ITF Portal - Banner Topo
Slot: /23408374/itf-ad-banner-topo
720x300, 728x90, 728x210, 970x250, 970x90, 1190x250
agentes de IA
Cielo

“Este será o último ano com gestores dedicados apenas a pessoas”, revela CEO da Cielo sobre avanço dos agentes de IA

A Cielo reuniu a imprensa nesta quinta-feira (14), em seu escritório em São Paulo, para o Cielo Day, encontro que marca os 30 anos da companhia, e detalhou a aceleração de sua transformação digital após o fechamento de capital. Em meio à apresentação dos avanços em integração com bancos, cultura de dados e expansão do […]

Publicado: 12/03/2026 às 21:24
Leitura
8 minutos
Estanis Bassols, CEO da Cielo, durante o Cielo Day, IA agêntica
Construção civil — Foto: Reprodução

A Cielo reuniu a imprensa nesta quinta-feira (14), em seu escritório em São Paulo, para o Cielo Day, encontro que marca os 30 anos da companhia, e detalhou a aceleração de sua transformação digital após o fechamento de capital.

Em meio à apresentação dos avanços em integração com bancos, cultura de dados e expansão do uso de inteligência artificial (IA), Estanis Bassols, CEO da Cielo, afirmou que 2025 será o último ano em que a empresa terá gestores atuando exclusivamente na liderança de pessoas. Ela agora se estenderá também aos agentes de IA. Para ele, “a forma de organizar o trabalho está mudando”, e esses agentes passarão a ocupar um papel estrutural na operação.

Segundo Bassols, a empresa vive “uma das maiores transformações de sua história”, impulsionada pela adoção da filosofia AI First. O executivo reforçou que tecnologia, governança e aculturamento são hoje os três pilares que sustentam a evolução da companhia. “A verdadeira revolução da IA começa quando as pessoas usam a tecnologia para pensar melhor, decidir com mais precisão e transformar o trabalho em algo estratégico”, disse. Ele afirmou ainda que utiliza diariamente um agente pessoal de IA para priorizar tarefas. “O agente me ajuda muito. Ele qualifica, sugere, reorganiza. E isso muda a forma de trabalhar.”

Bassols destacou que muitos líderes da organização já passaram pelo que chamou de “momento de virada”. Atualmente, a Cielo opera cerca de cem agentes de IA e mais de 500 frentes envolvendo machine learning, IA generativa e IA agêntica.

O encontro também trouxe números que evidenciam o tamanho da operação da empresa. De acordo com Bassols, 7% do PIB brasileiro circulam pela Cielo, o equivalente a R$ 880 bilhões. São 23 milhões de transações processadas por dia, capacidade para 13 mil transações por segundo, presença em 99% dos municípios e um time de 7 mil funcionários.

O CEO disse que, após o fechamento de capital, a relação com bancos evoluiu rapidamente. “Conseguimos acelerar porque há mais clareza de incentivos e alinhamento. Aumentamos quase quatro vezes a força técnica dedicada aos bancos. E agora estamos dentro das jornadas dos apps, o que torna a contratação mais fluida”, afirmou. Ele também destacou a busca por “um onboarding mais unificado” nos serviços de pagamento.

Segundo o executivo, essa evolução só foi possível porque a companhia trabalhou intensamente em cultura. “Ambição transformadora, colaboração, empatia assertiva, senso de dono e senso de urgência. Nada disso nasce do dia para a noite. É construção”, afirmou. Para ele, “nenhuma transformação séria em IA acontece sem governança de dados, sem estrutura comum, sem capacidade de reaproveitar componentes”.

Tecnologia como pilar

Ao detalhar a frente tecnológica, a empresa explicou que começou sua jornada de IA há cinco anos, com foco em machine learning. O trabalho se expandiu no último ano com a adoção de IA generativa, que, segundo Carlos Alves, CTO da Cielo, gerou impacto direto em atendimento, logística e desenvolvimento. “A capacidade de geração de conteúdo e interpretação mudou a forma como abrimos chamados, criamos documentação e orientamos clientes”, afirmou.

Alves destacou que o autoatendimento 24 horas via WhatsApp já processa mensagens, diagnostica problemas e sugere encaminhamentos com alta precisão. Na logística, a IA é capaz de analisar sinais emitidos pelas máquinas, prever falhas e antecipar trocas. “Hoje, quase 40% das substituições acontecem antes mesmo de o cliente perceber o problema”, disse.

A adoção de IA generativa também impactou diretamente os times de engenharia. O copiloto interno, explicou ele, acompanha toda a esteira de desenvolvimento. “O agente participa da ideação, ajuda a estruturar os requisitos, escreve código, sugere otimização, propõe cenários de testes e promove releases. Ele funciona como um par sênior que não cansa”, contou.

Nos últimos seis meses, a companhia iniciou a implantação da IA agêntica, vista internamente como o estágio mais transformador. Os agentes são treinados com memória, regras de ação e autonomia regulada. “Todos eles têm uma clara fronteira: o que podem decidir, o que precisam encaminhar, o que devem travar”, afirmou Bassols.

Um exemplo citado foi o agente incorporado ao extrato do cliente, capaz de identificar e executar automaticamente antecipações de recebíveis. Outro, dedicado a chargeback, analisa milhares de pedidos com mais precisão. Há também agentes de lavagem de dinheiro e fraude, que avaliam riscos e encaminham para humanos apenas quando necessário. Na infraestrutura, a capacidade passou a ser autorregulada. “No passado, especialistas provisionavam acima da necessidade para garantir estabilidade. Hoje, os agentes equilibram automaticamente”, explicou Alves.

Leia também: Metade dos líderes de infraestrutura e operações estão adotando IA para reduzir custos

O diretor afirmou ainda que esses agentes são construídos com base em padrões e que parte deles já é gerada pela própria IA, o que aumenta velocidade e consistência. “Se quero escalar, preciso padronizar. E a IA está ajudando a padronizar tudo, da documentação ao código, do risco ao atendimento”, disse.

Ele destacou que a expansão exige uma arquitetura robusta, com dados estruturados, modelos alinhados e guardrails que limitem alucinações e decisões incorretas. “Estamos evoluindo para uma camada de APIs que permitirá que agentes negociem entre si. Isso muda a velocidade das aplicações”, afirmou.

Os resultados apresentados refletem o impacto da estratégia. A IA trocou mais de 143 mil mensagens com clientes, com tempo médio de resposta de 0,3 segundo. A URA cognitiva atingiu 90% de precisão. Apenas no primeiro mês de operação do assistente no extrato, foram registradas 35 mil interações. A integração de IA e novas metodologias reduziu em R$ 90 milhões os custos logísticos. O prazo de entrega de máquinas caiu significativamente, como no caso de Congonhas do Norte, onde passou de dois dias para quatro horas. As reclamações caíram 50% e o NPS bateu recorde histórico.

Bassols apontou que a IA também tem sido decisiva para o crescimento do PIX na Cielo. “O PIX cresceu 163% para nós. E pela primeira vez vamos ter uma Black Friday em que ele pode se aproximar do cartão de crédito”, afirmou. A empresa foi a primeira a implementar integralmente os protocolos do Banco Central no POS e criou o produto “Vendeu Tá na Conta”, que credita o valor ao lojista no mesmo dia, incluindo fins de semana e feriados.

No e-commerce, o TPV ultrapassou R$ 100 bilhões em junho, com crescimento de 30% no ano e aumento de 126% nas implementações de clientes. “Reduzimos o tempo de implementação em 53%. Automação faz diferença real no comércio eletrônico”, disse Alves.

Digitalização segue adiante

A Cielo também destacou avanços em mercados B2B tradicionalmente dependentes de boleto e dinheiro. Bassols citou o caso do abastecimento de aeronaves executivas, que antes era pago exclusivamente por boleto e agora aceita cartão e PIX. O piloto foi realizado em 16 aeroportos e deve chegar a 94. No varejo de bebidas, a maquininha LIO digitalizou cobranças e reduziu inadimplência. No transporte urbano, a Cielo está presente em 20 praças e deve dobrar esse número até 2026.

Em estudo apresentado durante o evento, a empresa identificou diferenças geracionais no comportamento de consumo. Para Bassols, os dados mostram uma mudança importante. “A digitalização não separa as gerações; a forma como cada uma convive com a tecnologia, sim”, afirmou.

A geração Z compra mais on-line, especialmente vestuário e eletrônicos, enquanto a geração X mantém preferência por lojas físicas, mas adota e-commerce principalmente para farmácias e delivery. O ponto comum é a escolha prévia do meio de pagamento: 50% dos consumidores decidem como vão pagar antes da compra. “Confiança vai ser o principal vetor de inovação nos próximos anos. Por isso estamos fortalecendo tanto a segurança do PIX”, disse o CEO.

Ao final do encontro, Bassols reforçou que a empresa testou 174 ferramentas de IA nos últimos meses. “Testar, aprender, incorporar e mudar de novo. Essa vai ser a rotina”, adiantou. Ele destacou que a orquestração entre custos, cultura, treinamento, contratação e governança será decisiva. Alves acrescentou que o futuro da IA na companhia dependerá de novas arquiteturas capazes de ampliar a comunicação entre agentes. “A velocidade vai aumentar. E precisamos estar prontos para isso”, alertou.

Bassols encerrou afirmando que, apesar da automação crescente, manter contato direto com o cliente seguirá essencial. “Não tem uma vez em que eu vá para o campo e não converse com clientes e equipes de operação. Tecnologia amplia capacidade, mas nada substitui entender o que acontece na ponta”, afirmou. Para ele, o equilíbrio entre inovação e execução será o diferencial da Cielo na próxima década.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

As melhores notícias de tecnologia B2B em primeira mão
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada
Imagem do ícone
Notícias
Imagem do ícone
Revistas
Imagem do ícone
Materiais
Imagem do ícone
Eventos
Imagem do ícone
Marketing
Imagem do ícone
Sustentabilidade
Notícias relacionadas