O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lançou nesta segunda-feira (15) uma plataforma de orientação profissional impulsionada por inteligência artificial. Desenvolvida em parceria com o Google Cloud, a ferramenta gratuita oferece aconselhamento personalizado de carreira e busca atacar um problema crônico do mercado brasileiro: a dificuldade de preencher vagas por falta de qualificação específica. A […]
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) lançou nesta segunda-feira (15) uma plataforma de orientação profissional impulsionada por inteligência artificial. Desenvolvida em parceria com o Google Cloud, a ferramenta gratuita oferece aconselhamento personalizado de carreira e busca atacar um problema crônico do mercado brasileiro: a dificuldade de preencher vagas por falta de qualificação específica.
A iniciativa faz parte de um convênio de cinco anos firmado entre as instituições. Segundo Luiz Eduardo Leão, gerente de tecnologias educacionais do Senai, o cenário exige adaptação rápida das estratégias de qualificação profissional. “Estamos vivendo uma grande transformação digital que impacta de forma muito significativa como a educação emprega o cidadão”, afirma.
O objetivo é entregar uma ferramenta “hiperpersonalizada”, capaz de entender as aspirações do indivíduo e conectá-las às oportunidades reais de trabalho disponíveis no mercado.
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Acessível via navegador e otimizada para dispositivos móveis, a plataforma integra o ecossistema de IA da instituição, batizado de Nai. O diferencial está na capacidade de processar dados não estruturados: o usuário pode fazer o upload de um currículo em PDF ou, caso não tenha o documento, descrever sua trajetória profissional por áudio ou texto.
Utilizando o modelo Gemini, do Google, a IA analisa o histórico do candidato e aplica um diagnóstico em três camadas: aspirações profissionais, habilidades técnicas (hard skills) e comportamento profissional (soft skills). O sistema é capaz de gerar testes de conhecimento específicos para a área declarada e simular situações de conflito para avaliar a postura no ambiente de trabalho.
Ao final da avaliação, a ferramenta calcula o que os especialistas chamam de “brecha de competência”, a distância entre o que o profissional domina hoje e o que o mercado exige. “A IA calcula o que falta para chegar onde o usuário quer e recomenda conteúdos personalizados de aprendizagem”, explica Milton Burgese, diretor de vendas do Google Cloud para o Setor Público na América Latina.
Segundo Burgese, a nuvem atua como porta de entrada para democratizar o acesso à inteligência artificial. “A plataforma funciona como um grande orquestrador de agentes. Por trás, ela consulta todo o arcabouço de cursos do Senai e traz isso de maneira conversacional”, detalha.
Durante o lançamento, foi destacado o uso de grounding (ancoragem) nos dados curriculares do Senai para evitar o risco de “alucinações”, quando a IA inventa informações. Burgese ressalta que a inteligência não tira as recomendações “do nada”. “Ela tira do que aprendeu com o material do Senai. Tudo é muito centrado no que a instituição determina como estratégia e material didático”, afirma.
Isso garante que as sugestões de cursos e trilhas sejam balizadas pelos itinerários formativos oficiais e validadas por comitês técnicos da indústria. Essa curadoria se estende às sugestões de conteúdo: inicialmente, a plataforma recomenda vídeos do YouTube que passam por filtro de qualidade, mas o roadmap prevê integração total com o catálogo de cursos do Senai e criação de trilhas de aprendizagem proprietárias nos próximos meses.
Mais do que uma vitrine tecnológica, o projeto carrega forte viés de inclusão. Leão reforçou que a ferramenta foi desenhada pensando na realidade da maioria dos alunos da instituição, pertencentes às classes C e D. “O Senai é a cara do Brasil. A gente convive todos os dias com esses anseios e sabe da importância de oferecer uma solução dessa, porque é muito complexo esse assessoramento em escala via mentoria humana”, afirma.
A plataforma também atua como agregador de oportunidades, integrando-se ao Google Jobs. Após receber o diagnóstico e as sugestões de qualificação, o usuário é direcionado para vagas abertas em sua região que correspondam ao perfil validado.
A versão apresentada é apenas o primeiro passo de uma estratégia mais ampla. Para 2026, a expectativa é expandir a solução para alcançar centenas de milhares de usuários e incorporar novas funcionalidades, como simuladores de entrevista e mentoria online estruturada.
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