GM e Fundação Bradesco focam no desenvolvimento da TI voltado para os negócios
Quando se fala em TI alinhada ao negócio parece algo velho, ultrapassado e pisar em lugar comum. Mas existe um consenso de que são poucos aqueles que realmente conseguem esta proeza de fato. Não é fácil desenhar uma estratégia voltada estritamente para os interesses da companhia sem reduzir a importância da tecnologia da informação – pelo contrário, esse movimento tende a ampliar o valor do departamento – e transitar com certa tranquilidade pelas diversas áreas de negócio, garantindo a tal da comunicação, que é extremamente importante, mas, por vezes, é deixada um pouco de lado. De maneiras diferentes, Cláudio Martins, CIO para América do Sul da General Motors, e Nivaldo Marcusso, promovido recentemente a superintendente-executivo da Fundação Bradesco, atingiram este objetivo. E, com isto, conquistaram, respectivamente o primeiro e segundo lugares na categoria estratégia de TI do prêmio Executivos de TI do Ano.
Na GM, o futuro pode ser decretado de duas maneiras, como explica Martins: diretriz global, já que trata-se de uma montadora multinacional, e necessidades do dia a dia que forçam a elaboração de um plano. Atualmente, eles trabalham com estratégias definidas para períodos de um a três anos, sendo que há revisões anuais. “Temos um gerente por área de negócio e reuniões para definir esse plano. Fora isso, precisamos estar preparados, vivemos em um mundo de mudanças e precisa-se reagir e, na GM, isto é parte da cultura”, ensina o CIO.
Martins lembra que, embora exista um planejamento, não se pode ser inflexível e estar preso a uma diretriz que não condiz com a realidade vivenciada em determinados momentos. “Temos reuniões gerenciais e reagimos rapidamente. A estratégia de longo prazo determina um rumo e o curto prazo é como um vento, faz desvios, levando a mudanças no plano.”
Saindo um pouco do planejamento e passeando pela importância da TI dentro da GM, o CIO afirma que uma mudança drástica ocorreu há mais de dez anos, quando a montadora se desfez de seu braço de tecnologia (EDS) e montou uma equipe interna, mas “de forma avançada”, como ele mesmo falou. “A TI virou parte do negócio. Usamos em tudo, pois melhora a competitividade e a automação no processo de fábrica gera ganhos e uma eficácia ainda maior.” Esta guinada foi possível pela especialização dos funcionários que atuam diretamente para a empresa, já que a montadora é um reconhecido caso de sucesso em terceirização.
Por lá, eles possuem um balanced scorecard com metas para cumprir a cada ano e o plano de trabalho precisa ser executado em manufatura, engenharia, design, ou seja, todos os departamentos que, de alguma forma, dependem da TI. “Em reuniões com as áreas de negócios discutimos o que foi acordado, o que se fez, o que surgiu de novo e o que vemos para os próximos ciclos. Em algumas áreas, este encontro é mensal; em outras, semanal”, afirma Martins.
Força humana
Mas, enquanto um lida com uma indústria altamente competitiva e precisa pensar muito na concorrência, o segundo colocado, Nivaldo Marcusso, tem seus dias preenchidos por preocupações que dependem não apenas da tecnologia, como das pessoas. Com o claro objetivo de se tornar a melhor escola em cada região na qual atua até 2012, a Fundação Bradesco nutre um carinho especial pela TI. Não é à toa que Marcusso atualmente comanda sete áreas, entre elas, finanças. “Todo projeto de TI que temos é para suportar esse movimento [de melhor escola]”.
Para isso, a TI da fundação trabalha com quatro grandes indicadores: atender às expectativas do cliente; viabilizar informação estratégica para tomada de decisão, garantir o acesso à informação e a integridade e a confiabilidade. “Com isso, montamos algo para que o objetivo seja atingido e serve para área financeira e administrativa. A TI está muito integrada.”
A importância que a Fundação Bradesco dá à tecnologia da informação remonta ao ano de 2003, quando começou-se a utilizar o conceito de planos estratégicos com balanced scorecard (BSC). O formato surgiu na instituição via TI e seguiu para as áreas de negócios. E quem pensa que a equipe de Marcusso está apenas focada em 2012, ele avisa que, atingida a meta, eles passarão a trabalhar com mais força no plano 2022, cujo foco será o deslocamento. “Isto é no sentido de estar no Brasil sem necessidade de construir escola, pela escola virtual. Já chegamos a 38% dos municípios. Assim, poderemos ser os melhores e estar presentes, em linha com o slogan do Bradesco”, compara, salientando que, para que isto aconteça, ainda precisará identificar uma tecnologia que suporte todo esse movimento, sobretudo da escola digital.
Leia mais:
o Especial Executivos de TI do Ano 2010