Rafael Olivares, consultor de estratégia da fabricante, acredita que uma boa experiência de uma telco com o modelo pode impulsionar conceito
Falta ebulição no mercado de operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês), constata Rafael Olivares, consultor de estratégia da Ericsson, ao avaliar o conceito dentro do cenário brasileiro. O executivo esteve à frente do negócio da fabricante de equipamentos nesta seara na época da introdução do conceito na Espanha, em 2005.
O consultor comenta que o “status quo no mercado muda da noite para o dia” e isto pode desencadear um efeito dominó no que tange as operadoras móveis virtuais. “Se uma ‘incumbente’ tiver uma boa relação com a MVNO, o resto do mercado seguirá o mesmo caminho”, palpita, comparando o cenário vivido na Espanha com o pelo qual passa o Brasil.
Olivares salienta que a Espanha também verificou atrasos na adoção do conceito em comparação com outros países europeus. “A cultura latina é muito boa em proteger estruturas monopolistas”, comenta, dizendo que aquele país só adotou o modelo quando a União Europeia começou a exercer pressão para que o passo em direção ao compartilhamento das estruturas fosse dado.
De acordo com ele, a rede não gera mais o valor que gerava no início de negócio com o consumidor percebendo valor na ponta do negócio com aplicações e aparelhos. Resta as telcos começaram a investir em estratégias no relacionamento com clientes e portfólio de serviço que atinja a maior quantidade de usuários. “No final, a Telefônica foi a mais ativa em MVNO que outros competidores”, avalia.
A entrada no mercado, segundo o executivo, deve basear-se em preço, para, nos estágios seguintes, crescer em serviços de valor agregado que proporcionem uma experiência singular aos usuários. Segundo Olivares, para uma MVNO atingir êxito é necessário demonstrar ao fornecedor de insumos de rede uma estratégia de ganha-ganha e atentar-se a cada detalhe e dígito do contrato. “É preciso acordar um desconto entre 25 e 30% sobre o preço de compra de capacidade”, comenta.
O executivo cita ainda o fato de que, historicamente, poucas redes de varejo e utilities obtiveram sucesso quando empreenderam nas iniciativas de telecom. “Muitos veem os negócios de comunicações móveis como um paraíso”, comenta, apontando que experiência e seriedade é fundamental. “As operadoras sabem como jogar o jogo e tem margem para vencer a partida”, aposta.
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