Empresa volta a contratar após a crise e vai aumentar equipe de engenheiros em 20%, informa chefe de engenharia do Google na América Latina, Berthier Ribeiro.
A operação do Google no Brasil pretende aumentar em até 20% sua obra
de mão de engenheiros no próximo ano, em desdobramento direto do fim da
instabilidade financeira enfrentada pelo setor de tecnologia do País.
A
afirmação é do diretor de engenharia do Google na América Latina,
Berthier Ribeiro-Neto, responsável por comandar cerca de 50 engenheiros
em Belo Horizonte que participam de projetos globais e adaptam serviços
regionais do buscador.
> Como se tornar engenheiro do Google?
Segundo
Ribeiro, o Google vê sinais de recuperação suficientes para voltar a
apostar nas contratações como forma de expandir suas operações,
inclusive no Brasil. O engenheiro, porém, faz a ressalva: “é uma
expansão com cuidado”, dando “um passo de cada vez”.
Nesta entrevista exclusiva ao IDG Now!,
o chefe de engenharia na América Latina explica as responsabilidade do
centro mineiro de desenvolvimento frente aos outros do Google
espalhados pelo mundo e detalha o perfil de engenheiro que o buscador
procura.
> Relembre a trajetória do Google no Brasil
Segundo Ribeiro, as vagas abertas pelo Google no Brasil poderão ser consultadas no site de empregos que o buscador mantém em português, separadas por especialidade ou localização geográfica.
Quais são as responsabilidades do centro de desenvolvimento no Brasil na estrutura global de engenharia do Google?
Os
projetos do Google são globais. Não faz muito sentido falar em projetos
locais. Eles são pensados em escala global e o modelo de negócios só se
sustenta se você pensar em escala global. Caso contrário, ele não se
sustenta por ficar muito complexo.
O papel da engenharia no
Brasil é fundamentalmente dois: participar de projetos globais e dar
suporte global ao negócio, além de ser responsável pelo Orkut no mundo.
O melhor exemplo que posso dar deste suporte é o Mapas, que está
lançado no Brasil, na Argentina, no Chile e no México.
Não que
a tecnologia seja local: é que a base de dados é local. O provedor de
dados no Brasil é um, na Argentina é outro e no México é outro. Existe
um trabalho de integração destes dados locais obtidos de diferentes
provedores na plataforma tecnológica.
Durante o Congresso
Brasileiro de Qualidade e Produtividade (CBQP), você disse que o Google
no Brasil estava acelerando sua expansão. Em termos de operação e
engenheiros, o que isto quer dizer?
Estamos contratando mais
gente. Quando passamos pela crise financeira de 2008, o Google entrou
no que o Eric (Schmidt, principal executivo da empresa) chamou de
“aterrissagem suave da aeronave”.
Sabíamos que não poderíamos
continuar a nos expandir da forma como estávamos nos expandindo.
Estávamos acostumados a crescer o número de funcionários da empresa em
20%, 25% todo ano. Em 2009, isto foi muito contido.
A partir
do segundo semestre, a gente considerou que a recessão estava ficando
para trás. Existem sinais claros que existe maior atividade no setor de
anúncios na internet e estamos retomando o crescimento.
Existem
vagas abertas em engenharia, em produtos e inúmeras posições em São
Paulo, nos escritórios do Google na América Latina e pelo mundo afora.
Trata-se
de uma expansão consciente. Sabemos que precisamos crescer para
expandir o negócio, mas é uma expansão com cuidado. Vamos dar um passo
de cada vez. É preciso ver o que vai se delinear em 2010, mas
claramente a perspectiva é otimista e estamos em expansão.
Quantos engenheiros o centro de Belo Horizonte tem hoje? E qual a meta que vocês querem atingir com estas contratações?
Temos
cerca de 50 engenheiros. A meta é crescer entre 15% e 20% em 2010. Mas
o Google tem a filosofia de, se acharmos gente extremamente qualificada
que nos interessa, vamos contratar, ainda que esteja fora da meta.
Nesta expansão nacional, existe alguma área de engenharia que o Google está se focando?
O
Google tenta contratar o que chamamos de “engenheiro generalista”.
Trata-se de alguém que tem formação acadêmica sólida – não é
necessário, mas preferimos gente com mestre e/ou doutorado em ciência
da computação – e que tenha paixão por engenharia.
O que é ter
paixão por engenharia? É ter mais que formação teórica e gostar de
construir coisas, gostar de escrever códigos. Ao longo do tempo, este
engenheiro transita em diferentes projetos. A carreira no Google não é
centrada em projetos. Temos muito interesse no engenheiro mais
generalista.