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Luana Génot

IA antirracista: ‘Nossa intenção é letrar humanos e máquinas’, afirma Luana Génot

Durante o evento Cubo Conecta, realizado em São Paulo pelo Cubo Itaú, uma conversa revelou um dos projetos mais inovadores no campo da diversidade e tecnologia no Brasil. Luana Génot apresentou a Deb, IA dedicada exclusivamente às questões étnico-raciais e de Diversidade, Equidade & Inclusão (DE&I). Fundadora do Instituto Identidades do Brasil e uma das […]

Publicado: 05/03/2026 às 06:42
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IA antirracista: ‘Nossa intenção é letrar humanos e máquinas’, afirma Luana Génot
Construção civil — Foto: Reprodução

Durante o evento Cubo Conecta, realizado em São Paulo pelo Cubo Itaú, uma conversa revelou um dos projetos mais inovadores no campo da diversidade e tecnologia no Brasil. Luana Génot apresentou a Deb, IA dedicada exclusivamente às questões étnico-raciais e de Diversidade, Equidade & Inclusão (DE&I).

Fundadora do Instituto Identidades do Brasil e uma das principais vozes na interseção entre inteligência artificial e igualdade racial, Luana traz inclusão e cores para as mesas de decisão. Sua visão é usar a tecnologia como uma oportunidade de escalar esse letramento.

Leia também: Brasil supera média mundial em adoção de agentes de IA nas empresas

Uma IA com propósito social

“A Deb é 100% alimentada com dados tropicalizados, dados brasileiros”, explica a empreendedora, que também integra o Conselho Global de Diversidade e Inclusão da L’Oréal e assessora empresas da Fortune 500. A ferramenta surge como resposta a um problema estrutural: as IAs generalistas reproduzem vieses em suas respostas, limitando o acesso a referências diversas.

O diferencial da Deb está em sua intencionalidade. Quando questionada sobre recomendações de livros, por exemplo, ela priorizará automaticamente obras de autores negros e indígenas. “A Deb está aí para ampliar o repertório que muitas vezes não está nas primeiras páginas dos mecanismos de busca nem nas primeiras respostas de uma IA mais generalista”, destaca a fundadora.

Quase uma década de letramento racial

A criação da Deb é fruto de quase dez anos de atuação do ID_BR e da trajetória de Luana. Como co-idealizadora do Prêmio Sim à Igualdade Racial, transmitido pela TV Globo, ela já alcançou mais de 80 milhões de pessoas. Através do Instituto, Luana já levou letramento racial para mais de 700 mil colaboradores em empresas e 60 mil educadores.

O impacto prático desse trabalho já foi comprovado em casos como o da L’Oréal. Após receberem formação sobre questões raciais, a equipe da marca La Roche-Posay identificou que sua linha de protetores solares para peles mais escuras estava subdesenvolvida. O resultado foi um produto específico para esse público que vendeu 100 mil unidades em poucos dias.

“Com mais letramento, esse time foi capaz de olhar com mais intencionalidade o seu portfólio e desbloquear uma oportunidade de produto para um público que não estava sendo recrutado”, analisa Luana, evidenciando como a diversidade impacta diretamente nos resultados de inovação.

O desafio da escala e o acesso democrático

Com o sucesso acumulado, surgiu uma questão central: como escalar ainda mais a atuação para o Brasil e para o mundo? O Instituto tinha um limite como organização, e foi daí que nasceu a ideia de usar inteligência artificial para democratizar o acesso ao letramento racial.

A Deb foi alimentada com dados brasileiros coletados ao longo da trajetória do ID_BR, incluindo pesquisas próprias e informações do Prêmio Sim à Igualdade Racial. Esse banco de dados tropicalizado garante respostas contextualizadas para a realidade nacional. “A gente consegue colocar na Deb essas informações tropicalizadas para que ela possa ter um banco de dados próprio, informando as pessoas”, explica.

Através da spin-off criada para expandir o trabalho do ID_BR, a ferramenta pode funcionar como um “plugin” em empresas menores. “Queremos que não só as grandes empresas, que geralmente têm dinheiro para pagar, mas também as pequenas empresas e as startups possam ter um mecanismo”, explica a empreendedora sobre a estratégia de disseminação.

Saberes ancestrais e visão de futuro

Para Luana, a Deb representa a união entre saberes ancestrais e tecnologia de ponta. “Costumam dizer que tudo o que a gente fez já era tecnologia. A Deb é, talvez, a mais de ponta que estamos usando. A nossa oralidade, a nossa ancestralidade, tudo isso já conta”, reflete. “Estamos continuando um trabalho que já tem sido feito há muito tempo com pessoas que lutaram por liberdade e emancipação.”

Questionada sobre os próximos passos, Luana é categórica: “Nossa intenção é letrar humanos e máquinas. O futuro do trabalho é de agentes.” Para ela, seus filhos Alice e Hugo crescerão em um mundo onde trabalhar com inteligências artificiais será natural, e por isso essas máquinas precisam ser educadas para não reproduzir discriminações. “O Brasil perderá uma oportunidade imensa se não usar as tecnologias de ponta disponíveis para tratar as desigualdades que temos”, alerta.

A ambição do projeto, embora nascido no Brasil, é global. Luana destaca que a falta de oportunidades econômicas para pessoas não brancas é um problema mundial, citando estimativas do Banco Mundial que apontam para perdas de mais de 160 trilhões de dólares nas economias globais por essa razão. Nesse cenário, a criação da Deb representa um posicionamento do Brasil como um país inovador em soluções que unem tecnologia e justiça social, buscando garantir que “o capital flua para pessoas de todas as identidades”.

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