“De dois a cinco anos, eu diria. Não é que não haverá nada para os humanos fazerem, mas haverá disrupção suficiente para termos uma perturbação trabalhista que opera mais rápido e é mais ampla na economia porque se relaciona com tudo.” O alerta veio de Dario Amodei, cofundador da Anthropic, durante conversa com Marc Benioff, […]
“De dois a cinco anos, eu diria. Não é que não haverá nada para os humanos fazerem, mas haverá disrupção suficiente para termos uma perturbação trabalhista que opera mais rápido e é mais ampla na economia porque se relaciona com tudo.” O alerta veio de Dario Amodei, cofundador da Anthropic, durante conversa com Marc Benioff, presidente da Salesforce, no Dreamforce 2025*, realizado em São Francisco.
A previsão de Amodei não é mera especulação. Dentro da própria Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, o futuro já começou: 90% do código em muitas equipes é escrito pelo Claude, o modelo de IA da companhia. Os programadores humanos atuam como supervisores, focando nos 10% mais complexos do trabalho.
“Seis meses atrás, fiz a previsão de que em seis meses 90% do código seria escrito por modelos de IA. Dentro da Anthropic e em várias empresas com as quais trabalhamos, isso é absolutamente verdade”, revelou o executivo, que comanda a empresa ao lado de sua irmã, Daniela Amodei.
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Dario e Daniela Amodei cresceram em São Francisco e estudaram na Lowell High School. Em 2021, deixaram a OpenAI para fundar a Anthropic, com uma proposta clara: focar no mercado corporativo enquanto concorrentes miravam consumidores individuais. A estratégia se mostrou certeira.
A empresa atingiu US$ 7 bilhões em receita anual neste ano, crescendo dez vezes a cada 12 meses nos últimos três anos. “Nossa receita tem subido dez vezes por ano. Não pode continuar assim por muito mais tempo, é claro”, admitiu Amodei, arrancando risos da plateia do Dreamforce. Mas o executivo deixou claro que o potencial de mercado é ainda maior.
“O que é uma empresa? É uma espécie de superinteligência, certo? É uma entidade que age no mundo com um nível de estratégia, conhecimento e poder que vai muito além do que qualquer ser humano individual pode fazer”, afirmou. Para ele, mesmo quando os modelos de IA ficarem mais inteligentes que qualquer humano individual, ainda haverá um longo caminho até substituírem o que uma empresa inteira consegue realizar.
A transformação mais visível está acontecendo na programação. Amodei contou que, durante o treinamento do modelo mais recente da empresa, um problema técnico consumiu dias de trabalho dos engenheiros. “Simplesmente fomos ao Claude e dissemos: ‘Não sei, tente mexer no sistema e veja se consegue descobrir o que está errado’. E o Claude encontrou esse erro super obscuro que os engenheiros tinham perdido.”
Mas o executivo fez questão de esclarecer que isso não significa demissões em massa. “Se o Claude está escrevendo 90% do código, isso não significa que estamos demitindo 90% dos engenheiros de software.” Ele explicou que, pela lei da vantagem comparativa, os profissionais se tornam mais produtivos ao focar no que a IA ainda não faz bem.
“Você acaba sendo dez vezes mais produtivo, porque os 10% restantes agora são um complemento ao sistema de IA”, disse. O problema, segundo ele, não é a falta de trabalho, mas a velocidade da adaptação necessária. “Estou especialmente preocupado com a capacidade das pessoas de se adaptarem, já que os empregos estão mudando tão rápido.”
Questionado sobre onde a Anthropic estará em cinco anos, Amodei foi claro: o crescimento deve vir acompanhado de responsabilidade. “Queremos ser conhecidos como a empresa que é confiável, a empresa que se comporta de forma responsável, que tem reputação de fazer o que diz, dizer o que faz e construir produtos confiáveis”, declarou.
O executivo escreveu recentemente um ensaio chamado “Máquinas da Graça Amorosa” sobre o potencial positivo da inteligência artificial. “Sou talvez o mais alto em vocalizar as preocupações com a IA, mas sou um crente incrível no lado positivo da IA. Tenho uma visão realmente expansiva, talvez mais do que pessoas que se descrevem como mais otimistas.”
*A jornalista viajou a convite da Salesforce
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