Como organizar e disseminar informações espalhadas por diversas fontes traz grandes desafios às empresas
Se por um lado a mudança cultural e a resistência das pessoas são imensas barreiras que podem até comprometer o sucesso de um projeto de gestão do conhecimento em determinadas áreas, algo que ainda permanece como desafio e deve continuar sendo por algum tempo é a gestão dos dados não-estruturados. Aquela informação que seus funcionários guardam em pen drive, no HD, anotam em blocos ou mesmo está armazenado no cérebro. E pasmem, de acordo com o analista da IDC, Samuel Carvalho, cerca de 80% do conteúdo crítico é de dados não-estruturados. “É um conteúdo que cresce vertiginosamente com as mídias sociais. As empresas não conseguem estruturar e tirar inteligência”, afirma.
“Quando fala em taxonomia e gestão da informação, é preciso prevenir que informações não estejam em pen drive ou desktop. Isto significa falta de processo e as áreas de TI e RH precisam definir processos que devem ser monitorados. Sem TI não funciona. É difícil calcular a perda quando alguém sai da companhia e leva uma planilha, por exemplo”, ensina Santos, professor convidado da FIA.
O especialista lembra ainda que, embora o mercado disponha de diversas ferramentas, portais e wikis, o processo é a parte mais importante quando se fala em dados não-estruturados. Boughzala concorda que esses dados permanecem sendo um problema, mas adianta que a indústria tem investido pesado no desenvolvimento de soluções que possam, ao menos, amenizar a questão.
Em geral, as companhias que investem em ações de gestão do conhecimento começam pelas informações estruturadas, por ser menos custoso e também estar ao alcance de forma mais fácil. No Fleury, entretanto, a ordem é não salvar nada no HD e muito menos em pen drive. “É muito comum, no desenvolvimento, acessar um código, fazer alteração e deixar no desk, mas a orientação é para que não se faça isso, pois o HD pode pifar”, lembra Alberto, gerente-sênior de projetos.
Gerir o dado estruturado ou não, entretanto, como frisam os especialistas, é apenas parte da gestão do conhecimento. Um projeto nesta área precisa funcionar como um movimento onde condições favoráveis à construção do conhecimento sejam criadas e, esse conhecimento, por sua parte, vire insumo de apoio em processos de tomada de decisão e também de inovação. É fácil? Não. Se você e seus pares forem capazes de costurar uma proposta mostrando o real valor da gestão do conhecimento para a alta direção, entretanto, é praticamente certo que ela será alçada a uma das principais prioridades, já que, o investimento alocado inicialmente é revertido em economia futura. A proliferação de redes sociais, a chegada de profissionais que interagem em fóruns, wikis, blogs e a própria necessidade de aprender sempre que as novas gerações trazem fatalmente forçará as corporações investirem, cedo ou tarde, nesta frente. É o preço que se pagará para ser dono do conhecimento.
Principais desafios
– Estar aberto a aprender com o passado e não cometer os mesmos erros;
– Saber quais áreas de conhecimento capitalizar, desenvolver/suportar e, algumas vezes, esquecer;
– Identificar o conhecimento crítico que precisa ser transmitido às novas gerações;
– Apontar quem conhece;
– Entender que informação pode ser compartilhada;
– Criar conhecimento a partir das ideias que já existem
Dicas para quem vai iniciar um projeto*
– Fazer um mapa do domínio de conhecimento na empresa é o primeiro passo;
– Desenvolver uma estratégia de gestão do conhecimento dependendo dos objetivos do negócio e das necessidades de informação;
– Definir ações concretas de acordo com a natureza do conhecimento: livro de conhecimento (conhecimento de especialista), tutoria/coaching/contador de histórias (conhecimento tácito), intranet/portal do conhecimento/treinamento/e-learning (conhecimento explícito), rede social (conhecimento interpressoal), blog/wiki/grupo (conhecimento compartilhado);
– Começar pequeno para depois expandir as ações.
*Fonte: doutor Imed Boughzala, especialista em gestão do conhecimento e professor associado do Institut Telecom, na França