetasse diretamente as companhias brasileiras, logo, os princípios da
governança de TI foram introduzidos em maior ou menor grau, dependendo do ramo
de atividade da corporação. Portanto, é compreensível o porquê de instituições
financeiras apresentarem modelos mais maduros.
Dentro do departamento de TI
do Banco Bradesco, há uma área específica para cuidar da governança. Estruturada
há cerca de três anos, segue, entre outras metodologias, o Cobit e conta com
pouco mais de 20 pessoas dedicadas, sobretudo, a garantir o valor da TI para o
negócio e a acompanhar o trabalho desenvolvido pelas demais unidades. Na
instituição, o próprio desenho do departamento de TI já aponta para um modelo de
governança estruturado. São cinco áreas: a de relacionamento com o negócio
captura as oportunidades para responder às necessidades da corporação; a de
desenvolvimento constroi soluções (sistemas, aplicações etc); a de produção faz
o processamento de dados; a de entrega centraliza os serviços e atende à
vanguarda do banco; e a de pesquisa e inovação foca em catalisar as novidades e
tendências tecnológicas.
Na base de tudo e para assegurar o sucesso do
processo, estão modelos específicos para cada unidade. Assim, todos os sistemas
construídos na instituição seguem um framework que obedece às melhores práticas,
criando um padrão de qualidade, conformidade e, é claro, segurança. “Cada área
tem instrumentação para governabilidade, e a governança reúne tudo para sabermos
o que está se passando em cada uma delas. Ela faz o link e oferece as
informações de forma colegiada à corporação”, detalha o vice-presidente de
tecnologia do Bradesco, Laércio Albino Cezar, campeão na categoria governança de
TI do prêmio Executivos de TI do Ano.
Por permear todos os campos, ela
verifica se o departamento está entregando o que prometeu. “É uma fotografia
quase instantânea”, compara Cezar. Esta radiografia é analisada durante as
reuniões semanais do comitê executivo de TI, quando diretores de tecnologia e de
negócio acompanham o status e a evolução dos projetos. Isto, explica o VP,
“fecha o ciclo da governança”.
Modelos consolidados
Um dos pilares do
sucesso de uma boa governança é seguir as melhores práticas. Adotar modelos
consistentes do mercado tem sido a receita de Ernani Toso, CIO da Grendene, e
segundo colocado na categoria. No departamento que comanda, já virou praxe
seguir os ensinamentos de Itil, Cobit, PMbok, tudo isto devidamente acompanhado
– e controlado – por balanced scorecard. “A governança faz tudo para garantir
que a TI esteja pronta e disponível para suportar as demandas das áreas”,
afirma.
Assim, manter todos os processos correndo em frameworks definidos
significa ter elasticidade para buscar soluções inovadoras. Há também na
Grendene a mesma preocupação do Bradesco de auditar o que a TI está fazendo e
como ela vem desenvolvendo. Dentro de um contexto maior de governança
corporativa, a tecnologia exerce papel crucial, à medida que tudo, atualmente,
passa por sistemas.
Toso conta com um comitê de gestão, formado por ele e
dois coordenadores – o de sistemas e o de suporte e serviços -, que se reúne
periodicamente para acompanhar as necessidades da fabricante de calçados. E,
mensalmente, governança entra na pauta. O CIO participa também das reuniões de
planejamento estratégico da Grendene.
Leia mais:
o Especial Executivos de TI do Ano 2010