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Google e Apple terão ações negociadas na Bovespa

Os papéis das duas empresas devem atrair novos investidores e podem servir como trampolim para que outras companhias de tecnologia entrem na bolsa.

Publicado: 17/05/2026 às 21:48
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Google e Apple terão ações negociadas na Bovespa
Construção civil — Foto: Reprodução

Existe uma expectativa de que ainda neste semestre, os brasileiros possam investir nas ações da Google e da Apple, que serão negociadas pela BM&F Bovespa, em conjunto com outros papéis de grandes corporações – já negociadas nas bolsas de valores norte-americanas. A nova modalidade de investimentos em títulos de empresas estrangeiras promete representar até 10% do total movimentado pela Bovespa em três anos, segundo Ricardo Nascimento, diretor de custódia do Deutsche Bank Brasil, primeira instituição autorizada a trazer os papéis para o País.

Para os especialistas, os papéis da Google e da Apple devem estar entre os que mais vão despertar interessados. Ambas têm uma marca bastante conhecida entre os brasileiros que, por sua vez, ainda contam com poucas opções para investir em ações de empresas de tecnologia com capital aberto na bolsa local.

“Não há companhias similares disponíveis no mercado de ações brasileiro. Além disso, a Apple e a Google são marcas muito difundidas, extremamente próximas dos brasileiros”, afirma o professor de finanças da Brazilian Business School (BBS), Ricardo Torres, que acrescenta: “Elas já possuem um marketing institucional que, por si só, contribuirá para atrair investimentos.”

Segundo Torres, outras marcas que podem se destacar nessa nova modalidade serão o Walmart e o McDonald’s, que também entrarão no pacote de ações apresentadas ao investidor brasileiro no segundo semestre. A lista, com dez empresas, também inclui duas gigantes do setor financeiro ­ Bank of America e Goldman Sachs ­, a siderúrgica Arcelor Mittal, a mineradora Billiton, a petrolífera Exxon Mobil e a indústria de medicamentos Pfizer.

O professor e educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, Mauro Calil, concorda. “Com essas empresas não há barreira em relação ao desconhecimento. Quem, atualmente, não faz uma pesquisa no Google? O mesmo vale para a Apple’, avalia o especialista. “Haverá demanda pelos papéis dessas empresas porque elas são conhecidas, com filiais no Brasil, e têm apresentado bom desempenho”, complementa.

Recentemente, levantamento da consultoria inglesa Millward Brown Optimor colocou a Google em primeiro lugar na lista das 100 marcas mais valiosas do mundo pelo quarto ano consecutivo. A Apple ficou com o terceiro posto. Outra pesquisa, da revista Fortune, realizada com empresários, apurou que as duas gigantes de TI são as empresas mais admiradas do planeta.  Calil, adverte, contudo, que, como qualquer outra ação, trata-se de uma opção de investimento de risco.

Em 2009, nos Estados Unidos, as ações da Google valorizaram 102%, acima do índice Nasdaq, que teve uma taxa de crescimento de 44%, e do Ibovespa, principal índice da BM&FBovespa (82,7%). Mas, de janeiro a abril de 2010, os papéis da empresa recuaram 15%, para atingir 525,70 dólares. Já a cotação das ações da Apple continuaram subindo em 2010 (23,9%, até o final de abril), mesmo após uma forte expansão no ano passado (147%). Em abril, o valor de capitalização de mercado da Apple no ranking SP&500 superou o da Microsoft. Em maio o valor real da empresa superou o da Microsoft em 3 milhões de dólares.

Como investir
Quem se interessar em investir nos novos papéis internacionais, a partir de julho, não irá comprar as ações diretamente. A Bovespa autorizou a venda de títulos na forma de Brazilian Depositary Receipt (BDRs) Nível 1, não patrocinados. Os BDRs Patrocinados, já negociados na Bovespa, são emitidos pelas próprias empresas, que têm sede no exterior.

Já no caso dos BDRs Nível 1 Não Patrocinados, a emissão e o registro são de responsabilidade de uma instituição depositária no Brasil. Ou seja, os investidores não comprarão os próprios papéis, mas recibos correspondentes às ações das companhias, adquiridas por outros agentes: instituições financeiras, fundos de investimento, administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM.

Os papéis serão negociados no mercado de balcão, funcionando como um investimento no exterior. “O interessado vai comprar um certificado de depósito que é lastreado em uma ação da empresa nos Estados Unidos. O banco autorizado pela BM&FBovespa será o agente de custódia, que vai garantir que há uma contrapartida desse papel no mercado norte-americano”, resume Calil.

O Deutsche Bank está autorizado a vender os papéis das dez primeiras BDRs. “Decidimos iniciar com um lote de dez ativos, por ser um segmento novo”, relata o diretor de custódia da instituição no Brasil. Mas um novo edital de concorrência já foi publicado e irá selecionar, em 21 de junho, outros bancos interessados em compor uma nova cesta, também com dez empresas. Nascimento adianta que o próprio Deutsche vai participar, para ampliar sua atividade no mercado local.

Segundo o executivo, para chegar à lista final das empresas negociadas nessa nova modalidade, foram estabelecidos alguns critéros. “Solicitamos que cinco assets [administradores de fundos] nos mandassem a lista de 100 empresas que eles gostariam de ter”, detalha Nascimento. A partir dessa base, o banco verificou as corporações mais citadas, analisou o nível de liquidez das companhias e as dividiu por ramo de atividade.

Para os analistas, haverá demanda por mais papéis. Embora já existam alternativas para investimentos fora do Brasil, como os fundos multimercados (que podem alocar até 20% de seu patrimônio líquido no exterior), os de renda fixa (até 10%) e os fundos para cotistas com aplicação mínima de 1 milhão de reais (que podem aplicar até 100% do patrimônio fora do Brasil), as BDRs apresentam a vantagem de permitir a entrada de investidores que queiram desembolsar valores menores, sem burocracia.

Calil explica que, para comprar ações fora do Brasil, há a exigência de abrir uma conta no exterior. “O interessado terá de preencher uma grande quantidade de papéis, além de ser obrigado a declarar os investimentos para autoridade monetária”, pontua. Ainda de acordo com ele, por conta dos custos fixos envolvidos no processo ­ com advogados e tradutores, por exemplo ­, para ser lucrativo, o investimento mínimo deve ser entre 750 mil reais a 800 mil reais. Um valor que cai bastante no caso das BDRs. “O investidor poderá aplicar, por exemplo, 3 mil reais”, cita. Opinião compartilhada por Torres. Ele reforça que, além de escapar da burocracia, com essa modalidade os investidores deixam de correr os riscos cambiais e não precisam fazer operações de hedge (proteção cambial).

As BDRs também devem atrair quem hoje não investe em ações. “A partir do momento em que há empresas conhecidas mundialmente [na bolsa], você quebra a barreira em relação a quem gosta do setor”, cita Calil, que analisa: “Um mercado como o de tecnologia, por exemplo, poderá se desenvolver ainda mais”. Outro reflexo direto, prevê Torres, é “incentivar empresas brasileiras a abrir capital”.

Atualmente, os brasileiros interessados em investir em empresas de TI no Brasil têm poucas opções. Mesmo com grande número de companhias que abriram o capital nos últimos anos, poucas pertencem ao setor. Para o sócio da Humaitá Investimentos, Márcio Macedo, o fato de o mercado nacional de tecnologia ter se desenvolvido menos do que em outros países explica o fenômeno. “A bolsa reflete o perfil da economia brasileira. E aqui os papéis mais importantes são os de setores estratégicos, como telecom e commodities”, explica Macedo.

Atualmente, existem poucos papéis de tecnologia listados na bolsa brasileira. Na maior parte dos casos, trata-se de empresas que atuam em sub-segmentos, como o caso da Totvs, IdeiasNet, NET, Itautec, Bematech e Positivo Informática. Nenhuma delas é uma blue chip, como se designa as ações de primeira linha de grande procura. E os analistas do banco Fator citam que boa parte dessas empresas sofreu uma desaceleração moderada no começo de 2009, mas registrou um desempenho acima da média do restante da economia brasileira. Ainda segundo a análise, elas voltaram a crescer desde meados do ano passado, com uma tendência que se mantém em 2010.

Fluxo de capitais
A maior parte dos especialistas considerou positiva a medida da BM&Bovespa de criar uma modalidade de investimentos em títulos estrangeiros, pois aprofunda o processo de globalização do sistema financeiro brasileiro. “É um reflexo do amadurecimento do mercado. Além disso, denota que está ocorrendo uma mudança nos fluxos internacionais de capital e que o Brasil está em uma posição privilegiada”, considera Torres, da BBS. “Esses novos instrumentos servem para captar recursos de investidores brasileiros. Mostram também que a moeda brasileira está bem posicionada em relação às outras”, complementa.

Já Calil, por sua vez, destaca que a medida reflete a tendência de globalização dos ativos. “Da mesma forma que os investidores estrangeiros participam de IPOs [abertura de capital] de empresas brasileiras, haverá o caminho inverso, pelo qual o brasileiro vai poder investir em empresas estrangeiras”, destaca.

É importante ressaltar que nem todos são otimistas em relação ao mercado. Para Macedo, da Humaitá, entre os grupos de investidores mais importantes do mercado nacional, apenas pessoas físicas estão na lista de potenciais interessados nas BDRs. “O estrangeiro não vai investir, pois já o faz no país de origem, e os fundos de pensão podem alocar recursos lá fora, via bancos”, explica. Além disso, ele crê que é mais razoável os fundos brasileiros investirem na Bovespa em empresas locais, já que os bancos dificilmente vão se aventurar em mercados que conhecem pouco.

 

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