Retorno rápido do investimento foi um dos pontos altos no projeto da Lanlink, segundo a Chesf
Nos últimos anos, as empresas do setor de energia têm modernizado suas áreas de TI. O departamento, antes absolutamente operacional, se transformou em apoio para diversos processos de negócio. A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) não ficou de fora dessa onda. Em 2008, a empresa decidiu melhorar sua infraestrutura para apoiar a diretoria de Comercialização de Energia, encarregada de fazer os cálculos de preços do produto comercializado pela estatal.
Os cenários construídos para guiar o valor dos leilões de energia consumiam de 72 a 90 horas para serem feitos. Alguns demoravam dias para serem realizados, o que deixava a área responsável por isso na empresa em grande desvantagem frente à concorrência. O processamento também ocupava todo o hardware instalado em um data center próprio que já estava sobrecarregado para esse tipo de operação.
“O problema precisava ser resolvido, mas a primeira determinação da área de negócio foi a de comprar superservidores e desktops potentes para rodar o software usado”, lembra o assistente técnico do departamento de clientes da Chesf, Moacir Washington das Neves, na época locado na área de infraestrutura e que conduziu o projeto.
A primeira atitude de Neves foi fazer um benchmarking com outras empresas do setor que usavam o mesmo software – o Newave, programa utilizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para medir o risco de submercados e calcular o preço de liquidação de diferenças (PLD), algo bem específico desse setor. Nas visitas, ele descobriu que a compra dos superservidores poderia ser substituída por uma arquitetura de High Performance Computing (HPC), que é o uso de um parque mais diverso em sistema de cluster para se conseguir o poder computacional desejado. O edital para o serviço foi então criado e a vencedora foi a Lanlink, que já atendia a Chesf.
As conversas partiram para a análise da estrutura existente e o que poderia ser feito para que o negócio da empresa não parasse durante os trabalhos de reconfiguração da TI. O legado era grande, com servidores com interfaces diversas e ambiente não estruturado. Por se tratar de algo crítico, com know-how difícil no Brasil e bastante específico, era arriscado mexer em tudo ao mesmo tempo.
Em função de ser um cluster HPC, era necessário, além de processamento robusto, comunicação de altíssima velocidade entre os servidores que o compõem. Isso tudo alterando o mínimo possível o ambiente existente, ou seja, sem necessidade de portar aplicações, alterar sistemas operacionais etc. Dessa forma, a estrutura de hardware e comunicação foi consolidada em tecnologia blade. A intercomunicação dos servidores dentro do cluster, ao invés de Ethernet, foi idealizada e implementada com Infiniband, garantindo altíssima performance.
A solução contemplou dois chassis IBM BladeCenter H para suportar14 lâminas IBM HS21 XM com processadores Intel e placas Infiniband Cisco, rodando Microsoft Windows 2003 e Red Hat Enterprise Linux Advanced Platform. Os servidores foram consolidados em uma camada de virtualização e, dos softwares que compõem a solução, um roda em Windows e o outro em Linux. Foram agregados mais switches GbE Nortel e Infiniband Cisco dentro do blade. O storage IBM DS4700 contou com discos Fibre Channel.
Tudo com garantias de SLA e serviços de instalação, configuração, testes, operação experimental e transferência de tecnologia da Lanlink. Entre sete e dez profissionais do canal participaram do projeto, que iniciou em março de 2008 e foi concluído em agosto de 2009. Esse tempo inclui todo o período desde a publicação do edital. “A Chesf precisava fazer cálculos que incluem variáveis como o atual preço do produto, as condições futuras, algo que não pode ter falhas, por isso uma solução robusta”, diz o diretor-presidente da Lanlink, Charles Boris.
Com a estrutura nova, esses cálculos passaram a ser feitos em 18 minutos. Mais do que a rapidez, o ganho da Chesf está na capacidade de criar vários cenários ao mesmo tempo, algo impossível anteriormente. Essa nova situação permitiu que a empresa possa trabalhar com todas as variáveis possíveis, como concorrência, condições hidrológicas e a expectativa de preço dos combustíveis. Tudo com resultados mais confiáveis.
O retorno do investimento foi calculado em sete meses. Mas, segundo Neves, é bem possível que ele tenha sido recuperado em apenas um leilão do qual a empresa participou. “A definição certa do preço traz grandes ganhos para a companhia e segurança na comercialização do produto”, explica. A nova infraestrutura também é toda projetada para reduzir o consumo de energia. Os primeiros cálculos mostram que essa economia deve atingir 60%, o que contribui mais ainda para o ROI.