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ESG
Google

Google encerra programa voltado a mulheres em tecnologia e transfere gestão para ONG

O Google decidiu encerrar o programa Women Techmakers, criado em 2012 para apoiar mulheres na área de tecnologia, e repassou sua gestão à organização sem fins lucrativos Technovation. A mudança, comunicada por e-mail de forma breve e sem explicações detalhadas no início de outubro, pegou de surpresa centenas de integrantes do grupo ao redor do […]

Publicado: 04/03/2026 às 11:42
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4 minutos
google, AdX
Construção civil — Foto: Reprodução

O Google decidiu encerrar o programa Women Techmakers, criado em 2012 para apoiar mulheres na área de tecnologia, e repassou sua gestão à organização sem fins lucrativos Technovation. A mudança, comunicada por e-mail de forma breve e sem explicações detalhadas no início de outubro, pegou de surpresa centenas de integrantes do grupo ao redor do mundo e resultou na exclusão de conteúdos e vídeos produzidos ao longo dos últimos anos.

De acordo com a CNN, o programa nasceu para ampliar a visibilidade, comunidade e recursos para mulheres na tecnologia, oferecendo treinamentos, bolsas de estudo e apoio financeiro para eventos, independentemente de vínculo empregatício com a empresa. As participantes mais engajadas podiam tornar-se embaixadoras e receber suporte para participar de encontros globais de desenvolvedores.

Nos últimos meses, entretanto, a iniciativa começou a perder espaço dentro do Google. Segundo o CNN Business, o enfraquecimento do programa coincidiu com a revisão das políticas internas de diversidade, após a companhia suspender metas de contratação voltadas a grupos sub-representados. A decisão seguiu orientações do governo norte-americano, que, sob a administração de Donald Trump, impôs restrições a programas de diversidade em empresas contratadas pelo setor público.

Como seguirá o programa agora?

A transferência para a Technovation, organização fundada há 20 anos com foco em educação tecnológica para jovens, foi anunciada como uma forma de garantir continuidade. Em comunicado à CNN, a CEO da Technovation, Tara Chklovski, afirmou que a entidade recebeu financiamento do Google para oferecer “apoio programático mais profundo” às integrantes do Women Techmakers, prometendo manter acesso a eventos e líderes de empresas de tecnologia, inclusive da própria Google.

Ainda assim, muitas participantes sentiram-se abandonadas. “Tudo o que construímos desapareceu. Nossos conteúdos, registros e histórias foram apagados”, lamentou Sherry Yang, engenheira e embaixadora no Canadá. Outras integrantes relataram frustração com a forma como o encerramento foi comunicado, sem reuniões ou anúncios públicos. “Quando o compromisso de uma empresa com a igualdade termina em um e-mail, diz muito sobre o que ele realmente valia”, escreveu a cientista de dados Leyla Damoisaux-Delnoy, de Bruxelas, em uma publicação no LinkedIn.

Leia mais: OpenAI abandona princípios e libera bots de sexo e pornografia no ChatGPT

Ex-embaixadoras também relataram queda no apoio a viagens e eventos ao longo de 2025, especialmente durante conferências internacionais, sinalizando o enfraquecimento da iniciativa antes de seu fim oficial.

Especialistas em diversidade apontam que o caso do Google reflete um movimento mais amplo de retração nas políticas de inclusão de grandes empresas de tecnologia. De acordo com o sociólogo Donald Tomaskovic-Devey, da Universidade de Massachusetts, as companhias reduziram investimentos após o afrouxamento da fiscalização governamental. “Agora, elas temem ser alvo de críticas do governo se mantiverem programas direcionados”, explicou.

Outras gigantes seguiram caminho semelhante: a Dell encerrou o Dell Women’s Entrepreneur Network (DWEN) no início do ano, justificando a decisão como parte de uma reestruturação interna. Já Amazon e Meta diminuíram suas equipes dedicadas a diversidade e inclusão.

Embora reconheçam a credibilidade da Technovation, ex-integrantes do Women Techmakers dizem temer que o programa perca força e alcance fora da estrutura do Google. Para muitas delas, o vínculo direto com uma das empresas mais influentes do mundo simbolizava oportunidades e reconhecimento.

“O que realmente importa”, conclui Tomaskovic-Devey, “não é o retorno ou não de programas específicos, mas se as empresas estão dispostas a criar ambientes em que todos se sintam respeitados e incluídos.”

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