Diretor de inovação da fundação falou durante abertura do 53º Painel Telebrasil
A felicidade que toma conta da população quando um país é escolhido para sediar uma Copa do Mundo ou Olimpíada não contempla os desafios que a nação enfrentará para prover toda a infraestrutura necessária para dar conta da competição. E, quando se fala no Brasil, o negócio é um pouco mais complicado. Principalmente se levar em consideração a afirmação do diretor de inovação do Finep, Eduardo Costa: “não temos grande tradição em planejamento no País.”
Com esta frase, o executivo abriu sua apresentação no 53º Painel Telebrasil, que este ano focou suas discussões no Projeto Nacional de Banda Larga. O foco do discurso foi a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. “Possivelmente trataremos com seriedade depois da Copa de 2010. Temos problemas de infraestrutura para serem resolvidos. Temos um segundo problema que é logístico”, pontuou.
Diante do problema, o executivo explicou que o Finep juntou pessoas interessadas em se beneficiar da onda Copa do Mundo e esse grupo elaborou um projeto que contempla sete grandes temas: somos todos iguais, passaporte eletrônico, copa verde, Brasil de todos os brasileiros, contexto internacional, passagem da bola e iluminação das 12 cidades sede.
De todos esses, Costa focou em iluminação, que é o tema onde a banda larga é contemplada. “Precisaremos surpreender os turistas que estarão aqui e seus agregados”, frisou. E a resposta para atingir esse objetivo ele já tem: virá do FUST, que é um grande volume de dinheiro que está parado. “Começamos a montar a ideia que é destravar o projeto de iluminar por meio da banda larga. Não é apenas melhorar o que tem hoje, mas fornecer uma melhor ou igual a que o sujeito tem no exterior.”
O Fust arrecadou de 2001 a 2008 R$ 6,7 bilhões e o dinheiro ainda não foi aplicado em nenhum projeto. A ideia de utilizá-lo nessa democratização da banda larga, sobretudo nas cidades sede da Copa 2014, de acordo com Costa, entusiasmou o presidente Lula. “Ele deu sinal verde para essa atividade. Vamos trabalhar no projeto e um dos temas é esse. A oportunidade é grande e a vantagem é que a Copa não pode adiar. Temos que fazer já para que esteja disponível em 2014.”
Márcio Wohlers de Almeida, diretor do Ipea, reconheceu a importância do projeto, mas destacou necessidade de agir rapidamente e mandou um recado: “banda larga faz parte da infraestrutura e deve ter qualidade, preço e cobertura adequadas às competitividades do País.”
Antonio Carlos Valente, presidente da Telebrasil, foi na mesma linha, mas ressaltou que um evento como a Copa do Mundo precisa deixar um legado. “É um compromisso assumido com a comunidade internacional. Não queremos apenas esporte, tem que deixar legado para o País. Em telecomunicações, as coisas têm que dar certo. Será uma exposição do Brasil em nível internacional.”
*O repórter foi ao Guarujá (SP) a convite da Telebrasil.
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