O fascínio pelo mundo da tecnologia surgiu cedo para Fábio Mota. Nos trabalhos escolares, jogos de videogame e na navegação pela internet, o interesse pelo tema apareceu ainda na adolescência. A paixão, no entanto, consolidou-se apenas na graduação em Engenharia de Produção. No curso, que exigia uso intensivo do computador em cálculos e simulações, descobriu […]
O fascínio pelo mundo da tecnologia surgiu cedo para Fábio Mota. Nos trabalhos escolares, jogos de videogame e na navegação pela internet, o interesse pelo tema apareceu ainda na adolescência.
A paixão, no entanto, consolidou-se apenas na graduação em Engenharia de Produção. No curso, que exigia uso intensivo do computador em cálculos e simulações, descobriu que a tecnologia pode ser motor de transformação. Seu primeiro estágio, como projetista de ar-condicionado, também foi um divisor de águas: ali, o contato com softwares como o AutoCAD mostrou o impacto direto de ferramentas digitais na produtividade.
Na reta final da graduação, Mota ingressou em uma consultoria de serviços de TI. Foi nesse momento que sua carreira se definiu. “Unia minha afinidade com sistemas, raciocínio lógico e o desafio de aplicar tecnologia para gerar resultados concretos em diferentes setores”, conta.
No comando da área de tecnologia da Raízen, Mota continua a defender a inovação como agente de transformação. Para ele, a liderança em TI vai além de gerir projetos ou equipes: é um papel de mediação, tradução e alinhamento entre negócios e tecnologia. “A grande mudança foi o letramento mútuo: TI entender mais de negócios e os negócios compreenderem melhor a TI.”
Segundo ele, o desafio da liderança não está apenas no aspecto técnico, mas em conduzir mudança cultural – o chamado change management. É uma “via de mão dupla”, como define, que exige compreensão recíproca e novas formas de colaboração.
Leia mais: Cintia Scovine usa a tecnologia para transformar desafios em soluções
Essa abordagem foi fundamental na jornada de dados da Raízen, que rendeu ao executivo o prêmio Executivo de TI do Ano, na categoria Agronegócio. A companhia enfrentava um ambiente heterogêneo, com silos de informação e duplicação de dados. A solução passou por um trabalho robusto em arquitetura e governança, mas também pela democratização do acesso.
A organização criou a figura dos data owners, profissionais das áreas de negócios capacitados para derivar análises e soluções a partir de determinada etapa do processo. “Isso acelera a expansão do uso sem precisar alocar mais recursos de TI”, explica. O resultado foi um ecossistema mais ágil, em que a área de tecnologia deixa de ser um gargalo e passa a habilitar o crescimento.
Os ganhos, segundo Mota, vão além dos indicadores imediatos. Muitos resultados são intangíveis e estruturantes. Hoje, ele afirma, a empresa está mais preparada para os próximos capítulos, com maior uso de inteligência artificial (IA), camadas de IA generativa e novas formas de consumo de dados.
Ainda sobre a IA, ele ressalta o papel do líder em calibrar expectativas: “A primeira missão é dar clareza do que dá e do que não dá, ou do que dá, a que custo. Apostar em soluções tecnicamente possíveis, mas custosas ou sem a base adequada explica por que tantos projetos fracassam”.
Mota reforça o papel estratégico do CIO em tempos de transformação. “É como trocar o pneu com o carro andando. O líder de tecnologia precisa gostar desse desafio”, brinca.
*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.
Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!