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Fraude liga empresas de telefonia à Máfia na Itália

Duas empresas italianas do setor, Fastweb e Telecom Italia Sparkle, foram envolvidas em esquema que vendia tráfego inexistente de ligações internacionais.

Publicado: 10/05/2026 às 21:26
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Fraude liga empresas de telefonia à Máfia na Itália
Construção civil — Foto: Reprodução

Duas das maiores operadoras de telefonia da Itália foram envolvidas em um amplo esquema de fraude supostamente organizado por membros da Máfia calabresa, considerada o mais poderoso e perigoso dos grupos de crime organizado daquele país, informaram os jornais italianos nesta quarta-feira (24/2).

O juiz Aldo Morgigni, de Roma, emitiu na terça-feira (23/2) mandados de prisão para 56 pessoas acusadas de participar de uma fraude de 2 bilhões de euros, envolvendo a compra e a venda de tráfego internacional telefônico inexistente e a evasão de 400 milhões de euros em impostos.

Entre os alvos mais visíveis da operação está Silvio Scaglia, ex-CEO da operadora móvel Omnitel e fundador da promissora empresa de internet e telefonia Fastweb. Scaglia, que se tornou o 13.º italiano mais rico desde que vendeu a Fastweb à Swisscom em 2007, estava viajando pela América Latina quando surgiram as notícias sobre seu mandado de prisão.

A outra empresa envolvida no escândalo foi a Telecom Italia Sparkle (TIS), subsidiária da Telecom Italia especializada no tráfego de telefonia internacional de alto valor. O ex-CEO da TIS Stefano Mazzitelli estava entre os presos na terça-feira, enquanto o ex-presidente da empresa, Riccardo Ruggiero, está sob investigação. O atual CEO da Fastweb, Stefano Parisi, também está sob investigação.

Carrossel
Em um documento de 1.600 páginas em que justifica as prisões, o juiz Morgigni descreveu a fraude “carrossel” como uma das maiores da história italiana. O documento alega que a TIS e a Fastweb recebiam pedidos falsos em combinação com quatro empresas italianas: CMC, Web Wizard, i-Globe e Planetarium.

Os pedidos diziam respeito a serviços inexistentes, e permitiam aos participantes da fraude enviar grandes quantias em dinheiro para a TIS e para a Fastweb, lavando o dinheiro no exterior por meio de empresas e bancos em locais como Panamá, Hong Kong, Luxemburgo, Suíça, San Marino, Viena e Londres.

O esquema também permitia aos participantes solicitar o reembolso de impostos ao governo.

A Fastweb e a Telecom Italia SpA, empresa controladora da TIS, emitiram comunicados em que insistem que a atividade criminal foi realizada há anos e as duas empresas envolvidas foram as vítimas, não as perpetradoras da fraude alegada

A Fastweb disse que uma eventual nomeação de um interventor apontado pela Justiça não afeterá a prestação de serviços a seus consumidores.

A Swisscom sabia da controvérsia sobre os impostos quando comprou a Fastweb e disse que vai colaborar com os investigadores, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira.

Por outro lado, o juiz Morgigni afirmou, em seu mandado de prisão, que as práticas de negócio da Telecom Italia Sparkle “nitidamente levantam o problema da responsabilidade dos diretores e dos gerentes da empresa à qual a TIS pertence, em outras palavras a Telecom Italia SpA”.

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