Para Eduardo Falco, presidente da Oi, união das duas operadoras traria maior competição para o mercado nacional
Na opinião de Eduardo Falco, presidente da Oi (ex-Telemar), a fusão com a Brasil Telecom teria benefícios para o mercado nacional. “O País ganharia um segundo backbone nacional (hoje só a Embratel tem esta estrutura) e mais uma operadora de telefonia celular com penetração em todo o País”, disse a jornalistas durante a feira e congresso ABTA, em São Paulo.
A união das duas empresas, que poderia acontecer após as reorganizações societárias que as duas empresas estão fazendo (a Brasil Telecom com a saída da Telecom Italia e a Oi com a recompra de ações) e que poderia contar ainda com a participação da Portugal Telecom, tem agitado o mercado, principalmente depois que o ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou a criação de um grupo de estudos para estudar o negócio.
Segundo Falco, a união dos dois grupos poderia trazer ainda, ganhos de produtividade para a nova operadora, o que resultaria em redução de tarifas. “Em um mercado de consolidações, ter restrições para esse tipo de operação não faz sentido”, comentou ele, referindo-se a questões regulatórias que impediriam a união entre as duas empresas, como a definição de áreas de atuação para cada uma dentro do Plano Geral de Outorgas (o PGO, que coloca a Brasil Telecom no sul e no centro-oeste, e a Telemar em 16 estados).
Para Falco, a questão que o governo deve debater o modelo de País, e a intenção de ter um grupo forte no setor de telecomunicações, como acontece na Espanha (Telefônica), Itália (Telecom Italia) e, até mesmo no México (Telmex).
Na visão do mercado, no entanto, há um temor de que o governo estaria se movimentando no sentido de reestatizar o setor de telecomunicações, e trazer de volta a figura da Golden Share, participação acionária detida pelo Estado que, apesar de minoritária, confere a ele poderes especiais nas decisões dos rumos da empresa). “A Golden Share hoje é uma figura de linguagem. O BNDES tem Golden Share na Oi e nunca interferiu em nada”, argumentou Falco.
Na tarde desta terça-feira (07/08), o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Ronaldo Sardenberg, afirmou que o órgão irá pedir quatro assentos no grupo que irá debater a união entre Oi e Brasil Telecom, um a mais do que o estipulado inicialmente pelo Ministro. Segundo ele, as discussões podem se centrar neste acordo ou não, podendo ajustar as regras para que outras consolidações sejam permitidas.