Com investimentos acima de R$ 1 milhão e promessa de ROI em 18 meses; franqueadas da operadora em São Paulo amargam prejuízo
Doze franquias (de um total de 19) parecem não estar nada contentes com a estratégia de entrada da Oi no mercado paulista. Dez dessas revendas focadas em clientes corporativos do sistema “Oi para Negócios” contrataram o escritório Leite de Barros Zanin Advocacia e Menezes e Abreu Advogados e entraram na justiça contra a operadora.
Segundo o advogado do escritório, Rodrigo Leite de Barros Zanin, as franqueadas alegam que a Oi cometeu erros graves na formatação da estratégia de penetração no mercado de São Paulo. De acordo com as franquias, a operadora dividiu o Estado de São Paulo em 19 áreas distribuídas às franquias, prometendo faturamento médio de R$ 300 mil para as parceiras no primeiro trimestre de operação, com negócios chegando a R$ 1,8 milhão a partir do terceiro ano.
Ao iniciar as operações, no último trimestre de 2008, os franqueados tinham a expectativa de retorno rápido sobre o investimento médio de R$ 1,3 milhão que cada uma teria de desembolsar para começar a operar com a marca. Os recursos seriam, em grande parte, para montar uma estrutura imponente para atingir o segmento corporativo, no qual as franquias atuariam com prioridade.
Para Zanin, os parceiros da Oi foram levados a ingressar em um sistema de franquia que passava uma ideia de sucesso, porque partiram do pressuposto de que a operadora havia testado previamente o modelo, em termos comerciais e de viabilidade financeira.
“A Oi mostrou um business plan maravilhoso”, diz o empresário de uma franquia da operadora que preferiu não se identificar. Segundo o executivo, foi preciso comprovar um capital para investimento de suporte ao negócio para ingressar na rede de revendas da marca.
A franqueada começou os trabalhos em agosto, com 60 consultores de venda, para a entrar, efetivamente, no mercado no final de outubro. Segundo o empresário, as vendas eram baixas pelo fato de que o produto oferecido pela Oi não estar adequado ao mercado de São Paulo. Um novo perfil de oferta foi formatado em novembro, com pequena melhora nos resultados.
Até agora, os valores prometidos não se concretizaram e, segundo o advogado, cada franquia amarga prejuízo médio mensal na casa de R$ 60 mil. “Aparentemente, o negócio oferecido para as franqueadas seria altamente rentável”, comenta Zanin, que representa dez dessas empresas em ações judiciais movidas contra a Oi.
Segundo o representante, outras duas franquias contrataram outro escritório de advocacia, uma outra teria optado por encerrar operações, outra pretende acionar a justiça nas próximas semanas e o restante não ingressaram com ação por terem negócios com a Oi em outros estados.
Dentro os fatores que prejudicaram os negócios, as franqueadas citam problemas de cobertura de sinal em algumas regiões, falta de modelos de aparelhos celulares procurados pelos clientes e por planos de vendas incoerentes com a realidade do mercado paulista, onde grandes concorrentes já marcam presença.
Segundo Zanin, em 3 de março, um executivo da operadora – contratado em fevereiro para mudar os rumos de negócio no segmento corporativo – convocou uma reunião com os franqueados para tratar dos problemas. A solução proposta pelo executivo, segundo o advogado, seria cortar custo, na contramão dos investimentos exigidos inicialmente pela Oi.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Oi informou que vê nas ações movidas por franqueados de São Paulo uma iniciativa isolada de um grupo restrito e não reflete o desempenho da companhia no segmento empresarial. Segundo a operadora, a expectativa de retorno está atrelada ao desempenho de suas franquias. “O sucesso do parceiro implica resultado positivo para a companhia”, disse.