Muitos gigantes da TI são mais conhecidos pelo legado que pelo potencial atual e isso tem se tornado um grande problema
Empresas como Wal-Mart e McDonald”s poderiam ser colocadas como líderes em tempo entrega e fast-food de bebida, respectivamente, e, provavelmente, ninguém faltaria com a verdade com tal afirmação. Assim, a HP é conhecida, de longe, como “líder global na fabricação de PCs”, que não deixa de ser uma descrição importante a respeito da empresa. Mas porque a HP não consegue escapar deste porta-retrato unidimensional? Assim como a Cisco, “a gigante das redes”. De novo, não está errado, mas isso realmente diz quem é e o que faz a Cisco? A história da Cisco está limitada a roteadores, hubs e switches?
Temos ainda a Oracle, amplamente chamada de gigante do banco de dados. Em recente evento da SAP, diferentes pessoas – e não apenas funcionários da SAP, tentaram-me convencer de que a Oracle é uma empresa de banco de dados porque, afirmavam, ela tem 80% de sua receita gerada pela divisão de banco de dados.
De qualquer forma, isso realmente tem importância? Há alguma consequência séria se a percepção das pessoas em relação à maioria das companhias de TI não estiver alinhada com a realidade? Alguém se importa se a mídia em geral não souber ou não ligar para o que, de fato, essas corporações fazem? Seus sistemas de missão crítica sofrerão se a maioria relacionar a HP aos PCs, a Oracle ao banco de dados e a Cisco às redes?
Acredito que seja algo que importe e precisa ser pensado. Aqui vão três razões para isso:
1 – O fato de sustentar uma visão obscura sobre a vitalidade, inovação e natureza dinâmica não está presa somente a essas três grandes empresas relatadas. Tome a IBM como exemplo, passou anos para fugir da linha “companhia de mainframe” e depois trabalhou duro para convencer clientes e investidores de que era ágil, agressiva e com olhos na inovação. Será que HP, Cisco e Oracle gostam de ser reconhecidas apenas por produtos que são tão antigos quanto sua indústria?
2 – O negócio TI não é um campo exclusivo de CIOs e de seletos profissionais que conhecem todas essas companhias. Gostemos ou não, as decisões de compra em TI são cada vez mais influenciadas por pessoas de finanças, gestão e outras divisões das empresas – se a opinião e percepção deles sobre as fabricantes estiverem defasadas o trabalho do CIO se tornará mais fácil?
3 – A HP é a maior companhia de TI com um vasto e impressionante portfólio de produtos e serviços – e o melhor que podemos dizer é que ela produz e vende mais commodity que outro? Nada de falar em inovação, transformação, rede, autoamção, serviços globais, mobilidade e outras áreas chave?
John Chambers é um dos CEOs mais aclamados no mundo e a Cisco é reconhecida apenas como “gigante das redes”? Não há dúvida de que flipcam e telepresença, sistemas de comunicação unificada utilizam redes – hoje em dia, quem não usa? – mas eles também precisam de outras tecnologias e estou certo de que a Cisco quer ser reconhecida por isso.
A Oracle, talvez, tenha atacado este problema com mais vigor que HP e Cisco por meio do Larry Ellison e seu novo posicionamento com a união da Oracle com a Sun Microsystems. Não está no ponto ideal, mas a visão e o compromisso de Ellison vão nesta direção e os CIOs estão compreendendo. Desde que, em dezembro passado, Ellison falou sobre otimizar e integrar sistemas e hardware para ofertar melhor desempenho e menos problemas, o tema se tornou frequente dentro de outras fabricantes.
Não apenas HP, Cisco e Oracle, mas IBM, SAP e todos fornecedores comprometidos com seus mercados precisam entender que seus consumidores estão mudando e eles precisam lidar com isso rapidamente para sobreviver diante da concorrência.
Esses novos clientes não querem acordar com o gigante do PC ou a líder de banco de dados ou redes, ou storage e o que quer que seja. Esses consumidores buscam o gigante da inovação, da transformação, do crescimento, da inteligência, próximas práticas e desempenho.
Para completar o trabalho que eles precisam fazer, esses clientes precisam do melhor que a indústria de TI poder entregar em ideias e visão assim como em produtos e serviços.