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Hospital cria sistema para que pacientes gerenciem dados médicos

É raro encontrar pessoas que conheçam todos os seus dados médicos. Isso porque, mesmo depois de consultas e exames, as informações obtidas em consultórios particulares, laboratórios e hospitais são armazenadas separadamente. E, em geral, quando o paciente quer consultá-las, precisa enfrentar uma burocracia que o faz desistir. Esse cenário é o mesmo que seria se […]

Publicado: 10/05/2026 às 03:56
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4 minutos
Hospital cria sistema para que pacientes gerenciem dados médicos
Construção civil — Foto: Reprodução

É raro encontrar pessoas que conheçam todos os seus dados médicos. Isso porque, mesmo depois de consultas e exames, as informações obtidas em consultórios particulares, laboratórios e hospitais são armazenadas separadamente. E, em geral, quando o paciente quer consultá-las, precisa enfrentar uma burocracia que o faz desistir.

Esse cenário é o mesmo que seria se os bancos não disponibilizassem dados integrados de seus correntistas, fazendo-os unir, manualmente, as informações relativas a depósitos, saques, transferências, taxas e investimentos. Seria um inferno e, certamente, o cliente dessa instituição financeira migraria sua conta para o concorrente.

De olho nas dificuldades dos pacientes para entender e armazenar os próprios registros médicos, o Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos, criou um portal no qual disponibiliza todos os dados dos usuários.

Os dados são, então, armazenados e cruzados, gerando estatísticas e padrões médicos dos pacientes, bem como registrando as transações financeiras entre o hospital e o convênio do usuário. No que diz respeito ao perfil das pessoas que terão acesso à ferramenta, ela pode mostrar, por exemplo, quais as épocas do ano em que a criança fica mais doente e os motivos da enfermidade, fazendo com que os médicos elaborem tratamentos de prevenção a essas ocorrências recorrentes.

O sistema não foi criado apenas para ser benevolente com os usuários, explica o CIO do hospital, Daniel Nigrin. “O potencial de trazer mais receitas à organização por meio do diferencial competitivo que a ferramenta introduz, aliado ao aumento da satisfação dos pacientes gera grande valor estratégico”, diz ele.

Nigrin afirma, no entanto, que muitos foram – e ainda são – os desafios do projeto, o qual foi desenvolvido em abril deste ano e implementado dois meses depois. “A maior barreira continua sendo a resistência de alguns usuários em cadastrar os dados médicos em um site por não achar que seja seguro o suficiente”, conta o CIO.

Por isso, o executivo conta que todos os funcionários que têm contato direto com os pacientes foram treinados para orientar aqueles que tiverem dúvidas quanto às políticas de segurança e privacidade que o site respeita. Além disso, devem ressaltar que a equipe interna de TI do hospital é responsável por assegurar a proteção dos dados. “Isso faz com que o usuários confiem mais no sistema do que se ele fosse protegido por terceiros”, diz ele.

Melhor relacionamento
Além de disponibilizar informações aos usuários, o portal possibilita que eles troquem e-mails com os médicos que o atenderam no hospital. Nas mensagens podem ser tiradas dúvidas quanto a resultados de exames ou evolução dos tratamentos prescritos, por exemplo.

Embora os médicos da organização tenham ficado apreensivos de receber enxurradas e mensagens de seus pacientes, isso não acontece e o modelo está se mostrando muito eficiente. “Como estão mais cientes da situação do filho ou sobrinho doente, os familiares passaram a questionar e dar mais feedbacks à equipe médica, o que gera uma interação incrível entre a empresa e seus clientes”, explica Nigrin.

“Em outros aspectos da nossa vida, temos acesso a todos os dados que desejarmos”, afirma o CIO, que complementa: “E em relação à saúde devemos ter o mesmo direito de saber exatamente o que está acontecendo, bem como de tirar quaisquer dúvidas que tivermos.”

Por disponibilizar informações as quais os pacientes têm direito de ter acesso, o executivo prevê que a iniciativa do Hospital Infantil de Boston seja adotada em outras instituições médicas. “Assim como os terminais móveis de atendimento, ou caixas eletrônicos, pareciam um luxo na década de 1980, a disponibilização de dados dos pacientes deve se tornar uma prática no segmento de saúde.”

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